Ginásios e outdoor

Bachata: que dança é esta que está a deixar os portugueses loucos?

Foi criada na década de 50, na República Dominicana. Está repleta de movimentos sensuais com as ancas, braços e até a cabeça.
Até Shakira é fã.

Se há coisa que distingue os portugueses é o facto de receberem diferentes culturas de braços abertos. O nosso País acolhe pessoas de todas as nacionalidades, há restaurantes com cozinhas de todo o mundo e nas rádios ouvem-se temas em diferentes idiomas — e alguns são, aliás, verdadeiros sucessos por cá. O maior dos últimos tempos foi mesmo “Despacito” de Luís Fonsi e Daddy Yankee.

A canção, com uma batida que convida a mexer a anca, tocava todos os dias (e quase a toda a hora) e despertou o interesse de muitos portugueses pelos danças latinas. O gosto por estilos como a salsa (cujo bichinho já estava cá dentro) tornou-se mais vincado, e muitos descobriram a bachata. Apesar de ter voltado a ser muito procurada, já se dança em Portugal “há cerca de dez anos”, explica à NiT Carolina Rodrigues, professora de dança em várias escolas em Lisboa, Cartaxo e Almada.

Surgiu na década de 1950, na República Dominicana, e nos seus primórdios não era bem vista pela alta sociedade que a considerava vulgar. Os temas da bachata raramente eram tocados em rádios e televisões. Na verdade, apenas se ouviam nos bairros mais pobres do país.

Só passou a ser ouvida nas ruas, três décadas depois, nos anos 80. A popularidade foi crescendo de tal forma que ultrapassou as fronteiras do país onde nascei. Em 1990 “começou a ser estruturada e ensinada fora da República Dominicana”. No nosso País começou a ganhar atenção por volta de 2010. Desde então que a popularidade da mesma já diminuiu e, depois, aumentou.

“Portugal é muito de modas. Primeiro tivemos uma presença muito forte de kizomba, porque temos uma cultura muito ligada à africana. Depois houve uma altura em que toda a gente queria dançar salsa e bachata”, revela a instrutora. Segundo o que explica, quem dança este primeiro estilo latino acaba por mergulhar no segundo, e vice-versa, porque são bastante semelhantes. “Uma das diferenças é que a bachata tem um passo base muito simples, com quatro tempos, enquanto que a salsa tem o dobro”, acrescenta.

A dança da República Dominicana tem um ritmo mais lento, mas continua a ser muito dançante. Distingue-se de muitas porque tem como foco o movimento da anca, mas também recorre aos braços que acompanham os ritmos das canções. Caso a faça em par, esta realiza-se num abraço apertado entre ambos os dançarinos.

As músicas que acompanham a dança são, normalmente, muito ligadas ao amor. Nos seus primórdios falavam de traições e desgostos, como um marido que ia a um bar e encontrava a mulher com outro homem. Atualmente, abrange todas as vertentes deste sentimento, desde as partes tristes às felizes.

Existem três versões diferentes do estilo. Além da tradicional, existe uma à qual é dado o nome de bachata moderna. Esta foi-se formando após a saída dos dominicanos para os Estados Unidos da América e acabou por ser influenciada por outros tipos musicais, nomeadamente a salsa. Os rápidos rodopios caracterizam esta versão. Depois, tem a bachata sensual, que “envolve muito movimento de tronco e cabeça, e não só dos pés e ancas”, descreve Carolina. Foi popularizada em Espanha e é muito influenciada pelo zouk.

Apesar de não ser tão movimentada quanto a salsa, a bachata tem a capacidade de queimar uma boa quantidade de calorias, visto que trabalha diferentes zonas do corpo — que acaba por ficar mais tonificado. Numa aula de aproximadamente uma hora pode queimar até 350 calorias. Tratando-se de uma dança, também ajuda a melhorar a coordenação.

Os preços mensais das aulas dependem conforme a escola escolhida, “mas normalmente rondam entre os 20€ e 30€, ou 80€ caso queira sessões particulares.” Tem várias propostas espalhadas pelo País, mas, como seria de esperar, maior parte delas encontram-se em Lisboa. Pode ver a infografia da NiT para conhecer os principais institutos que se focam nesta prática.

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