Ginásios e outdoor

Batus Boxing: o ginásio onde pode aprender kickboxing com um campeão

Robert Baltaru foi vice-campeão mundial de kickboxing em 2016 e agora abre o seu próprio espaço, onde quer distinguir a modalidade da violência.
O novo ginásio gerido por Baltaru.

Os desportos de combate são cada vez menos vistos como veículo de violência e agressividade. Pelo contrário, são cada vez mais associados à prática desportiva onde vigora o respeito pelo adversário e, sobretudo, onde se queimam muitas calorias, se liberta o stress e a tensão do dia a dia e, claro, se tonifica os músculos. Talvez por isso sejam felizes vítimas de uma certa onda de popularidade.

É neste contexto que entra Robert Baltaru, romeno que se mudou para Portugal em 2004. Uns anos mais tarde, em 2015, sagrou-se campeão nacional de kickboxing. “A maior emoção que alguma vez senti”, relatou à NiT, em 2023. Em 2016, elevou a fasquia e tornou-se vice-campeão mundial em Itália. E agora regressa a Portugal, neste caso a Braga, para abrir um espaço dedicado aos desportos de combate. O Batus Boxing abriu as portas a 2 de abril, no último piso do Centro Comercial Leclerc, no ginásio No Limit.

Portanto, pode confiar que o novo espaço será treinado por um dos melhores. Gerido por alguém com tanta paixão, um dos objetivos só poderia ser “fazer a modalidade crescer”, admite. “Teremos aulas de boxe, kickboxing e mistas, para que o pessoal se comece a orientar”. Fará tudo acontecer numa sala de 85 metros quadrados, com cerca de cinco sacos — o suficiente para dar a conhecer a disciplina que o apaixona.

“Gostava que transmitisse um ambiente desafiante e motivador. Como são aulas mais personalizadas, gostava que desse para algo diferente.” O facto de os treinos terem um limite máximo de dez pessoas por sessão, faz com que exista uma proximidade com o atleta “que permite um treino mais direcionado”. 

Se nunca antes experimentou uma aula deste tipo, isso não será um problema. Até porque o objetivo, para já, não passa sequer pela competição. “Inicialmente, o que pretendemos é dar continuidade ao processo de aprendizagem, e só mais tarde, se houver interesse em algo mais, posso direcionar os atletas para outro patamar”, sublinha. Reforça que a finalidade principal passa pelo “crescimento do Batus com as aulas de grupo”. Tudo o resto serão questões a pensar mais adiante. 

Robert é o único a dar as aulas no Batus, mas assume com firmeza que pretende manter os seus treinos no Sporting Club de Braga, onde é atleta profissional. “Será um desafio, mas quero continuar a linha de atleta como sempre tive. Não vai ser isto que me vai afastar dos ringues”, afirma cheio de convicção. Ainda assim, reconhece que poderá ter de alterar as rotinas e os horários. “Se calhar não vou conseguir uma ou outra hora no Braga, mas é tudo uma questão de disciplina e acho que os atletas costumam tê-las”.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por BATUS – Boxing & Training 🥊 (@batusboxing)

O pugilista não é indiferente ao que se passa no mundo do futebol, que domina o interesse da maioria. No entanto, acredita que as coisas estão a mudar e que há cada vez mais espaço para alternativas. Naturalmente, quer que o seu ginásio faça parte dessa transformação. Julga que desviar as atenções para as artes marciais passa por “tentarmos ter cada vez mais praticantes, mas para isso é preciso que haja mais ginásios a dedicar-se também a estas disciplinas”. “O Batus abriu em prol dessas modalidades, e crescendo ele, crescemos também todos enquanto desporto”.

Acima de tudo, o que o treinador considera essencial é a mudança de mentalidades relativamente aos segmentos de combate. “Temos de começar a distinguir o desporto da violência. É até um bocadinho de mau tom quem acaba por reduzir o boxe ou o kickboxing a uma violência que não o é”. 

Menciona novamente o caso do futebol, onde, aí sim, admite ver uma agressividade que não vê nas artes marciais e acredita que os treinadores também têm a responsabilidade de “mostrar aos praticantes que isto é um tipo de modalidade, e não algo que se pratica para aprender a bater em pessoas na rua”.

Felizmente, defende que a popularidade, especialmente do kickboxing, nos últimos, tempos veio para ficar. “Está a crescer de tal maneira que é para ficar. As pessoas vendo uma gala, por exemplo, conseguem descobrir que isto é um desporto lindo”, afirma, com a ressalva de que é suspeito na matéria. “No ringue tu vês que é um momento para decidir o melhor”, referindo-se ao nível técnico. Por comparação, “se for um momento de bola, vês os pais a tratarem mal os árbitros e afins”. “Aqui as pessoas percebem que isto é uma prática com respeito. Os atletas são pessoas mais calmas. Não é pessoal que gosta de violência”, garante.

Não esconde que o exercício ajuda a aumentar a segurança e confiança que tantos precisam. Na verdade, a motivação de Baltaru para investir nas artes marciais começou por via de um episódio onde foi vítima de um assalto. Mas reforça que o que muda é a postura da pessoa perante uma situação dessas, não o à vontade para combater. “Se calhar, se algum dia fores assaltado, só pela conversa que tens, és capaz de dissuadir o assaltante, só a falar, pela confiança que passas a ter. Cresces como pessoa. O mundo anda meio perdido, vemos guerras e coisa que nunca pensámos ver, e julgo mesmo que este desporto nos traz muita segurança, importante para qualquer um, neste dia a dia”.

“Acredito que isto poderá ajudar muita gente. Por isso é que gostava que as pessoas levassem o boxe e kickboxing nesta linha — não é violento”. Termina ao reforçar que é um sítio onde a disciplina nos faz crescer, desde muito cedo. Por isso mesmo, o pugilista revela que não quer que o Batus se resuma a um negócio, mas antes a um meio onde se possa adquirir o gosto pela modalidade.

Inicialmente, haverá quatro aulas de grupo por dia, todas elas diferentes. De segunda a sexta, na parte da manhã, há treinos das 7 horas às 7h50 e das 12 horas às 12h50. Durante a tarde, as sessões acontecem das 19 horas às 19h50 e das 20 horas às 20h50. Sábado também pode treinar das 11h10 às 12 horas, não esquecendo a oportunidade para os mais novos — das 10 às 11 horas, dos 6 aos 12 anos. Os treinos personalizados podem ser individuais ou em duo, com horários a combinar com o próprio.

Os preços variam entre os 25 e os 60 euros, mediante o número de aulas por semana e se for em formato grupo ou individual.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT