Ginásios e outdoor

Caminhada Aquática: a modalidade que o leva rio abaixo, entre rochas e ziguezagues

No total são percorridos dois quilómetros e as pessoas podem optar por ir sempre a nadar ou a deslizar pelo caudal.
A atividade dura cerca de cinco horas.

O negócio surgiu quase por um acaso. Um acaso feliz e que perdura há 25 anos. Hoje, a Trans Serrano é uma das empresas que, no interior do País, fazem sucesso a tirar partido das paisagens acidentadas, neste caso do rio Ceira, um afluente do Mondego. É por ali que se vive a experiência da Caminhada Aquática, uma modalidade que é uma espécie de canyoning em versão menos radical — mas não menos divertida.

Um dos seus criadores Paulo Silva, agora com 51 anos, mudou-se em 1998 de Lisboa para Góis, juntamente com a sua mulher. Procuravam uma vida mais tranquila, num ambiente rural. O tipo de ambiente que consideravam ideal para viver em família e que ao mesmo tempo era  um porto seguro para Paulo, que sempre teve muito contacto com o a natureza.

Encontrar emprego no interior é que nem sempre era tarefa fácil. Também por isso decidiram, em 1999, abrir uma empresa de Aventura, Lazer e Turismo, em conjunto com outro casal que se encontrava na mesma situação. “No princípio foi difícil porque não tínhamos muito conhecimento nem experiência. Fomos fazendo formações e aprendendo e ajustando aquilo que queríamos delinear para nós, com aquilo que o mercado pedia”, começa por contar à NiT.

Nessa altura faziam essencialmente caminhadas e canoagem. Com o passar dos anos e com o aparecimento de cada vez mais percursos marcados, deixaram de investir tanto neste tipo de atividades porque as pessoas começaram a fazê-los de forma mais autónoma. Foi aqui que se começara a dedicar e a especializar mais nos desportos radicais.

“Todo o nosso percurso foi, e ainda é, muito evolutivo. Temos apostado em diferentes propostas e conservado aquelas com mais procura. Por exemplo, os passeios de jipe surgiram em 2006 e ainda hoje é uma das coisas que as pessoas mais pedem para fazer.”

Ainda assim, a forma como as pessoas escolhem a modalidade que querem praticar tem mudado com o decorrer do tempo. “Atualmente as pessoas ligam muito ao visual, àquilo que vêm nas redes sociais e que consideram que é mais estético. Por isso é que cada vez também apostamos mais na divulgação através destes meios, conquistam muita gente.”

Acredita que foi desta forma que a caminhada aquática se tornou o fenómeno que tem sido este ano. Apesar de ter sido criada há cerca de dez anos, por volta de 2014, tem sido atualizada e têm-lhe sido acrescentados novos pontos de interesse.

A Caminhada Aquática surgiu como uma solução mais tranquila e soft ao Canyoning, que muitos queriam experimentar, mas achavam que era demasiado radical e difícil. Pode dizer-se que é quase uma porta de entrada para atividades mais radicais.

Não requer dos participantes uma enorme exigência física e todos os desafios são facultativos. Uma das características que mais a distingue é o facto de ser feita num lugar com uma vista extraordinária e num rio (o Ceira) com boas condições. “Não está poluído, é transparente, dá para ver o fundo, é muito acessível e o caudal não diminui, por isso tem sempre muita água.”

O percurso atual tem um total de dois quilómetros. A atividade começa por volta das das 9h30, altura em que se faz toda a preparação na sede, entre os fatos e as meias de neoprene — e, claro, o capacete.  Cada pessoa deve levar consigo um fato de banho para colocar por baixo do fato e uns sapatos, normalmente umas botas ou sapatilhas que se possam molhar.

Depois há um transfer até ao ponto mais perto possível do início da caminhada, mas ainda é necessário enfrentar uma caminhada de 30 minutos. Já na albufeira da Central Hidroeléctrica do Monte Redondo é feito um briefing com todas as regras e os participantes começam verdadeiramente a entrar em ação.

A aventura começa logo com uma queda de água, antes de ter que transpor alguns açudes e rochas. Pode optar por nada ou apenas a deslizar, enquanto se deixa deslizar pelas águas frias do curso. A meio do percurso há um slide para a água e a possibilidade de salto com uma corda na margem do rio. A parte final conduz à Praia Fluvial da Peneda e pode ser feita já a pé pela margem, caso esteja cansado ou até com frio.

Durante as cinco horas (tempo que demora a iniciativa) pode dar mais de 10 saltos, que vão de alturas desde os dois aos oito metros.  Paulo garante  que “não há muitos riscos associados”. Nunca houve acidentes e não há passos perigosos. Caso as pessoas não se sintam à vontade, não há problema, apenas fazem aquilo com que se sentirem seguras.”

Dada a temperatura da água, a caminhada só se realiza de março a outubro. “Ainda assim, graças às alterações climáticas, já temos sido capazes de fazer em alguns dias de dezembro e de janeiro, em que a temperatura está mais agradável e o caudal o permite.”

Caso queira experimentar, pode inscrever pelo email geral@nulltransserrano.com ou através do sistema de reservas disponibilizado no site da empresa. A atividade é realizada sempre ao fim de semana, por norma da parte da manhã, mas também é feita durante a semana, com marcação antecipada.

No máximo podem fazer 60 pessoas ao mesmo tempo, mas caso existam grupos maiores há opção de os dividir e metade fazer de tarde. Os preços são de 30€ por participante, quer se inscreva individualmente ou com mais quatro pessoas. Depois o valor vai diminuindo consoante o número de inscrições feitas em conjunto. Para grupos superiores a seis pessoas o custo é de 25€, superiores a dez é de 20€ e superiores a 30 é de 17,5€.

Carregue na galeria para ver algumas imagens da caminhada aquática.

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