Ginásios e outdoor

Deixaram França e abriram um estúdio de eletroestimulação em Lisboa

Andréa Valérie Cabeças e Lorenzo Mechin são os responsáveis do novo spot de Campo de Ourique. Foi inaugurado em setembro.
Está dividido em três andares.

Com 17 anos, há quem apenas pense nas festas que vai ter nos próximos anos. No caso de Andréa Valérie Cabeças, a história é bem diferente. Quando saiu do Liceu Francês Charles Lepierre, em Lisboa, sabia que queria ter um negócio próprio e focou-se nisso a 100 por cento.

Tirou uma licenciatura em marketing e publicidade no IADE e outra em Personal Training. Inicialmente, o objetivo era ter um ginásio, mas foi a eletroestimulação que a conquistou. Resultado: abriu o Body Fit e tornou-se empresária aos 21 anos. Mas é preciso ir até França para contar a sua história.

Filha de pai português, natural do Porto, e mãe francesa, Andréa nasceu e cresceu em Lyon, em França. Lá, dedicou grande parte da sua vida ao desporto. Fez parte de equipas de basquetebol, futebol e vólei, e até foi campeã nacional de ginástica em 2010.

“Entrei para a ginástica em 2008 e dois anos depois ganhei tudo. Ia treinar todos os dias, entre escola e família, mas não me trazia felicidade”, conta à NiT. Ao lado do local onde treinava, havia treinos de boxe, aos quais ficava a assistir sempre que chegava mais cedo. Depois deixou a ginástica e fez boxe durante cinco anos, entre 2010 e 2015.

Os pais sentiam que estavam sempre a trabalhar, sem conseguir passar tempo com os filhos, o que os levou até Portugal. Inicialmente, a ideia era mudarem-se para os Estados Unidos da América, mas uma viagem até Lisboa conquistou os pais da jovem empresária. Por isso, em 2015, em apenas quatro meses venderam tudo o que tinham em França e mudaram-se para Portugal.

Quando decidiu que queria ter o seu negócio, Andréa fez tudo o que foi preciso para alcançar o seu sonho, inclusive trabalhar durante as férias. Deu treinos de personal training e também esteve na área da restauração, como empregada de mesa e barman. “Quando os meus amigos iam de férias, eu ficava a trabalhar. E aqui estão os frutos: a felicidade”, diz à NiT.

Andréa a dar um treino.

O que distingue o estúdio e a abertura em tempos de pandemia

O dinheiro que juntou serviu também para tirar uma formação em eletroestimulação, um tipo de treino que conheceu por causa de um primo que trabalhava com este método em França.

“Ele trabalha com a EMS há cerca de cinco anos e disse-me que o mercado desta área lá estava a crescer imenso. Fiz a licenciatura de PT há dois anos e a ideia era abrir um ginásio, mas o meu primo desafiou-me a abrir um estúdio de eletroestimulação em Portugal.”

Juntos, Andréa e Lorenzo Mechin acreditaram que podiam ajudar muitas pessoas a atingir os seus objetivos em 25 minutos de treino com eles. “O Lorenzo trabalhou em centros de eletroestimulação durante cinco anos, em França, e de facto, conquistou-me quando experimentei.”

“Antes ia quase todos os dias ao ginásio, treinava uma a uma hora e meia, e comecei a sentir-me desmotivada. Com estes treinos de 25 minutos que equivalem a quatro horas, tudo mudou. É um treino em que se está sempre a cumprir o trabalho muscular. Quatro segundos de contração, quatro segundos de descanso”, explica Andréa.

Com a ajuda dos pais de ambos, que consideram os seus “melhores amigos da vida real”, desenvolveram o conceito. “Devemos-lhes tudo. Sem eles não seríamos capazes de iniciar este projeto.”

A manager do estúdio de Campo de Ourique confessa que a ideia sempre foi abrir em setembro, mas nunca pensou que fosse durante uma pandemia global.

A eletroestimulação conquistou-a.

“Estivemos ainda dois ou três meses a pensar se íamos abrir. Mas decidimos arriscar. Como trabalhamos só com três máquinas e com uma pessoa de cada vez, não há aquela sensação de entrar num ginásio com 50 pessoas a treinar ao mesmo tempo”, aponta como vantagem.

O número 97A da Rua Tomás da Anunciação, onde está instalado o estúdio, tem 140 metros quadrados divididos em três andares, e está a funcionar desde 14 de setembro. Quando entra encontra a zona da receção, que também tem uma zona de co-working para trabalhar, beber um café ou apenas conversar.

“Depois, desce-se umas escadas e encontra-se uma sala de treino com três máquinas. Desce-se novamente e está a sala de bem-estar, com duche, provadores e cacifos. Também fornecemos gel de banho, toalhas de banho e toalhas de training”, diz à NiT.

Como funciona o Body Fit

Segundo Andréa Cabeças, quem vai pela primeira vez ao estúdio tem uma conversa para se perceber os seus objetivos, seja perder peso ou tonificar. “Cada pessoa é diferente e, como trabalhamos com intensidades, busca-se a intensidade perfeita”, explica. Logo nesse dia, há uma sessão experimental, que pode ser com a roupa normal do dia a dia.

Caso se queira inscrever, é-lhe dado um fato de licra para eletroestimulação, que deve ser usado em todas as sessões. “Mas tem de se tirar tudo: soutien, cuecas, boxers no caso dos homens, meias. É como se veio ao mundo, como se costuma dizer. A ideia é vestir mesmo só o fato, pois quanto menos camadas de roupa, mais vamos conseguir trabalhar os músculos e as fibras.”

De acordo com Andréa, este tipo de treino permite trabalhar oito zonas musculares simultaneamente. Os músculos são controlados por impulsos elétricos do cérebro que causam contração e, portanto, movimento.

O espaço tem 140 metros quadrados.

“A maior vantagem é que, em vez de se perder uma hora de treino a trabalhar só uma ou duas zonas num treino clássico, a eletroestimulação permite intensificar glúteos e pernas e, ao mesmo, toda a parte de cima — e em menos tempo.”

A jovem diz ainda que o Body Fit também marca pela diferença pelos equipamentos usados (tecnologia alemã Miha Bodytec, número um na fabricação de dispositivos de treino EMS) e pelos cuidados anti Covid-19. É que o estúdio dispõe de uma cabine de ozono. “Como trabalhamos com coletes, colocamo-los aqui e conseguimos desinfetá-los e queimar bactérias. Estes equipamentos garantem eliminar o vírus da Covid-19 em 99,8 por cento.”

A inscrição no Body Fit custa 50€ e inclui o fato em licra (que fica para o cliente), um cartão de memória que vai guardar todas as intensidades do treino e, ainda, a primeira avaliação corporal.

Quanto às mensalidades, quanto mais longo for o contrato, mais baixo é o preço. Na fidelização de três meses, o valor é de 130€ por mês (quatro sessões no total); se ficar seis meses são 110€, enquanto o contrato de nove meses fica a 100€ e o de um ano por 89€ mensais.

Como o estúdio quer ajudar os clientes em todas as frentes, também dispõe dos serviços de variação corporal (para saber a massa gorda, muscular, óssea e o volume hídrico) e a variação nutricional (um plano alimentar com menus para 15 dias), pelo valor de 40€.

Andréa nunca imaginava que aos 21 anos estaria em Lisboa e muito menos a comandar um estúdio de eletroestimulação, mas tem noção de que trabalhou muito para isso — e que nem a pandemia de Covid-19 a vai parar. “Já penso em abrir mais estúdios em Lisboa e, depois, passar para o Porto, onde mora a minha avó paterna.”

No último andar é a zona de balneários e relaxamento.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Tomás da Anunciação, n.º 97A
    1350-169 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta-feira das : 09:00
  • às: 19:00
  • Sábado das: 09:00
  • às: 13:00
  • Fecha ao domingo
PREÇO
A partir de 89€ por mês

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