Ginásios e outdoor

Depois do Evereste, Maria vai subir a segunda montanha mais alta do mundo

Foi a primeira mulher portuguesa a escalar o Everest, com 8.849 metros de altura. Tudo por uma causa solidária.
Parte dia 16 de junho.

Em maio de 2013, Maria da Conceição tornou-se a primeira mulher portuguesa a subir ao Monte Evereste. Situada entre o Nepal e a China, é considerada a maior montanha do mundo, com 8.849 metros de altura, quase 10 quilómetros em direção às nuvens. Fê-lo, na altura, para angariar dinheiro para a sua fundação e chamar a atenção para uma causa que defende desde 2005: atenuar a situação de pobreza que existe no Bangladesh.

Foi “a coisa mais difícil” que fez em termos físicos, mas a causa solidária deu-lhe força para continuar. “Desistir significa que o futuro daquelas 600 crianças seria vazio e enfrentam uma vida de pobreza, fome, medo, doença, odiadas pela própria raça”, disse em entrevista ao “Público”, pouco depois da aventura.

Agora, mais de 10 anos desde a expedição, a portuguesa radicada nos Emirados Árabes Unidos, que tem dez recordes registados no Guinness World Record, prepara-se para uma nova aventura solidária. Maria Conceição vai tentar escalar o pico K2, no Paquistão, a segunda montanha maior do mundo, com 8611 metros. O objetivo? Angariar fundos para um lar de idosos em Torres Vedras.

A previsão é arrancar para a expedição de dois meses no próximo domingo, 16 de junho. “É extremamente difícil sem estar lesionada, mas estou preparada o mais bem possível. Tenho treinado bastante e feito muita fisioterapia”, confessou a portuguesa, de 46 anos, à Agência Lusa, citada pelo “Público”.

Além de alcançar o topo do K2, uma das montanhas mais difíceis e arriscadas do mundo, Maria tem como objetivo escalar o Broadk Peak, com 8047 quilómetros de altura, situado a caminho do K2.

Maria da Conceição.

Nascida em Angola, cresceu em Vila Franca de Xira, onde viveu até 2003, ano em que se mudou para o Dubai para ser assistente de bordo. A filantropa tem trabalhado para a educação e emancipação de crianças carentes desde 2005, através da Fundação Maria Cristina. Além do apoio aos mais novos, através da construção de escola primária, secundária e faculdade, tem vindo a conseguir introduzir com sucesso a gestão de resíduos, construção de estradas, abastecimento de água potável e saúde para os bairros de lata de Daca.

Maria organizou e liderou várias iniciativas de angariação de fundos ao longo dos anos para os seus projetos humanitários e, até hoje, os seus esforços ajudaram centenas de famílias carentes. Ao mesmo tempo, bateu vários recordes mundiais enquanto completou numerosas maratonas, ultramaratonas e triatlos. Alcançou o Polo Norte em 2011 e chegou ao Polo Sul em 2018, um feito inédito na altura para uma mulher portuguesa. 

Ao longo dos últimos anos, tem realizado várias palestras e sessões de motivação, com o mesmo objetivo de sempre: angariar donativos para as suas ações filantrópicas. Já há algum tempo que andava a planear a subida ao K2, mas uma lesão no joelho, uma pandemia pelo meio e os sintomas da menopausa adiaram os planos.

Para apoiar a nova expedição, a portuguesa lançou um apelo à doação de fundos para o Lar Nossa Senhora da Luz, na freguesia de A dos Cunhados, no município de Torres Vedras, onde a mãe residiu durante 17 anos.

“A minha mãe teve uma vida muito difícil, por isso sinto-me aliviada por ela ter passado os últimos anos da sua vida a ser cuidada. Sempre que a visitei, ela parecia estar em casa, tão feliz quanto possível”, explicou. 

Está ainda disponível uma campanha de âmbito internacional, onde pretende vender 8.611 livros sobre as suas atividades — um por cada metro de altura do K2. A iniciativa foi a solução encontrada para contornar as restrições dos Emirados Árabes Unidos a donativos de origem estrangeira a organização não lucrativas.

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