Ginásios e outdoor

Descobri a razão por trás do meu ódio de estimação à corrida. A ciência explica tudo

Uma repórter da NiT foi fazer um teste genético que avalia a aptidão desportiva e conta-lhe tudo o que descobriu.

Durante anos fui jogadora de basquetebol e, nessa altura, apesar de não adorar correr, fazia-o sem problemas — mas com pouca vontade. Com o passar dos anos percebi que a corrida não era mesmo para mim. Por mais que tentasse acompanhar os meus amigos fanáticos da modalidade (toda a gente tem pelo menos um, certo?), raramente conseguia fazer mais de um quilómetro. Só em absoluto esforço e para não dar parte de fraca, claro. Sempre culpei a rinite alérgica pela minha falta de resistência, mas, afinal, esta desagradável condição pode não ser a única culpada. Parece haver uma justificação científica. Afinal, tenho sempre mais qualquer coisa para agradecer aos meus pais.

Descobri um novo motivo de gratidão no teste genético MyFitnessGenes (custa 300€, mas não, não foram eles que pagaram). Os entendidos dizem que avalia 82 variantes genéticas de 70 genes para me ajudar a perceber qual o meu verdadeiro potencial relativamente a determinadas atividades físicas. Como voltei ao ginásio recentemente, achei que valia a pena fazê-lo para saber em que tipo de treino deveria apostar.

O exame demora menos de três minutos a fazer. Lembram-se daqueles testes rápidos à Covid-19 que nos atormentaram a vida nos últimos anos? É praticamente igual. Mas em vez de colocarmos a cotonete no nariz, fazemos um esfregaço na boca. Simples e rápido.

Cerca de duas semanas depois recebi os resultados na caixa de e-mail. Abri e deparei-me com aquilo que poderia ser uma dissertação de doutoramento sobre o meu genoma: 49 páginas com a informação mais detalhada que alguma vez já li sobre mim.

Os resultados

Passado o choque inicial, dediquei-me à leitura e percebi que, afinal, tinha vários gráficos e barras ilustrativas, que tornavam a minha tarefa de compreensão muito mais fácil. Fui fazendo scroll e avancei para a parte explicativa do teste e lá cheguei à zona que me interessava.

Segundo a análise, parece que o meu perfil genético dá-me uma maior capacidade de resposta a treinos explosivos, como os HIIT e os de força. Já o campo da resistência apresenta uma barra pouco preenchida, o que significa que tenho de me esforçar muito mais caso queira correr uma maratona — algo que nunca irá acontecer, mas agora tenho argumentos científicos que justificam a minha decisão (ou preguiça, vá).

No campo das lesões, posso deixar os meus pais um pouco mais descansados, porque a avaliação indica que tenho pouca propensão para me magoar durante um treino.

O relatório fornece ainda alguma informação nutricional. No meu caso, percebi que tenho de apostar em alimentos ricos em cálcio e que, afinal, basta um café por dia  para me manter com energia.

Uns scrolls mais abaixo encontrei alguns conselhos deixados pelos especialistas, que resumidos num tweet seria: toca a treinar com mais intensidade, porque o organismo está preparado para tal.

Afinal, como é que isto funciona?

A nossa sequência genética influencia tudo o que somos, assim como as habilidades e fragilidades nas diferentes práticas desportivas. “O desempenho físico pode ser influenciado pelo perfil genético, sabendo-se que este predispõe a uma melhor resposta em certos tipos de exercício”, segundo me explicaram. Isto pode justificar também porque é que às vezes não conseguimos chegar aos resultados pretendidos — o treino pode não ser o mais adequado.

Os resultados do teste surgem de uma combinação dos dados obtidos a partir do genoma da pessoa testada graças um modelo computacional — uma espécie de algoritmo — que considera todas as contribuições individuais de cada variante genética.

Os dados recolhidos permitem, quando analisados em conjunto com a restante informação obtida, intervir a diferentes níveis, entre os quais delinear uma estratégia de treino ou de uma modalidade para maximizar o desempenho desportivo.

Agora vamos ao que interessa: vale mesmo a pena?

Depende. Como atualmente não passo de uma atleta amadora, não considero que este exame que vá mudar a minha vida — e tendo em conta o preço, dificilmente o faria por iniciativa própria. No entanto, acredito seja uma mais-valia para desportistas ou para quem pratica exercício físico para obter resultados muito específicos.

Agora sei um pouco mais sobre mim e descobri em que treinos devo apostar. A melhor parte? Só é necessário fazer o teste uma vez na vida porque a genética não se altera (obrigada mãe, obrigada pai).

O teste genético MyFitnessGenes foi realizado a convite da Valverde Clinic.

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