Ginásios e outdoor

Esta russa apaixonada por Portugal abriu um estúdio de ballet para famílias

O Plié fica em Lisboa, com aulas para bebés, crianças e adultos. Pelo meio realiza e workshops e festas de aniversário.

Há coisas que ficam connosco durante anos sem percebermos bem o motivo. Para Sabina Erezhepova, a imagem das bailarinas do ballet russo — a disciplina, a delicadeza, os tutus, os movimentos quase perfeitos — era uma delas. Cresceu na Rússia, onde este estilo de dança faz parte da cultura popular, mas nunca chegou a praticá-lo quando era criança. Essa rotina só começou muito mais tarde, depois de ser mãe.

Agora, aos 26 anos, abriu em Lisboa um estúdio pensado precisamente para aproximar mães e filhos através da dança. Chama-se Plié, foi inaugurado a 14 de abril na zona de Picoas, em Lisboa, e quer ser mais do que uma escola de ballet. A ideia é funcionar como um espaço de comunidade para famílias, sobretudo estrangeiras, onde há aulas para bebés, crianças e adultos, workshops, festas de aniversário e até uma sala onde os pais podem deixar os filhos enquanto treinam. 

Sabina saiu da Rússia quando a guerra na Ucrânia começou, em 2021. Nos anos seguintes, passou por vários países com o marido: viveu na Lituânia, nos Emirados Árabes Unidos e na Argentina, onde nasceu a filha, Kira, hoje com três anos. Mas Portugal já lhe estava na cabeça há muito mais tempo.

“Em 2019, fiz uma viagem de carro de Faro até ao Porto e apaixonei-me completamente pelo País. Pelas paisagens, pelas praias, pela forma como tudo muda de região para região”, conta à NiT. Houve outro detalhe que a marcou especialmente. “As pessoas em Portugal são muito carinhosas com as crianças. Mesmo desconhecidos sorriem, falam com elas, interagem. Percebi logo que era um sítio muito bom para criar filhos.”

Há cerca de dois anos, mudou-se definitivamente para Lisboa. Na altura, trabalhava na área de IT, a testar aplicações e software. Mas a maternidade mudou as suas prioridades de vida.

“Quando a minha filha nasceu percebi que já não queria voltar à vida de escritório. Queria passar o máximo de tempo possível com ela”, explica.

Como acontece com muitos emigrantes, Sabina sentia também a falta de uma rede de apoio familiar. “Quando estamos longe do nosso país é muito mais difícil. Não temos avós, tias ou família por perto. Ou pagamos alguém para ajudar ou fazemos tudo sozinhos.”

Foi nessa altura que começou a aproximar-se do ballet. Curiosamente, não por ambição artística, mas como forma de ligação com a filha. “Na Rússia, o ballet é uma coisa enorme. Crescemos rodeados dessa cultura e eu sempre fiquei fascinada com ela. Mas nunca pratiquei. Só comecei depois de ser mãe”, conta. “Era quase uma desculpa para fazermos algo juntas. Um momento nosso.”

No início, faziam pequenos exercícios e brincadeiras em parques e espaços ao ar livre. Aos poucos, os amigos começaram a pedir para participar também. “Percebemos que não existia nada muito parecido em Lisboa, sobretudo para a comunidade expat. Não queríamos criar apenas aulas de ballet. Queríamos criar uma comunidade.”

Kira e Sabina a dançarem ballet.

Foi assim que nasceu o Plié, instalado numa cave da Avenida Fontes Pereira de Melo transformada num espaço luminoso em tons de rosa suave, com sala de dança, zona de brincadeiras, área de café e pequenos detalhes pensados para famílias com crianças. “Queríamos que parecesse uma espécie de segunda casa”, explica. “Construímos uma pequena music box. Não é só uma sala de dança.”

O projeto divide-se entre aulas para miúdos e adultos. No caso dos mais pequenos, há sessões para bebés e mães, a partir dos seis meses, focadas sobretudo no contacto, movimento e interação. Depois surgem as aulas Pre-Ballet, até aos três anos, onde pais e filhos participam juntos, e as Sparkles, para crianças dos três aos cinco anos, que começam a introduzir as bases da modalidade através de jogos e música. Todas as professoras são mulheres e sabem falar português. 

As aulas mais avançadas destinam-se a crianças entre os seis e os dez anos, com maior foco em técnica, equilíbrio, coordenação e postura. Já os adultos podem escolher entre aulas de Ballet Foundation — pensadas até para quem nunca dançou —, grupos avançados, sessões de alongamentos e Barre Flow, um treino inspirado no ballet mais virado para tonificação, postura e mobilidade.

Um dos detalhes mais importantes do conceito é a flexibilidade para os pais. “No pós-parto, por exemplo, os bebés podem estar na sala com as mães. Se for preciso parar para amamentar, mudar uma fralda ou simplesmente abraçá-los, isso é completamente normal”, explica. Há ainda uma sala supervisionada onde as crianças podem ficar enquanto os pais treinam.

Ao fim de semana, o estúdio organiza workshops temáticos, trocas de livros e brinquedos, oficinas criativas e festas de aniversário com dança, teatro, catering e decoração incluída. “Queremos que as pessoas venham não só pelas aulas, mas porque se sentem bem aqui”.

As aulas avulso para crianças custam 18€, enquanto os packs mensais começam nos 70€, para uma aula por semana. No caso dos adultos, os preços variam entre os 80€ e os 180€, dependendo da frequência e acesso às atividades. As festas de aniversário têm um valor base de 250€ para três horas e para grupos com dez crianças no máximo.

Apesar de o estúdio ter aberto há apenas algumas semanas, Sabina admite que este era um sonho antigo — e um projeto mais pessoal do que profissional.

“Sou muito perfeccionista, por isso sinto sempre que há coisas para melhorar. Mas acho que criámos um espaço muito especial”. E conclui: “No fundo, queria construir um lugar onde mães, pais e filhos se sentissem acompanhados. Sobretudo longe de casa.”

Carregue na galeria para conhecer melhor o novo Plié. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Fontes Pereira de Melo 29 c/esq
    1050-010  Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda-feira a Domingo das 9 às 21h
PREÇO
desde 18€ até 180€
TIPO
Workshop

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