Ginásios e outdoor

Este homem vai correr os 738 quilómetros da Estrada Nacional 2 — e em apenas 9 dias

Miguel Lopes faz-se à estrada a 5 de junho e vamos poder acompanhar o percurso à distância.
Fotografia de Susana Luzir.

É a mais extensa e uma das mais icónicas estradas portuguesas. De Chaves até Faro, a Estrada Nacional 2 — já conhecida como a Route 66 portuguesa — atravessa 11 distritos, serras, vales e rios, ligando o norte ao sul do País. É um percurso singular que a NiT destacou recentemente, quando esta via celebrou os seus 76 anos de existência. 

Este percurso era já um desafio interessante para se fazer de carro, aproveitando a paisagem. O escritor Afonso Reis Cabral já a fez a pé em 24 dias e contou tudo em livro. Mas imagine tentar fazer isto a correr, no espaço de nove dias. No máximo. É mesmo isto que Miguel Lopes, de 40 anos, vai fazer em breve. Se o conseguir, poderá mesmo entrar para o livro dos recordes do Guinness. Pelo meio, conta angariar dinheiro para ajudar uma instituição.

A partida está anunciada para a meia-noite do próximo dia 5 de junho, no quilómetro zero, em Chaves. O recorde a bater serão os 14 dias feitos por um atleta em etapas. O plano de Miguel Lopes, atleta amador e soldador de profissão, é fazer tudo seguido, num máximo de nove dias. “O que está previsto é fazer uma paragem para dormir, a cada 48 horas”, conta à NiT.

Miguel Lopes explica que esta ligação ao desporto já tem uma década e começou da mesma forma que começou para muita gente: “estava um pouco gordinho”. Chegara a altura de fazer algumas mudanças na sua vida.

Começou primeiro sobre duas rodas, em provas de BTT, mas passou depois para a corrida, onde se tem dedicado a ultra maratonas e trails, muitas vezes em locais impressionantes, como nos Pirinéus. No ano passado, tinha já feito algo especial, ao partir de Póvoa da Varzim, com destino a Lisboa.

A ideia original era fazer os cerca de 360 quilómetros, angariando um euro por quilómetro. Acabou por fazer pouco mais de 400 quilómetros e angariou mais de 1.400€, destinados à Associação Salvador, que se dedica a apoiar pessoas com deficiência motora. Agora quer juntar mais 300 quilómetros ao percurso total. “É só mais um bocadinho”, diz bem-disposto à NiT sobre uma ideia que já andava a maturar há uns poucos anos.

Fotografia de Susana Luzir.

Para Miguel Lopes, a solidariedade e a corrida são dois mundos que se tocam na sua vida há já algum tempo. Natural de Tougues, em Vila do Conde, mas a viver há já vários anos em Laúndos, na Póvoa da Varzim, é o organizador do Free Trail Solidário de Laúndos há 7 anos, prova que todos os anos ajuda famílias carenciadas na freguesia, a Casa do Regaço, que acolhe crianças, e os sem-abrigo no Porto. Este ano, o plano passa por ajudar o IPO, em particular a parte de pediatria.

Sobre os desafios que aí vêm, Miguel Lopes explica à NiT que o maior desafio não é propriamente pelas pernas. “É a privação do sono”. Para tal, há um mantra que leva sempre consigo para cada longa corrida: “o corpo alcança o que a mente acredita”. “O corpo até pode estar a 50 por cento”. Mas se a mente estiver a 100 por cento, é meio caminho andado para cumprir o objetivo.

Dia 5 de junho será hora de voltar a testar o lema para correr mais de 700 quilómetros em pouco mais de uma semana. Entre as diferentes marcas que o apoiam está a Evadict, especializada em sapatilhas de trail, e a Decathlon, que o irá acompanhar numa auto-caravana (que será o local para as tais sestas reparadoras).

Vale a pena estar atento ao Facebook de Miguel Lopes para ir acompanhando o que aí vem e saber depois como vai ser possível participar, ajudando a juntar dinheiro por uma boa causa. E a dar uma dimensão ainda maior ao feito que Miguel Lopes quer cumprir.

Fotografia de Susana Luzir.

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