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Ex-designer da Nike criou umas Jordan para quem sofre de pé diabético

Cerca de 25% dos portugueses com diabetes sofrem desta complicação que pode levar a amputação. A marca envia para Portugal.

As amputações de pés são um problema muito grave nos Estados Unidos da América. O próprio governo considera que existe uma “epidemia de amputações” no país, consequência de complicações relacionadas com a diabetes. A doença dá origem a úlceras que se ocorrem habitualmente na zona dos calcanhares. Devido ao peso do corpo muitas destas feridas nunca chegam a sarar, dando origem a uma condição chamada pé diabético. 

Portugal é o segundo país da União Europeia com maior prevalência de diabetes. Cerca de 2,7 milhões de portugueses, ou seja, 13,6 por cento da população, sofre com esta doença crónica, que pode ter complicações graves, sendo a mais comum esta condição que afeta os pés. Isto leva muitas vezes a que os médicos tenham de tomar medidas mais drásticas.

Segundo a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal,“25 por cento dos pacientes têm condições que aumentam o risco de pé diabético. Esta complicação é responsável pela maioria das amputações destes membros em Portugal”, pode ler-se no site. Os problemas nos pés são consequência dos efeitos de dois fatores: a aterosclerose (acumulação de placas de gordura e outras substâncias nas artérias) e a neuropatia (degeneração dos nervos).

Esta condição, como referimos, é ainda mais frequente nos Estados Unidos. Cansado de sentir que não conseguia ajudar os seus pacientes diabéticos, o médico podologista Jason Hanft juntou-se ao antigo designer da Nike Michael DiTullo para tentarem mudar isso.

Juntos desenvolveram durante quatro anos uma bota ortopédica que visualmente se assemelha muito às conhecidas sapatilhas da linha das Air Jordan da Nike. As “Foot Defender” custam cerca de 250 dólares (232,70€) e em vez de atacadores, têm velcros para facilitar o calçar.

Este modelo ajuda a redistribuir o peso do corpo ao longo do pé o que diminui o tempo de cicatrização das lesões causadas pela diabetes. Com esta bota, as feridas de 80 por cento  pacientes, em média, em cinco semanas e meia em vez das habituais 12 semanas. A utilização da Foot Defender permite evitar, em média, até 80 mil amputações de pés por ano só nos Estados Unidos.

“Sabíamos o que precisávamos de fazer”, conta Hanft. “Criar um dispositivo que fosse fácil de calçar e que os pacientes quisessem usar nas suas atividades diárias, ou seja, o que sentimos que tem faltado no contexto do tratamento destas feridas.”

O podologista entrevistou cerca de cinco mil pacientes e desenvolveu estudos clínicos durante a pesquisa que fez para desenvolver a modelo. A maioria dos doentes revelou que as botas ortopédicas que lhes foram dadas eram difíceis de calçar e pareciam-se muito com dispositivos médicos — dois fatores que comprometiam um rápida cicatrização das feridas nos pés.

“Esse foi o meu momento-lâmpada. Estamos a pedir às pessoas obesas que cheguem até aos pés para calçarem algo difícil”, diz Hanft. “E não conseguem”. Depois percebeu que uma bota mais bonita e mais fácil de abrir resolveria muitos desses problemas. O médico sabia que se conseguisse construir uma bota que, simultaneamente, ajudasse a aliviar a pressão do pé seria um produto revolucionário.

Enviam para Portugal.

Para tratar da estética da bota surgiu DiTullo, um antigo designer da Nike, que ajudou a concretizar a visão do podologista. A primeira preocupação foi resolver a função da própria bota para aliviar a pressão no pé. O criativo desenhou um modelo que se ajusta ao calcanhar de forma a que o peso não fique todo sobre o mesmo. Inspirou-se nas botas de esqui para conseguir criar um suporte que permitisse um maior conforto e segurança da perna. 

A frente da bota foi desenvolvida em fibra de carbono moldada e na entressola utilizou a espuma típica das sapatilhas de running, mas adicionou uma camada de material gelatinoso que é mais resiliente.

De acordo com a própria investigação da empresa, estes componentes fazem com que este sapato reduza a força no fundo do pé até 80 por cento mais do que outros produtos no mercado. Além disso, esteticamente é muito mais estiloso que uma simples bota ortopédica.

As botas podem ser compradas no site da marca e enviam para Portugal. Não são propriamente baratas, uma vez que, como já referimos, custam 232,70€ — mas tendo em conta que podem evitar medidas mais drásticas, como a amputação de um pé, são um investimento a considerar para quem sofre de diabetes.

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