Ginásios e outdoor

FitBeauty: a marca de cosméticos criada a pensar nas necessidades dos atletas

A fundadora já fez vários triatlos IRONMAN e desenvolveu os produtos com base na própria experiência.
Foi fundada em abril.

Aos 41 anos, Carolina Pecegueiro já completou seis triatlos IRONMAN, os últimos três no ano passado. Além destes, participou em várias outras provas de longa e curta distância, como natação em águas abertas, corrida e ciclismo. No dia 5 de abril, alcançou mais um grande objetivo: lançou a FitBeauty, uma marca especializada em dermocosméticos para atletas e praticantes de desporto.

Apesar de ter sido concebida há cerca de três anos, só agora chegou ao mercado. Carolina Pecegueiro é professora de direito penal, uma área distante do empreendedorismo, e tinha medo de arriscar. Um dia, após completar um dos seus muitos desafios, considerou que a ideia tinha mesmo de sair do papel e começou a desenhar toda a estratégia de branding.

Carolina idealizou o projeto a partir da sua própria experiência e da relação que estabeleceu com a atividade física. “Movermo-nos faz bem ao corpo e à mente, mas não podemos dizer o mesmo em relação à pele. No triatlo, por exemplo, estamos sujeitos a muito sol, sujidade, cloro, sal e à fricção com a roupa de borracha. Tudo isto faz com que fiquemos com os tecidos muito ressequidos.”

Depois das provas, a sua pele ficava muito sensível e, apesar de comprar produtos caros, não conseguia resolver o problema. Sempre que ia ao dermatologista, o médico dizia-lhe para ter mais cuidados, mas ela já os tinha e não surtiam efeito. Apercebeu-se que não era a única com este problema, era algo comum a muitas pessoas. Por isso, decidiu tomar medidas para colmatar a lacuna que detetou no mercado.

“A escolha do nome, FitBeauty, tem um grande significado por trás. Não quero falar só de uma beleza física, é uma coisa mais integrada, que é também emocional e comportamental, somos uma insígnia de valores. O fit tem a ver com o fitness, obviamente, mas está também relacionado com a questão do encaixe. Os nossos produtos encaixam-se em qualquer pessoa que tenha bons hábitos e que cuide de si.”

A primeira linha demorou cerca de um ano a ser desenvolvida — e conta com cinco propostas: a espuma de limpeza (17,50€), um hidratante pós-treino (22,50€), o hidratante power (12,60€), ou ultra protetor solar FPS 50+ (23,50€) e o full recovery (19,50€).

Este último produto foi o que motivou a criação da marca. “Foi a primeira ideia que tive, focada na recuperação muscular, que por vezes é muito exigente, mas tem outras funcionalidades. Todas as nossas propostas são versáteis, as pessoas não as usam apenas para uma finalidade. Além disso, são completamente naturais, vegan e o mais saudáveis possível. Não quis usar qualquer componente artificial.”

Os próximos lançamentos irão ocorrer já em julho e visam completar a gama inicial e inaugurar a linha de produtos para cabelo. O objetivo é abranger todas as necessidades que identificamos como sendo afetadas pela prática desportiva.

Carolina no campeonato mundial do Ironman em Kona, Hawaii

Apesar de a fundadora ser brasileira, decidiu criar a marca em Portugal, onde reside atualmente reside. A produção é “100 por cento nacional”, feita numa fábrica em Setúbal. Até ao momento, os produtos apenas estão disponíveis para venda no nosso País, mas dentro de oito meses, Carolina espera começar a exportar para toda a Europa.

O certo é que quem lê a sua história fica com a perceção de que sempre foi uma grande atleta, mas a realidade está bem distante disso. Até aos 16 anos fez natação na sua cidade natal no Brasil, em São Luís do Maranhão, mas deixou a modalidade para se dedicar a 100 por cento aos estudos, uma vez que queria entrar na faculdade e estudar direito. Foi nesta altura que se tornou completamente sedentária.

“Passado algum tempo comecei a fazer ginásio, mas não era nada de especial. Praticamente uma década depois, estava numa aula e vi pessoas a treinar para um triatlo indoor. Aquilo fascinou-me, quis participar e a partir daí nunca mais parei”, conta à NiT.

Neta de avós portugueses, em 2017, veio morar para Portugal para fazer o seu doutoramento na faculdade de direito de Lisboa. No final foi convidada para fazer parte de uma equipa de investigação no Brasil e acabou por regressar.

Ainda assim, o nosso País acabou por acolhê-la novamente desde a altura em que se divorciou do ex-marido e decidiu mudar de vida. Veio com o filho e, atualmente, divide o seu tempo entre os dois lados do oceano.

“Quando cheguei a Portugal pela segunda vez estava num período muito complicado na minha vida, mas fui bem acolhida por toda a gente. Tem sido ótimo estar aqui. Quis criar a minha marca cá porque me sinto na obrigação de devolver tudo o que já me deram e proporcionaram. Decidi gerar emprego cá, pagar impostos cá, e começar tudo por aqui. Foi também no desporto português que encontrei uma segunda família e já não me imagino a fazer qualquer atividade que não possa ser conciliada com a atividade física. É através dela que consigo ser quem eu quero”, conclui a triatleta. 

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