Ginásios e outdoor

Fizemos as melhores pistas de ski do mundo sem sair de Lisboa — e só queremos repetir

Uma repórter da NiT esteve na Ski Academy a experimentar o primeiro e único simulador de ski e snowboard em Portugal.
Foi uma experiência incrível.

Um banco de teleférico, dezenas de skis e mapas com pistas de todo o mundo. Tudo isto acompanhado de uma daquelas maravilhosas — e relaxantes — músicas ambiente. Podia estar numa estância de ski mas, na verdade, aterrei em Lisboa, mais especificamente na Ski Academy.

Não havia neve, é um facto. Mas não era preciso. Parecia sentir toda a atmosfera que existe num desses sítios. Era impossível ficar indiferente a todos os equipamentos que costuma haver nas pistas, desde as botas aos batons.

Quem me ouve falar até pensa que sou uma especialista e pratico ski todos os anos, mas não se deixe enganar. Em 2011, vi e toquei em neve pela primeira vez. Foi em Andorra que dei os primeiros passos nesta modalidade — sim, passos, literalmente. Seguiram-se as quedas (muitas quedas) mas, repentinamente, conseguia ficar de pé e até tinha jeito. Nove anos depois, o desafio repetia-se, desta vez em realidade virtual.

A Ski Academy Lisboa, que abriu a 1 de outubro, tem o primeiro e único simulador de ski e snowboard de Portugal e Espanha. A ideia é que os fãs destas modalidades possam regressar às pistas em qualquer altura do ano, independentemente de estar frio ou calor.

A ideia partiu de Carlos Fortunato, um engenheiro civil de 58 anos que tem no ski a sua grande paixão. “Vi este simulador na Internet e resolvi experimentá-lo no ano passado em Munique, na Alemanha, num showroom, e vim de lá encantado com ele. Achei que tinha de o trazer para Lisboa”, disse-me.

A entrada do ginásio.

Garantiu-me que é um simulador preparado para toda a gente, desde aqueles que nunca experimentaram desportos de neve àqueles que o fazem desde os oito anos, como é o caso de Carlos. 

“Treinamos aqui todos os músculos que treinamos ao fazer ski. Pernas, glúteos, coxas, trabalhamos tudo. Quem faz o treino tira muito gozo”, continuou. Ok, estava a começar a ficar motivada. E ligeiramente assustada, vá.

É que antes de eu subir para o simulador, houve uma demonstração feita pela instrutora Teresa. À sua frente estava, num ecrã gigante, a pista dos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia. Começou a movimentar-se lentamente, até que atingiu velocidades e ângulos que têm tanto de rápidos como de inacreditáveis. Ia ser difícil superar aquilo, mas já me contentava em não cair.

O momento da verdade

Não fui logo para o simulador. A Ski Academy também dispõe de máquinas de cardio, como passadeiras, e de uma zona de pesos e outros acessórios para a musculação. “Somos um ginásio que está equipado para o trabalho de reforço muscular e preparação física. Fazemos treinos personalizados e só funcionamos por marcação”, explicou Carlos.

De seguida, aconselhou-me a ir para uma das máquinas para fazer uma espécie de aquecimento. E lá fui eu para a Skierg, onde repliquei o movimento de ski de fundo — realizava um agachamento e puxava uns cabos. Fiquei ali cerca de dois minutos e meio. E adivinhem: já estava a transpirar. “Avizinham-se tempos complicados”, pensei eu. Não queria fazer má figura, mas tinha perfeita noção de que aquilo que vos ia contar agora podia passar apenas por um: “Olá. Não consegui sair do mesmo sítio. Adeus.”

O aquecimento.

Feito o aquecimento, calcei umas meias e umas botas, de seguiu-se uma breve explicação. Andei durante alguns segundos para me ambientar ao calçado e lá subi para o simulador, que tem uma extensão de quase seis metros.

“Primeiro um pé no meio dos skis e o outro de lado. Agarrar na barra da frente para ajudar”, ouvi. Repliquei tudo e perguntei se havia perigo de cair. “Existe essa sensação, mas é quase impossível com o simulador ligado”, continuou. Não se esqueçam do “quase” — há sempre espaço para exceções.

O simulador dispõe de dez pistas diferentes e eu comecei com uma simples. Primeiro, fiz uns agachamentos no centro do simulador, depois movi-me alguns centímetros — poucos — para as laterais e, eventualmente, lá inclinei os pés e os joelhos de forma a criar um ângulo.

Não quero parecer convencida, até porque nos 30 minutos de treinos muitos “céus” saíram da minha boca, mas comecei a ganhar confiança. “Estás muita bem”, “uau” ou “parabéns” foram algumas das palavras que fui ouvindo à minha volta.

De repente, já atingia velocidades maiores, agachava o corpo e sentia-me mesmo naquelas pistas de Andorra onde tinha estado há nove anos. Foi impressionante a forma como me abstraí do que me rodeava e só via o branco da neve disperso pelo ecrã. Estava a ser tão divertido que não queria que acabasse, mas lá fiz uma pausa porque as minhas coxas e glúteos já gritavam por misericórdia. 

Comecei a deslizar.

Voltei e continuei a somar pontos. A dada altura até me colocaram obstáculos para contornar na pista. O nível de dificuldade aumentou, mas já dava por mim a colocar os joelhos de uma determinada forma e a deslizar como se fizesse aquilo há anos. O prazer de fazer a modalidade numa realidade virtual era tanto ou maior do que aquele que senti quando estive na neve pela primeira vez.

Mas, esperem, lembram-se do “quase” de que falámos atrás. Entusiasmei-me tanto que entrei em velocidades que me fizeram perder o controlo e caí. O ginásio está aberto há menos de um mês e fiquei com a sensação de que fui a primeira a fazê-lo. Alguém tinha de inaugurar o cenário, certo? Brincadeiras à parte, o simulador está preparado para isso: para automaticamente e tem redes nas laterais. Portanto, tirando uns cabelos fora do sítio, estava tudo maravilhoso. Estava pronta para voltar, mas as minhas pernas pediram-me mais uma pausa.

Carlos, um dos fundadores do espaço, não me deixou ficar ali parada muito tempo. “Quando se cai, erguemo-nos outra vez”, ouvi. E lá fui. Comecei mais tímida e voltei à loucura — uma boa loucura. Foram 30 minutos intensos, divertidos e desafiantes. Mas mal posso esperar pelos próximos 30.

O novo ginásio lisboeta permite experiências de dez minutos no simulador (15€), treinos de 30 minutos no simulador (45€) e treinos personalizados de 60 minutos (50€). Existem também packs (50€ ou 70€) e sessões de grupo (90€).

A Ski Academy funciona de segunda a sexta-feira, entre as 7 e as 20 horas, mas é necessária marcação prévia para fazer os treinos.

Até parecia uma profissional.

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