Ginásios e outdoor

Fomos descobrir o novo estúdio de Lisboa onde o ioga é mesmo para todos

Fica a dois minutos a pé da Lx Factory e pretende ser uma experiência bem diferente do ioga tradicional. Vale a pena conhecer.
Sara Tarita tem 22 anos.

Não deixa de ser curioso como algo com milhares de anos continua a acumular cada vez mais novos adeptos. Da respiração à relação com o corpo, do relaxamento à meditação, passando pela mudança de alguns hábitos de vida, há muito que ainda podemos aprender com o ioga.

Para quem está à descoberta deste mundo, a experiência pode ser complexa. Mas desengane-se quem pensa que só vai ter pela frente palavras novas e meio impronunciáveis e poses que parecem impossíveis de fazer sem ter um corpo elástico. Sara Tarita descobriu isso mesmo num momento importante da sua vida.

Foi há pouco mais de três anos e meio que se aventurou no ioga. Começou por aprender esta filosofia e quando já se sentia à vontade a praticar, decidiu dar logo o salto e começar a aprender a ensinar. Foram dois anos de formação que acabaram por coincidir com a pandemia. “Na altura não tinha grandes planos de abrir já um estúdio, era um plano de médio/longo prazo. Mas já tinha esta necessidade de me aproximar”, conta à NiT.

As coisas evoluíram e no passado dia 11 de setembro abriu o seu espaço, em Alcântara, a dois minutos a pé da LX Factory. É no número 15 da Rua Maria Luísa Holstein, num edifício que ao entrar tem até uma certa imponência, com outros negócios no mesmo lugar. Entramos, subimos até ao primeiro andar, seguimos pelo corredor à esquerda e quando a porta se abre, há uma luz natural a invadir o pequeno e acolhedor espaço. Eis o Taritices, o novo espaço de um universo muito próprio de Sara.

Aos 22 anos, a ilustradora — que se começou a destacar no Instagram, conta com loja online tem ainda um podcast na NiTfm — explora aqui esta outra paixão do ioga. Curiosamente, a sua primeira experiência até foi frustrante.

“Fui numa de perceber o que isto é e a minha primeira experiência foi bastante má. Experimentei uma vertente que não é a que pratico agora e saí da primeira aula super frustrada”, conta. Havia uma sequência fixa para cumprir. “Se na altura chegava aos pés era muito”, brinca agora. “O meu percurso começou por esta frustração mas também por querer contrariá-la”.

Procurou perceber o que se tinha passado. “Com o tempo percebi que tem muito mais a ver com resiliência e com o que teria trabalhar em mim”. Voltou a experimentar, agora a vertente Hatha, que hoje ensina. “Senti-me de uma maneira completamente diferente”.

Há aulas no espaço mas também online.

“É uma ideia que tento contrariar hoje em dia, especialmente com novos alunos: o ioga não é para chegar aos pés, não é para quem faz pinos e tira fotografias bonitas para Internet. É um caminho até ao tal chegar aos pés.”

O desafio não era tanto físico. “As dificuldades são muito mais mentais do que físicas. Claro que há limitações do corpo mas muitas vezes são associadas a ansiedades, a frustrações, ao nosso ego”. É aí que começa também o caminho de auto-descoberta.

“Procuro ir trazendo o que faz sentido para as pessoas que cá estão. Tenho alunas que já fizeram ginástica rítmica, têm maior flexibilidade, e pode ter sentido fazer algo mais desafiante. Outras vezes tenho pessoas que chegam às 19 horas, super stressadas do trabalho, e aí já não vamos acelerá-las mais”. É como que um jogo com o que faz sentido. O que quer dizer que numa pequena aula de estúdio, com seis pessoas diferentes, os objetivos vão-se adaptando, mesmo que se trabalhe a mesma postura.

Numa aula, a primeira etapa é de respiração. Ainda antes de qualquer pose é importante aquele respirar fundo, procurar uma certa quietude que é difícil encontrar entre a confusão do trânsito e a preocupação com a próxima tarefa em mãos.

Como professora, a tal frustração que sentiu em tempos é especialmente útil. Sara sabe como a cabeça às vezes se perde ao tentar dominar uma posição. Mas o ioga não é competição. Há sempre um “calma, está tudo bem”, para quem quer fazer já algo que ainda é demasiado difícil.

Sara diz que faz questão de desmistificar algumas ideias do ioga. “Queria tornar o ioga uma modalidade para toda a gente, também para quebrar um certo elitismo que lhe é associado. Como se fossemos todos muito shalala, muito zen”, diz bem-disposta. “Não, somos todos gente real, com dias bons e maus, é por isso que o ioga é para toda a gente”.

“Digo muitas vezes que o ioga não começa aqui no tapete, começa lá fora”. Todos podemos ganhar algo com momentos em que respiramos fundo e procuramos voltar a centrar-nos. “Às vezes estamos sempre a viver não seguir e o ioga tem esta capacidade de nos lembrar de viver o agora”.

O espaço abriu há menos de dois meses mas o feedback tem sido muito positivo e permite já pensar em novas ideias, de workshops a outras modalidades que poderão vir a ser trabalhadas ali. Acima de tudo, há um espírito acolhedor. Está lá o tal ambiente zen, da música ao toque das velas. Mas acima de tudo é um espaço familiar para quem chega.

A Janusirsasana alonga coluna, músculos das costas e membros inferiores.

Entre os alunos há uma clara maioria de mulheres mas há também já homens e gente na casa dos 20 anos até à dos 50. O futuro, é fácil de prever, promete ser ainda mais diverso, fiel à ideia de o ioga poder ser para qualquer pessoa, com as suas características e desafios específicos.

“Sinto-me muito em casa aqui”, conta-nos. Também tem feito aulas online mas há este extra da proximidade que ali se ganha. O plano é continuar a chegar a mais pessoas e, no entretanto, há já uma certeza sobre esta aventura de abrir um estúdio: “estou mesmo feliz com a minha decisão”.

“Quanto mais vamos fazendo, melhor percebemos os benefícios que podemos tirar”, conta-nos. Não é preciso pressão. Às vezes o simples compromisso é suficiente. Sara conta-nos que já perdeu a conta às conversas entre alunos, em que a pessoa admite que chegou ainda com pouca vontade de começar a aulas e à saída já tinha todo um outro espírito.

Quem quiser saber mais sobre o espaço pode contactar a própria Sara ou acompanhá-la pelo Instagram. Uma aula por semana custa 30€, duas 45€, sendo que há margem para fazer online quando não for possível marcar presença no espaço.

Em termos de material basta roupa confortável para a prática da modalidade e um tapete. Nesta altura há aulas às terças às 20h30, às quartas às 19 e às 20 horas, às quintas às 19 horas e às 20h30. Aos sábados de manhã e segundas à tarde também há aulas online. Chegando mais pessoas, há margem também para mais horários. É sinal de que família ali criada vai continuar a crescer.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Maria Luísa Holstein 15, sala 20, 1300-388 Lisboa
    1300-388 Lisboa
TIPO
Ginásio

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

Novos talentos

AGENDA NiT