Se acompanhou a sexta temporada da série juvenil “Morangos com Açúcar”, que foi transmitida em 2008, é provável que se lembre do personagem Hélder Gonçalves. Francisco Macau — na altura com 21 anos — tinha conseguido o primeiro papel da sua vida. Mas garante à NiT que nunca se “iludiu com a fama”, nem “com as miúdas histéricas”.
Hoje em dia, com 30 anos, Francisco é formado em Produção Alimentar em Restauração pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e PT, pelo CEFAD. Além disso, é um dos portugueses que está na lista dos que apresentam melhor forma física. Porém, durante muitos anos achou que era demasiado magro e chegou mesmo a ter vergonha disso. Com o desporto, tudo mudou e conseguiu sentir-se realmente bem no seu corpo.
Passou pelo culturismo e ganhou vários prémios — mas também percebeu que não era aquilo que o realizava, já que “amava o desporto, mas não a competição”, revela à NiT. Foi no seu projeto Team Macau, um serviço de personal training e nutrição online que ajuda qualquer pessoa a alcançar o seu objetivo, lançado em abril de 2012, que encontrou a felicidade. Até à data, já ajudou em mais de 13 mil transformações, incluindo a do rapper e apresentador D8.
O empresário e PT é o novo cronista da revista NiT, onde irá revelar todas as semanas uma receita saudável para antes ou depois do treino.
Como era o Francisco em miúdo?
Em criança, era gordinho. Parecia um boneco da Michelin que foi à máquina de lavar a quente e que encolheu bastante. Com o passar dos anos, fui perdendo peso e tornei-me num bicho muito estranho: comia, comia, comia e comia. Mas de magricelas eu não passava.
Sendo tão ligado ao exercício físico neste momento, naquela altura já havia uma ligação a essa área?
Comecei no desporto muito cedo. Em primeiro lugar, porque vivi em Azeitão toda a minha infância e ainda sou do tempo em que a minha Playstation era a minha bicicleta, os meus patins e o meu skate, ou seja, todos os dias pedalava e corria — sempre em contacto com a natureza.
Com que idade é que começou?
Comecei a praticar desporto quando tinha seis anos. O meu pai ia para o ginásio, porque nessa altura praticava bastante e levava-me com ele. Ficava fascinado com a máquina de remo, recordo-me disso — o barulho, o vento, o movimento, aquilo era uma coisa do outro mundo para um miúdo daquela idade. Uns anos mais tarde, no colégio, fui fortemente incentivado a praticar desporto. Era uma disciplina levada muito a sério e ainda bem que assim foi. O St. Julian’s School talvez tenha sido a minha rampa de lançamento para aquilo que sou hoje.
[read_more_block]
Sempre soube a área que queria seguir ou não era um percurso assim tão óbvio?
Não sabia o que queria fazer, sabia só que queria ser feliz. A minha avó foi pianista e ainda ponderei vir a ser uma amostra de Schubert. Era dedicado e assíduo mas não me preenchia a 100 por cento. Também quis ser jogador de ténis profissional, skater, bodyboarder, basicamente quis ser tudo. Um dia, já com 20 ou 21 anos, quando estava na fase de querer ser alguma coisa não certa, bati com a cabeça na parede e parei para pensar. Lembro-me que nessa altura travei uma enorme batalha comigo mesmo porque não me sentia feliz, não me sentia realizado nem tão pouco motivado. Procurei uma solução e hoje sou fruto dessa mesma solução.
“Cheguei a estar 60 dias a comer lombos de pescada de manhã à noite”
Mas, entretanto, estreia-se como ator na série “Morangos com Açúcar”.
Adorei fazer “Morangos com Açúcar”. Foi uma fase da minha vida muito feliz. Estava feliz. Não foi um sonho, foi um tropeçar numa oportunidade que eu agarrei, aliás, como todas as outras que me vão passando à frente na vida. Não me iludi com a fama, com as miúdas histéricas, com o mote da novela “geração rebelde”. Aos 21 anos tornei-me independente e isso eu devo aos meus queridos Morangos.
Depois, afasta-se dos holofotes. Como foi lidar com o facto de ser conhecido?
Afastei-me, efetivamente, dos holofotes. Fui passar uma temporada para Madrid, Espanha, onde estudei Teatro no Estúdio Corazza para el Actor. Não basta tu achares que és, tu tens mesmo de ser. Estudei, aprendi, conheci pessoas novas, cresci como pessoa. Entretanto, outras oportunidades foram surgindo e a representação foi ficando para trás.
Se tivesse continuado na representação, acha que teria corrido tudo bem?
Atualmente, vejo também que para um rapaz como eu, não será de todo fácil ser-se ator ou representar em televisão. Acredito que ficaria muito limitado, já que a minha fisionomia assim o dita, ou talvez não haja espaço para a diferença no nosso País. Ser conhecido é muito bom e muito mau. Preferi sempre ser reconhecido pelo meu trabalho do que conhecido, só. É muito bom ir na rua e saber que as pessoas apreciam aquilo que faço, seguem e acompanham o meu percurso e que sentem carinho por mim. Lido bem com isso, não sou vedeta, não me iludo, sei de onde vim e para onde vou e nada mudou.

Tocando no assunto da fisionomia, sempre se sentiu bem com o seu físico?
Já fui uma pessoa bastante insegura. Gostava do meu corpo, mas não o aceitava. Achava-me demasiado magro e, por vezes, eu mesmo me anulava ou inferiorizava perante os outros. Cheguei a sentir vergonha de mim mesmo, por ser tão magro. Um dia percebi que tudo não passavam de macaquinhos na minha cabeça e que era um miúdo perfeitamente normal. Não devemos de todo resumir a nossa vida a um corpo.
Quando é que o exercício físico ganha a importância que tem atualmente?
O exercício físico faz parte de mim e é a minha vida. Desde cedo que assim o é. Se fico um dia sem treinar ou sem dar uma caminhada que seja na praia, sinto-me sufocado. Sinto que me falta algo. Aliás, não me sinto a mesma pessoa. Quando organizo os meus dias, a prioridade é sempre o exercício físico.
Ainda passou pelo culturismo. Como é que surgiu este interesse?
O Culturismo foi mais um tropeção meu na vida. Apareceu, e eu não virei as costas ao desafio e correu muitíssimo bem. Ganhei provas, taças e medalhas, mas depois decidi parar. Amo o desporto, não amo a competição. Gosto de fazer as coisas ao meu ritmo e não gosto que me imponham deadlines.
Como era a sua alimentação e o treino nessa altura?
Em época de competição, tanto a alimentação como o treino são levados ao limite. É altamente desgastante. São semanas a fio a comer apenas o básico e o indispensável. Cheguei a estar 60 dias a comer lombos de pescada de manhã à noite. Eram nove refeições de pescada por dia, sem acompanhamento, sem sal e sem azeite. Era muito duro. Restava-me muito pouca energia para os meus treinos. Percebi que isso não me trazia felicidade e que prejudicava em muito a minha saúde. Decidi, então, parar. Quem corre por gosto também cansa. E como se costuma dizer, gostar não basta.
E agora, é bastante diferente?
Hoje em dia treino até 12 vezes por semana, dependendo do esquema de treino, do objetivo e do que o Team Macau me propõe. A minha rotina é muito virada para o desporto e, como já disse, esse é o meu modo e estilo de vida.

E na alimentação atual, o que privilegia e o que deixa de lado?
Sou bastante rigoroso com a minha alimentação e sou acompanhado pelos meus nutricionistas. Tudo o que não me faz bem, foi banido da minha alimentação. Existe uma grande diferença entre comer saudável e comer bem. Comer saudável é basicamente entrar numa loja de produtos Bio e encher o carrinho de compras. Comer bem, é respeitar o meu organismo, planear as refeições, as medidas certas, as horas e conjugar tudo isto com a minha vida profissional.
Como é um dia de refeições típico na sua vida?
Faço, em média, oito refeições por dia. Privilegio alimentos que me saibam bem. Não sou o tipo de pessoa que come alface porque leu que alface emagrece. Como aquilo que gosto de comer e, acreditem, em minha casa come-se muito bem. Todas as minhas refeições são práticas e de rápida confeção. O meu pequeno-almoço favorito são papas de aveia com banana, feitas com água no microondas.
Acha que hoje em dia há muita pressão para ter a imagem perfeita?
As pessoas viram-se só para a imagem e esquecem-se da vertente saúde. E imagem, meus amigos, não é tudo. A verdade é que ninguém gosta de se sentir feio, mas existe uma linha que separa o que é e o que não é aceitável fazer em prol da nossa imagem. Outro grande problema é que as pessoas têm pressa e não gostam de esperar. Não é possível conquistar um corpo de sonho em dias. Não é possível, não é viável e não é saudável fazê-lo.
Então, o que é um corpo saudável para si?
Um corpo saudável é um corpo em equilíbrio. Um corpo que nos permita sermos pessoas ativas e enérgicas. Experimentem acordar cedo de manhã e irem treinar. O vosso corpo muda e vocês mudam também. Não é só a estética que conta, é o equilíbrio entre o corpo e a mente. É o aceitar as nossas limitações e restrições.
Como surgiu a oportunidade de criar o Team Macau?
Quando comecei na musculação, pouco ou nada sabia do tema. Sentia-me perdido no ginásio, sem ajuda, sem orientações. Acabava por gastar dinheiro em mensalidades, dinheiro em transportes, dinheiro em suplementação e resultados, nem vê-los. O Team Macau surgiu porque, tal como eu, existem milhares de pessoas na mesma condição.

Quando uma pessoa recorre ao serviço, qual é o processo?
O processo é simples e bastante prático. Todos aqueles que procuram a ajuda do Team Macau têm acesso a um planeamento personalizado, individualizado e que pretende alcançar o objetivo de cada um. Existem duas vertentes de trabalho: o presencial e o online. Ambos os módulos contam com uma taxa de sucesso extremamente elevado. Após a contratação do serviço em www.franciscomacau.com, o cliente recebe no seu email um formulário de preenchimento obrigatório onde nos dará a conhecer os seus objetivos, limitações, historial clínico e preferências, por exemplo. Toda a informação é analisada pelos nossos especialistas e será definido qual o melhor caminho a seguir. O contacto é feito diariamente com o cliente e todas as suas dúvidas e questões são respondidas num curto espaço de tempo. Em setembro, até vamos lançar uma linha de apoio telefónica.
Já ajudou em mais de 10 mil transformações. Quais são aquelas que mais o marcaram?
Fui contactado por um jovem, que trabalhava num cruzeiro, julgo que na cozinha do barco. Ia estar vários meses fora e tinha como objetivo pedir a namorada em casamento no seu regresso. Esta pessoa tinha excesso de peso e queria mudar. Durante vários meses trabalhou lado a lado com o Team Macau e acabou por regressar com menos 20 quilos e, se não estou em erro e se a memória não me falha, tanto que, quando desembarcou, a própria namorada não o reconheceu. Ele fez o pedido, ela aceitou, e até me convidaram para o casamento.
Há mais alguma na sua memória?
Sim, outra pessoa que me marcou foi uma jovem, na casa dos 30 anos que tinha um enorme desejo em engravidar. Pesava mais de 130 quilos e o médico que a acompanhava não concordava que fosse segura uma gravidez com um quadro clínico de obesidade já avançada. Perdeu quase 40 quilos com a nossa ajuda, engravidou, teve uma bebé linda e até veio apresentar a filha ao “Tio Macau”, como ela dizia. Não consegui conter as lágrimas.
[/read_more_block]








