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“Fui aconselhado a atacar o mercado” para captar quem “não se revê nos valores da Prozis”

Urbano Veiga, fundador da Zumub, concorrente da Prozis, falou com a NiT sobre a polémica que envolveu Miguel Milhão.
Urbano Veiga.

A Prozis e a Zumub têm muita coisa em comum. Não só são as empresas de suplementação portuguesas mais conhecidas do mercado, como parte do negócio de ambas se baseia nas redes sociais, de onde chegam a maior parte dos clientes. As duas apostam na divulgação via passa palavra e através de influencers e microinfluencers, o que lhes dá maior visibilidade junto do seu nicho de potenciais clientes, mas que também implica um risco maior.

Tudo porque as redes sociais “têm uma dimensão inacreditável, para o bem e para o mal”, frisa Urbano Veiga, fundador da Zumub, aludindo à controvérsia em que a concorrente está envolvida.

Urbano Veiga tem 36 anos e é o fundador da Zumub. Ao contrário de Miguel Milhão, conhecido pela excentricidade, ao atual diretor-geral da marca, mantém-se mais discreto, dentro e fora das redes sociais. A NiT falou com o empresário sobre toda a polémica que em  Prozis está envolvida.

A líder de mercado e vossa principal concorrente, a Prozis, tem dado muito que falar. Como avalia o que se tem passado?
Tenho acompanhado esta novela, como o resto do País. O que começou com a expressão de uma opinião acabou por tomar proporções que ninguém esperava. Podíamos ter usado esta polémica a nosso favor, mas acabamos por ter uma atitude positiva. 

Mas não faria sentido a Zumub usar este caso para conquistar mais clientes?
Quando isto aconteceu, fui aconselhado a atacar o mercado, aproveitando esta polémica. Não o fizemos, porque não acreditamos nessa filosofia. Pelo que fui vendo no Instagram, muitas pessoas deixaram de se rever nos valores da Prozis. E pediam sugestões de marcas alternativas. E vi muitos consumidores nossos a recomendarem a Zumub.

Essa procura teve um impacto quantificável nas vendas?
Apesar de ser difícil de quantificar, isto acabou por ser positivo para a nossa marca. Angariamos muitos novos clientes nos últimos dias. Somos o número dois em Portugal há muitos anos e somos, obviamente, uma alternativa.

Referiu que os clientes deixaram de se rever nos valores da Prozis. Quem opta pela Zumub, que valores pode contar encontrar?
Enquanto empresa temos valores que consideramos inegociáveis e um deles é o foco no consumidor. Todos nós somos clientes em alguma ocasião e todos sabemos como gostamos de ser tratados. Na Zumub, fazemos questão de não nos esquecermos disso. Outro princípio importante é a qualidade. Essa é uma aposta contínua que fazemos, nos nossos produtos e imagem. 

O fundador da Zumub.

O que espoletou a polémica foi uma afirmação do fundador da Prozis sobre a interrupção voluntária da gravidez. O que pensa sobre o aborto?
Não tenho uma posição clara sobre o tema. Compreendo os pontos e as ideias defendidas dos dois lados. No entanto, se tivesse uma posição claramente definida sobre o assunto, nunca a daria a conhecer através da Zumub.

Portanto, o que está dizer é que não concorda com o que o Miguel Milhão fez ao partilhar a sua opinião numa rede social onde se apresenta como fundador da empresa?
A Zumub não tem, nem deve ter uma opinião relacionada com questões políticas e religiosas. E não discutimos o aborto na empresa. Além de sensível, é um tema polarizado e que gera polémica. Valorizamos a diversidade da opinião, mas neste caso, não acho que deva dar a conhecer a minha posição sobre o tema no contexto da empresa. Não é relevante. E ninguém se deve sentir comprometido nem coagido por ter uma opinião diferente. 

Isso significa que não se revê nas reações que apelaram ao boicote da Prozis?
Todos têm o direito de poder expressar-se e percebo as reações dos portugueses. Calçando os sapatos dos outros, se eu fosse cliente de uma marca com a qual simpatizo, a quem dava dinheiro comprando os seus produtos e essa marca me insultasse e dissesse que não precisa de mim, também deixaria de ser cliente.

Repudia os chamados cancelamentos?
Não sou a favor do que agora se chama “cancelamento das pessoas”, mas depende das situações. Neste caso da Prozis, penso que não teve tanto a ver com o tema, mas com a forma como lidaram com os acontecimentos. A maneira como o fundador da empresa escolheu reagir aos comentários e opiniões públicas, com declarações incendiárias e insultuosas como “filhos da puta” e “zombies” foi o que espoletou a verdadeira polémica e as reações que pediam o tal cancelamento. 

A polémica nasceu nas redes sociais e alastrou-se como um rastilho de pólvora. Imaginava que viesse a tomar estas proporções?
As redes sociais hoje em dia têm uma dimensão inacreditável, para o bem e o mal. Quando acontece algo menos positivo facilmente é exposto, cancelado e denegrido nessa nova praça pública. Porém, têm um lado extremamente positivo, fomentam a proximidade. E permitem-nos chegar a todo o mundo. Grande parte dos nossos clientes conheceram-nos nas redes sociais.

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