Ginásios e outdoor

Futbord: a modalidade que mistura futebol com ping pong — e é muito divertida

É inspirada no teqball, igualmente pouco conhecido em Portugal. Emanuel Mesquita criou uma mesa para o dar a conhecer por cá.
Acabou de chegar a Portugal.

É provável que a palavra futbord não lhe diga nada. Afinal, é uma modalidade muito recente, que deriva do teqball. Confuso? Nós explicamos. Trata-se de um desporto que surgiu em 2014, na Hungria, criado por Gábor Borsányi, antigo futebolista profissional, e Viktor Huszár, um cientista computacional.

O teqball combina elementos do futebol e do ping pong e ainda é pouco conhecido em Portugal. Joga-se com uma bola numa mesa similar à do ténis de mesa, com um tampo curvo e com uma divisória rígida, equivalente à rede. A principal característica é precisamente este equipamento específico, ao qual muitos não têm acesso no dia a dia. 

Como tantas vezes acontece, a falta aguçou o engenho que deu origem ao futbord. Segue as mesmas regras, mas pode ser jogado com uma mesa dita “normal” e sem rede: no fundo, requer apenas uma superfície plana. No Brasil, país onde esta versão do teqball é mais famosa — e onde se pensa que terá surgido —, pratica-se em todo o lado, como provam os vídeos que se multiplicam nas redes sociais.

“Pode ser jogado a pares (com duas equipas) ou individualmente, apenas com dois elementos, mas não se podem utilizar as mãos e os braços. O objetivo é passar a bola — que tem sempre de bater uma vez na mesa — ao adversário, e ganham-se pontos caso ele não a consiga devolver. No máximo podem dar-se três toques por equipa e no mínimo um, sendo que cada jogador não pode tocar duas vezes consecutivas na bola, apenas de forma alternada”, começa por explicar à NiT Emanuel Mesquita. 

Emanuel é treinador profissional de futebol e foi quando estava emigrado no Qatar a treinar a equipa Al-Sadd que teve o primeiro contacto com este jogo. “Via os meus jogadores a fazerem isto por todo o lado. Nos tempos livre, entre os treinos, utilizavam mesas de esplanada e bancos, foi desta forma que descobri a modalidade.”

Admite que na altura não sabia que já existiam regras. “Nós jogávamos de forma muito autónoma, definimos as nossas próprias diretrizes para que fosse uma coisa uniforme entre nós. Só quando comecei realmente a interessar-me pelo assunto é que percebi que não fomos os primeiros a definir regras.”

Pouco depois pensou que seria interessante criar a própria mesa para praticar futbord. Começou a desenvolver a ideia ainda no Catar, tendo sido ainda lá que teve o primeiro protótipo nas mãos. 

“A realidade é que fazê-lo lá era muito mais dispendioso e nem sequer consegui chegar ao design que tinha idealizado”, conta. O projeto acabou por ficar em stand by até regressar a Portugal, em novembro do ano passado. 

Nessa altura, voltou a repensar a ideia. “Fiquei desempregado e, claro, passei a ter muito tempo livre. Decidi investi-lo nesta vontade que já tinha e vi que na Europa só existiam duas marcas diferentes que produzem este produto, uma na Itália e outra na Alemanha.”

Antes de decidir avançar com o negócio, foi fazendo alguns testes. Tinha um exemplar que andava sempre consigo e que acabou por deixar em vários sítios, para que as pessoas pudessem experimentar e dar a sua opinião.

A praia e a estação de Carcavelos, Monsanto, o jardim do Estoril, o bairro do Alvito, em Alcântara, e alguns clubes de futebol (como está dentro do meio teve facilidade em arranjar quem o ajudasse na divulgação) foram apenas alguns dos locais escolhidos.

“Foi ótimo ter tido essas iniciativas, acabei por fazer o nosso vídeo de promoção e tive o contacto real com os utilizadores, que me diziam o que tinham achado. O feedback foi bastante positivo, diziam-me que nunca tinham experimentado algo do género, então acabei mesmo por avançar com a ideia.”

Nunca tinha criado algo de raiz, portanto admite que houve algum receio, mas foi fazendo as coisas devagar. A 12 de maio lançou a própria marca de mesas, a Futbord (precisamente o nome da modalidade). 

O primeiro cliente foi um senhor que descobriu o novo jogo na praia e que adorou. “Ainda não estava nada oficialmente lançado e vendi-lhe quatro mesas, para ele colocar no colégio onde dava aulas.” Emanuel assegura que é muito fácil aprender a jogar futbord. “Ao fim de dez minutos já se percebeu toda a dinâmica, e é por isso que quem experimenta uma vez quer repetir.”

A produção das mesas é 100 por cento nacional, sendo feita em duas fábricas distintas da capital (uma é responsável pelo tampo e outra pelos pés). A montagem final fica a cargo do próprio Emanuel.

Feitas em aço inoxidável e compacto fenólico (não enferrujam), as mesas têm a dimensão de 90 por 90 centímetros e 80 centímetros de altura. Além disso, caracterizam-se por serem leves, robustas, estáveis e resistentes a impactos fortes (o tampo não se parte, caso algum jogador lhe caia em cima). Tão importante como todas as outras coisas, é o facto de permitirem que a bola ressalte.

As cores escolhidas para os materiais foram o amarelo e o preto, uma vez que o objetivo era criar algo chamativo e apelativo, que não passa-se despercebido e criasse um design robusto, mas moderno. Existe ainda a possibilidade de personalizar o tampo com imagens, fotografias, nomes ou texto. “Fazemos aquilo que nos pedirem, tudo o que quiserem podem colocar.”

Até ao momento a mesa pode ser comprada no site da marca por 445€ e o fundador continua a fazer demonstrações na zona de Lisboa, caso assim lhe peçam. Brevemente vai passar a ter um colaborador a fazer o mesmo na zona das Caldas da Rainha, e o objetivo é expandir-se por todo o País.

No próximo dia 29, a Futbord vai organizar um torneio gratuito em Monsanto, onde vão estar alguns jogadores profissionais de futebol, como Rodrigo Martins (do Portimonense) e Raquel Infante (do Famalicão). Caso queira participar, pode inscrever-se online (há prémios para os primeiros três classificados). 

 
 
 
 
 
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