Ginásios e outdoor

Gyrotonic: o método de treino inventado por um bailarino que já conquistou Madonna e Lady Gaga

Gwyneth Paltrow, Naomi Campbell e Kelly Slater também já se renderam à modalidade. A NiT foi experimentar e conta-lhe tudo.
Vale a pena experimentar.

Quando falamos em treino é frequente pensarmos em atividades como corrida, crossfit, musculação em ginásio ou até desportos de equipa. Do outro lado estão as atividades mais calmas como o ioga ou o pilates, que têm vindo a tornar-se cada vez mais conhecidas também por ajudarem a melhorar a postura e proporcionarem momentos mais zen. 

No meio de tudo isto, há ainda modalidades de que quase nunca ouvimos falar mas que certamente vai ficar com curiosidade. Uma delas é o gyrotonic e podemos dizer que entre os seus fãs estão nomes tão conhecidos como Madonna, Lady Gaga, Kelly Slater, Shaquille O’Neal, Gwyneth Paltrow ou Naomi Campbell.

Apesar de no País esta modalidade de treino estar disponível em locais como Braga, Viseu ou Lisboa, no Porto há apenas um sítio onde vai encontrá-la: o Instituto do Lago. Com uma história de cerca de 30 anos e ligações às áreas da osteopatia, fisioterapia ou acupuntura, só há 11 anos é que passou a incluir as máquinas de gyrotonic, sob a responsabilidade de Amine Benderra.

A modalidade surgiu em 1985, altura em que a gyrokinesis começou a ser divulgada pelo bailarino clássico Juliu Horvarth, em Nova Iorque. Depois de várias lesões graves, decidiu criar um método que lhe permitisse voltar aos treinos e, sobretudo, a dançar. Assim, juntou vários elementos de diferentes modalidades que combinou em exercícios e máquinas que atualmente fazem parte da rotina de treino de muitos bailarinos e não só.

“O gyrotonic é uma metodologia de treino ou de exercício que promove mais o bem-estar, melhora a longevidade e ajuda a ter uma maior noção do corpo no espaço”, começa por explicar Amine Benderra à NiT.

As máquinas foram desenhadas com base nos movimentos do corpo, por isso, não há aqui nada de pouco natural nem posturas impossíveis. Além disso, todo o treino é adaptado às necessidades e possibilidades de cada um, o que quer dizer que nada obrigará alguém em cadeira de rodas a fazer uma espargata como uma bailarina.

“Trabalha o corpo como um todo, promovendo bons hábitos e maior consciência do corpo e do espaço. É adequado a todo o tipo de pessoas, tenham nove ou 85 anos. Serve tanto para aliviar dores e tensões musculares como para melhorar a postura ou aumentar a performance”.

É por isso que esta modalidade faz tanto sucesso entre atletas de alta competição e artistas que precisam de estar sempre na sua melhor forma. Por um lado, ajuda-os a aliviar dores e stress e, por outro, também permite atingir outro tipo de objetivos que não se alcançam com trabalho de ginásio, por exemplo.

Amine defende que deve fazer-se um pouco de tudo e que o gyrotonic não é necessariamente um substituto do ginásio. Ainda assim, esta modalidade ajuda, por exemplo, a refinar os movimentos, razão pela qual é tão querida entre bailarinos e modelos. Sim, embora não seja pensado como algo para emagrecer ou tonificar o corpo, acaba por dar formas mais elegantes e ajudar as modelos a atingir a fluidez tão apreciada do desfilar nas passerelles.

“O gyrotonic é uma modalidade mais fluída, mais dançada, enquanto o pilates com máquinas, por exemplo, é mais retilíneo e linear, segue um padrão de movimento e tem movimentos limitados em vez de tridimensionais. É um espaço onde o mundo é mais calmo e onde é possível centrar mais para ganhar produtividade”, explica.

Ainda assim não são só os atletas os apreciadores desta modalidade. Também empresários, médicos, gestores de grandes equipas utilizam o gyrotonic como forma de escapar ao stress e focar no que é importante. “Aqui é um espaço para parar, deixar de lado o excesso de estímulo. Digo muitas vezes que o repouso também é muito importante, é preciso saber parar”, reforça.

Mas, afinal, será que esta modalidade é mesmo tão boa como tudo leva a crer? A NiT foi experimentar e, embora não seja possível responder à pergunta com apenas uma sessão, existem vários aspetos que podemos explicar.

Começámos por fazer alguns exercícios simples deitados na máquina. O equipamento está lá para ajudar a fazer o exercício, sobretudo quando ainda não estamos habituados àquela rotina. Se ao nível do movimento tudo é adaptado às condições de cada um, também é verdade que à medida que são indicadas algumas alterações ao exercício pode parecer mais complicado. Nada que não se resolva com um pouco de concentração e foco no movimento.

É isso mesmo, um dos aspetos que pode ser tão importante como o físico é a mente. Por isso, o melhor é deixar os problemas e as preocupações do dia a dia do lado de fora para que possa aproveitar a aula e fazer os exercícios corretamente. É um treino que começa de dentro para fora do corpo e não ao contrário.

Possivelmente, não vai fazer tudo corretamente desde o início, mas é para isso que aqui está Amine, para guiar e corrigir tudo aquilo que se faz. Entre cada exercício há tempo para parar, respirar, deixar o corpo reequilibrar e recomeçar sem dores, levando o corpo apenas até onde consegue e não além dos seus limites.

Trabalhámos as pernas mas também os braços, ombros e a própria flexibilidade da coluna, algo que um corpo habituado a longas horas sentado ao computador agradece.

No Instituto do Lago, cada aula dura cerca de 50 minutos e pode ser individual ou em grupos de duas a três pessoas. Quanto aos preços, a mensalidade para aulas individuais é de 175€ ou 325€, conforme seja uma ou duas vezes por semana, ou de 120€ ou 220€ por pessoa nas aulas de pares.

Se saímos desta primeira aula super tonificados e com o corpo de um jovem de 20 anos? Talvez não. Ainda assim, a experiência levou efetivamente a uma maior consciência corporal que se prolongou pelos minutos — e dias seguintes — em tarefas tão simples como corrigir a postura durante o trabalho ou no sofá a ver televisão.

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