Treinar sem roupa pode parecer uma ideia saída de um filme de comédia — ou, para alguns, de terror —, mas na Europa aumentam o número de aulas, eventos e espaços dedicados ao exercício naturista. Em França, por exemplo, a Association des Naturistes de Paris tem um ginásio onde os membros podem praticar fitness e musculação sem roupa, além de aulas de Pilates, ioga, aeróbica e natação.
Portugal não fica de fora deste movimento. A Alma Naturista, associação que promove o naturismo no País, organiza atividades que juntam exercício e nudez, como o Cross Almada Naturista, uma prova que decorre na Praia da Adiça e combina corrida e caminhada sem roupa. “Parece existir cada vez mais abertura para este tipo de prática”, conta à NiT o personal trainer Diogo Duarte.
É verdade que, a nível físico, os benefícios de treinar sem roupa são os mesmos do que fazê-lo vestido. A diferença está antes na experiência de quem pratica e na relação que estabelece com o próprio corpo. “A nível mental, pode ajudar algumas pessoas a sentirem-se mais à vontade com o próprio corpo e a lidar melhor com alguns complexos.”
A investigação científica também concluiu que a participação em atividades naturistas estava associada a uma imagem corporal mais positiva, maior autoestima e maior satisfação com a vida.
Outro estudo, publicado em 2022 na revista “Sexuality & Culture”, analisou a relação entre atividades de nudez, ansiedade relacionada com a aparência física e valorização do próprio corpo. Os investigadores encontraram uma associação entre a prática de naturismo, menor ansiedade relacionada com o corpo e maior valorização da aparência física.
No entanto, esta prática não é boa para toda a gente. “Não recomendaria a quem não se sinta confortável ou esteja a fazê-lo por pressão”, diz o especialista. A decisão deve partir da própria pessoa e não de uma tentativa de acompanhar uma moda ou satisfazer expectativas de terceiros. “O exercício deve fazer-nos sentir bem e não criar mais ansiedade”, acrescenta.
A questão do conforto é particularmente relevante porque treinar sem roupa implica uma exposição física que não existe num ginásio convencional. Para algumas pessoas, essa liberdade pode ser precisamente o motivo para experimentar. Para outras, pode ter o efeito contrário e aumentar a preocupação com a aparência. “Para quem se sente à vontade e está num ambiente adequado, pode ser simplesmente uma forma diferente de treinar”, resume o personal trainer.
Também existem cuidados específicos que não devem ser ignorados. Sem roupa, há mais pele em contacto com bancos, colchões, máquinas e outras superfícies utilizadas durante o exercício. “Os principais cuidados estão relacionados com a higiene e com o local onde a atividade é feita Como há mais contacto da pele com os equipamentos, é importante que estejam devidamente limpos”, acrescenta Diogo Duarte.
Para Diogo Duarte, há ainda uma regra que se sobrepõe a todas as outras: o consentimento. “Também tem de existir privacidade, respeito e consentimento para que todos estejam confortáveis”, afirma. A nudez em contexto de exercício não deve ser confundida com ausência de limites.
Leia o artigo da NiT para conhecer a aula de ioga naturista que decorre em Almada a 30 de agosto. E se quer fazer exercício sem roupa, é necessário pelo menos um par de sapatilhas para não se lesionar. Carregue na galeria para conhecer algumas sugestões que chegaram recentemente a Portugal.








