Ginásios e outdoor

Há um novo mega ginásio na Margem Sul (e é mesmo hardcore)

Há halteres impressionantes, máquinas para tudo e uma imagem que não pede desculpa na hora de treinar. Eis o Blvckøut Gym.
Um espaço diferente.

Um olhar mais desatento podia fazer-nos pensar que estamos perante alguma banda de metal desconhecida. O nome Blvckøut faz-se acompanhar de tons em preto e de uma caveira como símbolo. Estamos, na verdade, num ginásio. Um fora do comum.

Na Margem Sul, em Paio Pires, um antigo armazém deu lugar a um espaço de treino com cerca de dois mil metros quadrados, apetrechado com máquinas para treinar tudo e mais alguma coisa. O tipo de coisa que deixaria Arnold Schwarzenegger nos seus tempos de Mister Universo especialmente orgulhoso. Antes da política, antes de Hollywood, foi um campeão mundial de culturismo que chegou a adaptar máquinas e treinos para trabalhar músculos que nunca ninguém trabalhara.

Se ele algum dia passar por estes lados talvez possa pôr à prova as palavras de Tiago Faria, um dos sócios fundadores do Blvckøut Gym: “somos o ginásio de sonho de qualquer pessoa que adora mesmo treinar”.

Nesta segunda-feira, 3 de maio, o ginásio abriu oficialmente portas. Foi um longo percurso até aqui chegar, um que começou com Tiago e o sócio Tomás Mesquita, que contou com a chegada de outros dois sócios, com uma pandemia e uma primeira localização que teve de ser abortada. Tudo para aqui chegar: no primeiro dia, o ginásio tinha já centenas de inscritos prontos para treinar. Tudo feito sem publicidade alguma, apenas um passa palavra e uma atitude descontraída online. Mas já lá vamos.

Antes de mais, o que interessa, explicado pelos próprios: “o que nos distingue é sermos um ginásio especializado em musculação. Não temos aulas de grupo. O nosso logótipo é mais hardcore, com uma caveira, e somos sem desculpas. É um ginásio também ele hardcore, de musculação”, explica-nos Tiago, realçando que apesar deste lado diferente a sofisticação não foi esquecida.

“Temos tudo e mais alguma coisa no que toca a equipamentos, desde coisas novas de última geração, até coisas com valor de coleção, que vieram dos EUA”, explica. “Cada marca tem a sua especialidade e tentamos ir buscar um pouco de tudo.”

Há halteres impressionantes

Isto traz diversidade em quantidade e qualidade. “Queríamos um look e um ambiente um pouco diferente. Temos halteres até cem quilos, que é o tipo de coisa que praticamente nenhum ginásio na Europa tem. Temos uma cave inteira só dedicada a máquinas de pernas. Há ginásios com um leg press. Aqui temos 12”, destaca. “Uma coisa que quisemos garantir é que, mesmo em hora de ponta, as pessoas não iam ficar à espera de uma máquina para treinar.”

O conceito era arriscado, reconhece à NiT Tiago. As circunstâncias certamente não ajudavam. Ainda assim há um lado de confiança no projeto que resulta de um simples facto: ainda antes de abrir, os sinais já eram muito promissores.

O passa palavra

“Estávamos em plena pandemia quando abrimos as nossas vagas de sócio-fundador. Confesso que estávamos com um bocado de medo, não gastámos nenhum dinheiro em publicidade, só o que partilhamos no Instagram e o boca a boca”. Não sabiam se iam conseguir ocupá-las todas, numa altura em que as pessoas nem podiam sequer ir ao ginásio treinar. “Foram 40 minutos. Esgotámos as vagas todas”. Abriram outras cem. Esgotaram no dia seguinte.
Antes de tudo isto, conta-nos, “chegámos a receber mensagens de pessoas: vocês são malucos. Abrir isto em Portugal!?”. Não era tudo mentira.

“Realmente somos um bocado malucos, isto é uma paixão, sabíamos que era um desafio, que os ginásios ou são de musculação numa cave, ou low cost ou health club. Não havia algo assim cá”. A dois dias da abertura já tinham mais de 300 inscritos (e ainda havia novos inscritos para registar).

No Instagram são um curioso caso de atenção, com mais de 11 mil seguidores. Para tal contribui uma postura que reflete aquilo que querem que seja o espírito do lugar. Há poucos meses, com boa parte do País fechado, o ginásio que ainda não o era chegava a brincar em mudar de negócio e virar igreja. Ganhavam em ajuda divina e isenção de impostos, brincavam. Seria uma “Igreja do Ferro”, bem ao gosto de quem gosta de musculação.

Não foi fácil aqui chegar. Chegaram a reservar um primeiro espaço em Lisboa. “Mas fomos enganados”, conta Tiago. “Disseram que [o espaço] tinha todos os requisitos mas não tinha. Já tínhamos pago um ano em avanço quando descobrimos que não tinha esgotos. Era impossível um ginásio funcionar assim. Tivemos que quebrar o contrato. Só aí perdemos um balúrdio, e ficámos sem espaço quando já tínhamos lá equipamento. Encontrámos este”.

Em certos casos têm-se surpreendido a eles e aos outros. “Chegaram-nos a dizer que só íamos ter homens inscritos mas temos imensas mulheres inscritas. Temos uma zona inteira só dedicada a pernas e temos mais máquinas de glúteos que outros ginásios têm de pernas. Fizemos questão de ter algo que as mulheres gostam de usar para treinar e estamos a ter a recompensa”, afirma.

Têm uma maioria de inscritos já conhecedor do mundo dos ginásios que procuravam algo assim, mais orientado, mas também já alguns curiosos. “E temos gente de todas as idades”, diz orgulhoso. “Temos miúdos de 17 e 18 anos que já treinam a sério e inscritos com 50 anos que vieram pelo Instagram.

Neste momento ainda têm de fechar mais cedo às noites e aos fins de semana. Mas o ginásio abre bem cedo, logo pelas 6 horas da manhã. Quando for possível, querem estar abertos até às 23 horas durante a semana, e sábados das 9h às 21 horas e domingos das 10h até às 18 horas.

“Nós reparámos que na Margem Sul existe muita gente que anda no ginásio em Lisboa por causa do trabalho. Ao abrirmos tão cedo começámos a ver que havia muita gente que agora pode treinar connosco. E há gente que trabalha por turnos”, destaca. Correndo tudo bem, os sonhos do Blvckøut já estão bem definidos: gostavam de um dia poder estar abertos durante 24 horas. Uma Meca dos ginásios onde o treino é uma constante.

O Blvckøut situa-se na Rua Rodrigo Sarmento de Beires 13B, em Paio Pires. O preço até agora era de 45€ mais os 30€ de inscrição. A partir de terça-feira, contam subir o preço para os 55€ de mensalidade (mais a inscrição).

“Nós temos coisas que mais nenhum ginásio tem”, explica Tiago. “Isso podia-nos levar a querer ter um preço mais de elite, mas o objetivo é ser um valor justo, em que sentimos que não nos estamos a desvalorizar mas ao mesmo tempo que, quem queira, possa pagar. Um preço muito baixo obriga a ter muitos clientes e numa hora de ponta isso pode ser um caos. Isso é algo que nós não queremos. Queremos que as pessoas sintam que têm aquilo por que estão a pagar”. Agora é uma questão de descobrir o próximo capítulo desta história de “malucos” para quem o treino é uma paixão. Daquelas hardcore.

Uma “Igreja do Ferro”.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT