Ginásios e outdoor

Halle Berry aprendeu 5 artes marciais e gravou “Ferida” com duas costelas partidas

A atriz treinava cinco horas por dia com Valentina Schevchenko, atual campeã da UFC e rival de Berry no filme.
Berry foi atriz principal e diretora do filme.

Quase duas décadas depois da coroação gloriosa na gala dos Óscares, seguida de uma série de fracassos monumentais, a carreira de Hale Berry parece estar novamente em sentido ascendente. Aos 55 anos, a atriz é a estrela de “Ferida”, o novo filme da Netflix que estreou a 24 de novembro e disparou para o primeiro lugar do top da plataforma em Portugal. Berry é ainda a realizadora do projeto, uma estreia no cargo para a atriz que parece querer voltar de vez aos grandes filmes — depois de uma aparição breve no terceiro capítulo da saga de John Wick.

Na história, ela é Jackie Justice, uma famosa lutadora de Artes Marciais Mistas (MMA) que desistiu da competição oficial. Com o regresso do filho que abandonou à nascença e sem grandes perspetivas profissionais, acaba por se envolver em lutas ilegais até ao momento em que chega a grande oportunidade de regressar ao octógono.

Para o papel, Berry tinha outro trunfo a seu favor. Desde que começou a preparar-se para “John Wick 3” que a atriz mergulhou no mundo das artes marciais. É, aliás, uma fã da UFC e, entre a sua lista de filmes favoritos, estão clássicos como “Rocky”, “Raging Bull” ou “Million Dollar Baby”. A boa forma física também foi fundamental. Berry, que se mantém esguia e musculada aos 55 anos, atribui a forma a “alguma sorte” e a uma “vida limpa”, até porque sofre de diabetes — o que a obriga a ter uma alimentação altamente controlada.

Começou por praticar jujisu, depois judo. Atirou-se de cabeça ao muay thai, ao taekwondo e ao kickboxing. Pelo meio, treinou com outros lutadores profissionais: “Aprender MMA foi a coisa mais difícil que já fiz profissionalmente”. E a grande treinadora foi mesmo Valentina Schevchenko, atual campeã da UFC e rival de Berry no filme.

Durante as gravações de “John Wick 3”, a atriz sofreu uma fratura em três costelas. A lesão aconteceu de forma impercetível e sem dor. “Cheguei a pensar que tinha cancro ósseo”, recorda. “Depois pensei que era osteoporose. Não conseguia perceber porque é que isto me acontecia quando eu estava tão bem fisicamente.”

Acabaria por perceber que era um sintoma da diabetes: “Tenho uma propensão para partir ossos mais facilmente do que outras pessoas.”

Chegada ao set de “Ferida”, um golpe de Valentina Shevchenko voltou a colocar a atriz em apuros. Resultado: mais duas costelas partidas. “Não queria parar porque tinha estado a preparar-me durante tanto tempo. Tínhamos ensaiado, eu estava pronta. A minha mente estava pronta, tínhamos que continuar. Compartimentalizei tudo e segui em frente. ‘Vou fingir que isto não dói. Vou usar a força de vontade para ultrapassar isto’. E assim o fizemos.”

Thomas modificou os treinos para diminuir o stress nas costelas partidas. Mas Berry não foi a única a sofrer: “O título é Ferida”, diz Thomas, “por isso a Valentina [Shevchenko] também saiu com alguns hematomas e arranhões.”

Um dia típico na via de Hale Berry durante as gravações começava com sessões de treino de duas horas às 7h45 da manhã, seguidas de treino de mobilidade e preparação para combate. Por vezes, o treinador motivava Berry para treinar até “implorar por misericórdia”. Propunha-lhe um desafio de 500 repetições, inspirado no treino da marinha norte-americana, com agachamentos, flexões, e joelhos ao peito e terminava com uma corrida de cerca de um quilómetro. “Faço-o porque sei que quando ela está no cenário com um lutador profissional, tem de ir até ao fim”, explica o treinador Peter Lee Thomas.

Numa entrevista recente com a revista “Hollywood Reporter”, a atriz mencionou que costumava treinar durante quatro ou cinco horas todos os dias e depois é que se preparava para as filmagens. Partilhou que, olhando para esse período da sua vida, não pode imaginar conseguiu fazer tudo, mas disse que estava mais energética por causa da adrenalina.

“A [coisa] mais espantosa foi a dedicação que vi que Halle tinha”, disse Shevchenko. “Treinámos cerca de dois meses, todos os dias durante cinco horas, das 7 às 13 horas e sabem, o treino foi muito semelhante ao que faço para o meu campo de treino.”

“A sua ideia principal para as cenas de luta tem ser real”, contou Schevchenko. “Tem de ser uma luta real. Tão real quanto possível”. A realizadora até mandava Valentina bater-lhe para que as cenas de luta fossem o mais reais possível.

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