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Ioga praticado por Gwyneth Paltrow, Madonna e Willem Dafoe é um sucesso em Portugal

O Ashtanga Vinyasa é uma prática coreografada que demora, no mínimo, 1h30. É considerada uma meditação em movimento.
O Ashtanga Ioga é uma modalidade cada vez mais popular.

“Não é preciso ser um monge ou eremita para praticar ioga”. Esta é a ideia principal que Madalena Proença nos quer passar antes de falar sobre a modalidade e o tipo específico a que se dedica: “É um estilo de vida essencial para os dias de hoje”. O Ashtanga Ioga é uma prática tradicional e dinâmica desenvolvida por dois monges indianos, durante o século XX, mas que tem vindo a reunir cada vez mais praticantes.

A prática do ioga promove a união entre o corpo e a mente. “Por isso que é quem se dedica a esta prática sente estar conectado com tudo — porque há uma preocupação com o que está à nossa volta”, explica Madalena, professora de Ashtanga Ioga desde 2016. O ioga é uma disciplina espiritual que permite tomar consciência plena da respiração e é o foco nessa necessidade fisiológica (respirar) que permite aprofundar o autoconhecimento.

No caso do Ashtanga Ioga (ou Ashtanga Vinyasa, nome pelo qual também é conhecido), é uma forma de ioga que se baseia num sistema específico de exercícios desenhado a partir dos textos sagrados de Patanjali, os Yoga Sutras. As principais diferenças entre esta e outras formas de ioga baseiam-se na respiração e na ativação de áreas específicas do nosso corpo.

O Ashtanga Ioga divide-se em oito ramos que incluem algumas vertentes mais tranquilas, como a concentração e a meditação. No entanto, um dos ramos é físico: as posturas de ioga. “É uma prática que exige bastante disciplina em que a respiração guia os nossos movimentos”, conta a professora. 

Praticar, no mínimo, três vezes por semana, permite reequilibrar o nosso organismo. Primeiro porque começa a desintoxicar, ficando mais forte (para que nos sustente fisicamente) e ao mesmo tempo, mais leve (para nos adaptarmos às diferentes situações da vida). O Vinyasa (palavra em sânscrito que significa, em tradução livre, sequência — e que remete para a ideia de movimento fluído) foi o primeiro estilo de ioga em que as posturas passaram a estar interligadas pelos movimentos da respiração. É por isto também que a prática do Ashtanga Vinyasa é equiparada à prática de uma meditação em movimento.

O Vinyasa tentou consolidar a prática que era feita para monges (e que podia durar todo o dia), numa modalidade possível para todas as pessoas. Nesse sentido, condensou-a entre 1h30 e duas horas — o que facilita a sua prática diária e que impulsiona o sucesso deste estilo de ioga.

É, por isso, acessível a todos, defende Madalena. “Nós podemos ser os nossos próprios gurus, dentro das nossas vidas e responsabilidades sociais. Escolhendo estar presente e conectados connosco e com o que está à nossa volta, esse é o verdadeiro ioga”, refere.

O ioga é uma prática acessível a todos os que procurem o equilíbrio entre o corpo e a mente.

O Ashtanga Ioga tornou-se popular quando, nos anos 60, vários ocidentais pertencentes à comunidade hippie, viajaram até à Índia para aprofundar conhecimentos e ouviram falar desta modalidade. De regresso ao Ocidente, estes primeiros estudantes começaram a partilhar a prática, começando a juntar nas suas aulas personalidades como Gwyneth Paltrow, Madonna e Willem Dafoe.

Em Portugal, há várias celebridades que praticam a modalidade, como é o caso de Sara Matos, com quem a NiT já conversou. No nosso país, a prática tem cerca de 15 anos e foi trazida por Tarik van Prehn e Isa Wong que começaram a dar aulas em Lisboa. Isa Wong criou o seu espaço, Casa Vinyasa Lisboa, tendo sido professora de Madalena: “Foi uma das experiências mais poderosas que já tive. Senti que realmente gostava desta prática, queria aprofundá-la e queria partilhá-la com as pessoas”.

Madalena Proença tem 39 anos, no entanto, teve o primeiro contacto com o ioga aos 20. Em 2015, descobriu o Ashtanga Vinyasa e, no ano, seguinte tornou-se professora. Foi em 2018 que se aventurou como instrutora a solo e, neste momento, dá aulas de grupo em dois espaços na capital: Cocasa em Santa Catarina (Chiado) e no Espelho de Água Gaya Immersions (Belém), com mensalidades desde os 50 euros. Também dá aulas privadas com preços a partir dos 180 euros.

Na opinião de Madalena, “a popularidade do Ashtanga Ioga deve-se sobretudo à observação rápida dos benefícios desta prática, quando regular, no corpo e na mente. É uma modalidade que convida a estar presente, tornando o aluno autónomo, sem necessidade de um professor a tempo inteiro, já que segue uma sequência específica com base nestes fundamentos da prática e por isso pode praticar em casa ou qualquer outro lugar”.

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