Ginásios e outdoor

Jake Paul, o youtuber polémico que está a tomar de assalto o mundo do boxe

Acrobacias, humor e polémicas deram-lhe fama. Quando se aventurou no boxe, parecia ser apenas mais uma piada, mas começa a ser caso sério.
Jake Paul tem 24 anos.

Quatro combates profissionais, quatro vitórias. Poderia até ser a simples história de um novo pugilista à procura de ganhar nome. Mas Jake Paul, embora ainda seja principiante, já é cabeça de cartaz em eventos transmitidos em “pay per view” que faturam milhões.

O mundo do desporto já conheceu alguns casos de estrelas que decidiram mudar de rumo e apostar tudo num desporto. Muitas vezes eram atletas. Isto é algo diferente, que ainda não tínhamos visto. A culpa é das redes sociais. A questão é que o debate no mundo dos combates de luta já vai deixando de ser sobre “quem é este tipo?”. A dúvida agora é se o devemos levar mesmo a sério.

Antes de mais, e para os leitores ainda pouco familiarizados com este youtuber, vale a pena explicar quem é este tipo. Aos 24 anos, Jake Paul é já nome bem conhecido, com mais de 20 milhões de seguidores no YouTube e muitas polémicas à mistura.

O norte-americano e o irmão, Logan, também ele estrela na plataforma de vídeos, eram típicos filhos de classe média dos Estados Unidos. O pai de ambos, Greg, é agente imobiliário, a mãe é enfermeira. Jake teria uns 10 anos quando os pais lhe ofereceram e ao irmão, dois anos mais velho, uma câmara de vídeo.

Começaram lá por casa a fazer acrobacias e “coisas parvas”, como o próprio descreveu ao “The Hollywood Reporter”. As redes sociais eram mundo em ascensão. Foi primeiro no Vine, entretanto desaparecido, que ganharam fama. Jake chegou a ter cinco milhões de seguidores em 2013 quando fez a passagem para o YouTube.

Era ainda adolescente quando começou a ganhar contratos com grandes marcas, como a Burger King. Aos 17 anos já ganhava bom dinheiro. Inicialmente o plano era pagar dessa maneira a faculdade. Mas quando acabou o secundário, foi morar para Los Angeles.

“Quando cheguei nem sabia bem o que era um agente. Mas cheguei lá e comecei rapidamente a conhecer toda a gente que podia”. A abordagem resultou. Enquanto os vídeos ganhavam milhões de visualizações e chamavam a atenção de mais marcas, foi contratado pela própria Disney, para a série “Bizaardvark”. Os vídeos na altura já davam aso a discussão. Rapidamente a polémica chegou à vida real.

Em Los Angeles partilhou casa com outros youtubers. Certa vez os vizinhos queixaram-se do incêndio que viam na piscina sem água da casa de Jake. A Disney despediu-o pouco depois. Estávamos em julho de 2017. Este e o ano seguinte foram particularmente polémicos para os dois irmãos.

Houve polémicas com vídeos, como quando Jake simulou uma detenção ou quando os dois irmãos organizaram um concurso a ver quem beijava melhor a mesma rapariga (e pelo meio o pai de ambos também participava). Num vídeo em que surpreendia Post Malone na sua casa, acabou por revelar detalhes do rapper, como a matrícula do carro (Jake pediu depois desculpa).

Jake aventurou-se ainda na música (uma delas descrita pelo próprio irmão como “uma música de merda”, com um vídeo daqueles super foleiros, com carrões, relógios caros e outros sinais de riqueza).

Houve histórias mais escandalosas, como a youtuber Alissa a revelar como a relação entre ambos a afetou, o uso da palavra racista “nigger” noutro vídeo.

Nalguns casos a polémica foi mesmo criminal, como a acusação já este ano de abuso por parte da tiktoker Justine Paradise e as buscas levadas a equipa pelo FBI na sua casa em Los Angeles (onde foram apreendidas armas). Jake foi ainda acusado de fraude por um curso em que ensinava como ter sucesso como influencer. Houve ainda um célebre vídeo do irmão a filmar um corpo numa floresta no Japão conhecida por ser local de suicídios, em 2018.

As polémicas mantém-se mas em 2018 algo de novo chegou: Jake Paul começou a treinar pugilismo. Ninguém lhe ligou durante um tempo. Isto no mundo do desporto, que nas redes sociais o que quer que fizesse tinha milhões de visualizações. Mas começava ali a curiosa caminhada.

Em 2018, com o irmão, enfrentaram outro youtuber, KSI, e o irmão deste. Logan empatou com KSI. Na luta entre os dois irmãos mais novos ganhou Jake, com KO ao quinto round. Em janeiro de 2020 veio o primeiro combate profissional, contra o YouTuber AnEsonGib. Vitória por KO no primeiro round. Seguiu-se um ex-basquetebolista, Nate Robinson. Nova vitória por KO, agora no segundo round.

De dezembro de 2020 para cá, a coisa evoluiu, tudo porque Jake Paul encontrou novo público (e adversários) no mundo das artes marciais. Especialista em polémicas, foi provocando cada vez mais o universo da UFC.

O combate com Tyron Woodley.

Encontrou até ao momento dois adversários. Ambos estavam já na fase final da carreira mas longe de serem desconhecidos. Ben Askren, wrestler pouco dado ao boxe e que perdeu com Jake num KO no primeiro round. No domingo, 29 de agosto, novo evento, milhões de visualizações e nova vitória, agora por decisão dividida, contra um antigo campeão da UFC, Tyron Woodley.

Jake sabe como ganhar destaque à conta de polémicas. As provocações sobem de tom e chegam a cada vez mais nomes. E a verdade é que está a resultar. As reações online têm surgido cada vez mais por parte de pugilista e de atletas do UFC. Há cada vez mais nomes a quererem chegar-se à frente.

Afinal de contas, o puto provocador está invicto o que irrita cada vez mais pessoas. E este é um daqueles casos em que Jake não está preocupado em ganhar mais fãs. Há quem pague dezenas de dólares pela esperança de o ver levar um murro e cair a cada novo combate. Ainda não aconteceu e no entretanto o youtuber continua a faturar.

Parece estar a dar frutos o tempo que tem dedicado a treinar pugilismo nos últimos anos. De polémica em polémica, de vitória em vitória, é cada vez mais assunto. É o que ele quer. E vai ser assim até que pelo menos alguém o derrote. A questão é que ainda não se percebeu quem será esse atleta. E até lá as visualizações vão manter-se.

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