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Ginásios e outdoor

João Catita: o personal trainer provocador que se tornou um fenómeno nas redes sociais

Os vídeos somam milhares de visualizações. "Os clientes não ficam zangados com o que digo, porque já estão habituados”, garante.

João Catita é personal trainer, proprietário de dois estúdios de fitness, faz acompanhamentos online e, como se já não fosse suficiente, é também um autêntico polícia do ginásio. Os seus vídeos contam com centenas de milhares de visualizações em redes socias, como Instagram e TikTok (onde soma quase 80 mil seguidores), e o sucesso chegou, inclusive, ao Brasil.

Nos vídeos, que pertencem à rubrica “A Praticar Saúde no Vital [o nome dos seus ginásios]” surge tal e qual como é nos treinos: exigente, irónico, provocador e obcecado por disciplina. As câmaras estão escondidas e os alunos não sabem que estão a ser filmados. O resultado? Sketches improvisados, mas sempre com uma mensagem: incentivar o público a levar o exercício físico e a alimentação mais a sério.

Com 31 anos e natural do Porto, João Catita é formado em Educação Física e Desporto, com graduação em Personal Training. O percurso no mundo fitness começou cedo: praticou andebol federado desde os 10 anos e só durante a faculdade é que deixou a modalidade, para se focar mais intensamente na musculação, altura em que o interesse pelo exercício físico e bem-estar ganhou outra dimensão.

A ideia para os vídeos surgiu de forma orgânica e sem grandes planos. A rubrica arrancou no final de maio de 2025 e rapidamente ganhou fama nas redes sociais. O impacto dos vídeos já ultrapassou os ginásios onde tudo é gravado — e até o País. “Não estava à espera de um hype tão grande”, confessa. “Mas quando partilhei o primeiro, percebi o potencial. Posso dizer que em 19 vídeos, todos ficaram virais, tanto no Instagram como no TikTok.” Hoje em dia, é reconhecido na rua e até fora de Portugal. “Mesmo no Brasil, onde estou agora de férias, há pessoas que me conhecem por causa disto”. 

Para o criador de conteúdo e personal trainer, o sucesso explica-se pela leveza do formato e pela curiosidade do público em acompanhar o que acontece num ginásio. Além disso, sabe que “as pessoas gostam de consumir conteúdos divertidos nas redes sociais”. “Chegam a casa, querem relaxar e estes vídeos são quase um ‘Big Brother’. Toda a gente gosta de uma fofoca”, brinca. A rigidez com que conduz as conversas também ajuda a captar atenção. “Sou rígido e gosto de saber que as pessoas se riem disso.”

Os vídeos, que somam milhares de visualizações e partilhas, mostram os melhores momentos das interações reais com os clientes. João provoca-os quando sente que não se estão a esforçar o suficiente, quando passam mais tempo a conversa do que a levantar pesos, ou quando lhe contam que o jantar do dia anterior não foi propriamente fit, por exemplo. Tornou-se uma figura caricata e tem atraído novos seguidores que descobrem a sua página precisamente através destes conteúdos. 

A abordagem é assumidamente leve, mas com intenção clara: “É uma forma descontraída de falar da importância do exercício físico e de sermos disciplinados para termos mais saúde e resultados”, conta à NiT.

Quem vê os vídeos pode questionar se aquela figura implacável é uma personagem criada para as redes sociais. João garante que não. “Sempre fui assim a trabalhar. Sou bastante motivador, procuro sempre o melhor desempenho”, afirma, sublinhando que a exigência começa por ele próprio. “Sou rígido comigo e com eles. Não diria que é uma personagem.” Ainda assim, admite que o registo pode ser ligeiramente amplificado: “O que aparece nos vídeos pode estar um pouco exagerado, mas é um misto de interpretação com a realidade”, conta à NiT.

 
 
 
 
 
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Os momentos não são ensaiados e tudo acontece em improviso absoluto, num dia normal de trabalho. A forma como captura todas as interações é simples. “É só um telemóvel com um tripé que escondo e ninguém consegue ver. Os alunos pensam que são as câmaras de vigilância. Depois meto o microfone debaixo da camisola e não fazem ideia”, revela. Só depois de ter tudo editado é que os alvos são informados de que foram filmados. “Até lá não fazem ideia”, brinca.

Embora por vezes seja duro no que diz — já pediu a clientes para baixarem o som da música ou para terem cuidado com os excessos alimentares no fim de semana — nunca ninguém levou a mal as suas intervenções. Afinal, a relação que tem com os alunos ajuda a que o tom nunca seja mal interpretado. “Eles não ficam zangados com o que digo, porque já estão habituados”, diz. “Depois contam que colegas de trabalho lhes enviaram o vídeo, riem-se disso.” 

Levar o conceito para fora do ginásio já lhe passou pela cabeça, mas com reservas. “No ginásio sei quem são os meus alunos e conheço-os”, explica. “Fora disso, há muita gente que não quer ser exposta e isso criaria muitos entraves.”

Além disso, o processo seria exigente e muito demorado. “Dou sempre espaço de cerca de um mês entre vídeos, para criar expectativa e surpresa”, revela. A edição, feita por si, é tudo menos rápida: “Demora no mínimo três horas, porque tenho de rever duas ou três horas de gravação, escolher os melhores momentos e editar.”

Aproveite e leia o artigo da NiT para conhecer os ginásios criados por João Catita.

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