Ginásios e outdoor

João chegou a pesar 102 quilos. Agora é recordista de HYROX em Portugal

O estilo de vida sedentário e a má alimentação fizeram com que ficasse com excesso de peso. Tudo mudou com a pandemia.

O sedentarismo, as longas horas de escritório e a pouca ligação ao desporto marcaram a vida de João Almeida, após os 18 anos. Hoje com 30, o consultor financeiro, com formação em engenharia, passou vários anos focado quase exclusivamente na carreira académica e profissional. A rotina acabou por contribuir para o aumento gradual de peso. Entre horários das 9 às 18 horas e hábitos alimentares pouco equilibrados, acabou por atingir os 102 quilos, por volta dos 25 anos, resultado de uma rotina sem exercício físico e snacks calóricos.

Segundo o lisboeta, teve um peso que considera normal até ao início da vida adulta. A mudança aconteceu depois de entrar no mercado de trabalho, quando o tempo passado à frente da secretária começou a refletir-se na balança. Com 1,83 metros de altura, chegou ao peso máximo em agosto de 2020. “Como era alto, não se notava muito, mas sabia que tinha de mudar”, conta à NiT.

Durante a infância e adolescência, fases passadas maioritariamente em Moçambique, o desporto nunca foi uma propriedade. A família “de origens humildes” incentivava-o, sim, a dedicar-se aos estudos. “Fora da escola dividia o tempo entre estudar e pequenos trabalhos para ganhar dinheiro. Não tinha hábito de fazer exercício sem ser nas aulas de Educação Física”, recorda.

O ponto de viragem surgiu durante a pandemia da Covid-19. Com as restrições em vigor, a prática de desporto tornou-se uma das poucas razões para sair de casa. Para ter alguma normalidade no dia a dia, começou a correr. Paralelamente, passou a ter acompanhamento nutricional e aprendeu sobre alimentação saudável e contagem calórica. Foi assim que começou uma mudança profunda na relação com a comida e com o corpo.

“Percebi que muitas das ideias que tinha sobre nutrição estavam erradas. Comecei a ler mais e a ouvir podcasts para me educar”, explica. No plano físico, juntou o exercício ao défice calórico recomendado pela nutricionista e inscreveu-se num ginásio, embora sem grande entusiasmo inicial.

Foi ao experimentar crossfit que encontrou a motivação que faltava. A intensidade e a componente competitiva despertaram interesse e abriram portas a um novo universo desportivo: o HYROX. “Percebi que era ideal para mim. Passei a ser um atleta amador profissional”, brinca.

A modalidade entrou na sua vida em 2022, após a recomendação de um dos responsáveis da box onde treinava. Inscreveu-se na prova de Hamburgo em novembro desse ano e a experiência confirmou o potencial. “Foi amor à primeira vista”, recorda. No ano seguinte regressou à competição já com preparação específica e, desde então, manteve uma presença regular nas provas.

Atualmente, João Almeida, com 30 anos, treina entre 14 e 18 horas por semana e já perdeu 22 quilos — atualmente tem 80. Muitas vezes realiza duas sessões diárias. E embora não exista oficialmente o título de campeão nacional, o atleta detém o melhor tempo português na modalidade. O recorde foi alcançado no início deste ano, em Amesterdão, nos Países Baixos, na categoria Pro Men — considerada a mais exigente — com a marca de 57 minutos e 8 segundos.

A ligação ao HYROX acabou por ultrapassar a vertente competitiva. A 1 de fevereiro lançou o projeto Hybrid Pursuit, dedicado a programas de treino específicos para quem está interessado neste tipo de provas. Antes do lançamento, formou-se como técnico de exercício físico “para garantir as credenciais profissionais para desenvolver o projeto”. Já tem mais de 60 inscritos.

“O objetivo é oferecer planos personalizados para fugir aos modelos generalistas que existem no mercado. Em vez de um único plano, os atletas recebem três propostas diferentes”, explica. O objetivo é adaptar o treino “ao histórico e às capacidades de cada cliente”.

“O Hybrid Pursuit também inclui diferentes níveis de acompanhamento, desde planos para atletas individuais ou em dupla até um modelo de elite com acompanhamento diário e contacto direto com os treinadores”, acrescenta. O crescimento da comunidade surge como a principal prioridade para o futuro, sobretudo numa altura em que Portugal se prepara para receber pela primeira vez uma prova oficial, em Lisboa.

“Queremos crescer a comunidade, partilhar dicas e incentivar os portugueses a treinarem mais e melhor”, realça. A inscrição custa 49,99€ para treinar de forma individual e em duplas (neste caso, o valor é dividido por dois). “Para os atletas que têm mais de 10 horas de volume de treino e conseguem treinar muito, temos o programa de elite que custa 79,99€”, explica. As inscrições podem ser feitas online.

Carregue na galeria para ver algumas imagens de João Almeida.

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