Ginásios e outdoor

As lesões e os duros treinos de Daniel Craig para se manter em forma como James Bond

Se pensava que a vida de James Bond é só martinis e mulheres bonitas, desengane-se. Encarnar a personagem não é para qualquer um.
Desta vez é para a despedida.

Daniel Craig prepara-se para dizer adeus ao icónico papel que assumiu durante mais de uma década e meia. É já mesmo a ligação mais longa de um ator à histórica personagem do espião britânico “ao serviço de Sua Majestade”.

Daniel Craig tinha 37 anos quando assumiu o papel de James Bond pela primeira vez. Quando foi escolhido, já se falava como o lado atlético iria estar mais em destaque. Afinal de contas, era até mais credível para uma personagem que faz tantas acrobacias. Os filmes que protagonizou mostraram isso mesmo: vimos escoriações, sessões de tortura, vimo-lo a ser atingido por uma bala. A frase “o corpo é que paga” cantada por António Variações bem podia estar a ser tocada em eco.

Não há como enganar: foi exigente para o corpo. E também aqui há mérito do ator britânico. Atualmente com 53 anos, vai despedir-se da personagem mantendo um físico impressionante, especialmente para quem já está na casa dos 50. Não é para todos. Mas Craig é um caso especial.

Ainda não se sabe quem será o escolhido para assumir a personagem de agora em diante. Mas uma coisa é certa: os pretendentes podem começar já a ir treinando. É que com tudo o que há de glamour no papel, há também muito sacrifício. E Daniel Craig não brinca em serviço: costuma começar a treinar para o papel um ano antes de as filmagens começarem.

Como se prepara um espião

Para fazer as coisas bem feitas, não há nada como contar com especialista. Houve um nome que se manteve ao longo de todos estes anos: Simon Waterson. O instrutor já tinha trabalhado com Pierce Brosnan, o antecessor no papel, e acompanhou Craig nos cinco 007 que fez.

Quando lhe apareceu no primeiro dia, Craig vinha com um cigarro e uma sandes de bacon mas também com uma “visão” muito própria para o que queria, conta Waterson à “CNN”. Não queria um PT, queria “um parceiro de treino”. E foi mesmo isso que teve. Waterson definiu a rotina e manteve-a durante todos estes anos, com pequenas adaptações quando havia coreografias específicas.

“Isto é como treinar para os Jogos Olímpicos, mas tens a prova todos os dias durante sete meses”. As filmagens decorriam seis dias por semana. Mas houve semanas em que treinava todos os sete dias da semana. Não terá sido acaso Daniel Craig ter estado a dada altura com um pé fora da saga — voltou ainda para “007: Sem Tempo Para Morrer”, o que só atesta a sua resiliência.

Ator tem 53 anos.

O ator já contou que o levantamento de pesos não é todo um dos focos para preparar a personagem. Já a questão alimentar obrigou a cuidados mas nada fora do comum. Em termos de nutrição o próprio Daniel Craig tem contado em diferentes entrevistas que tem por hábito comer de forma saudável, apostando especialmente em produtos orgânicos. O descanso também foi fulcral mas com receita simples: descansar e dormir bem.

“007: Sem Tempo Para Morrer” foi o primeiro grande blockbuster que a pandemia adiou. Chega aos cinemas nacionais no próximo dia 30 de setembro. Já lá vai um tempo, mas não era brincadeira a rotina durante as gravações deste James Bond. A “Men’s Journal” publicou recentemente o dia a dia:

05h30: Levantava-se na sua casa em Londres e conduzia uma hora até aos Pinewood Studios;

07h00: Ensaios e preparação física, que incluía alongamentos e exercícios de ativação muscular;

08h00: Pequeno-almoço, com algumas opções alimentares anti-inflamatórias;

Das 09h00 às 19h00: Filmagens, com ocasionais pausas pelo meio, para snacks e algum trabalho de recuperação física;

19h45: Jantar rico em hidratos de carbono e reunião sobre as filmagens, antes do regresso a casa;

22h30: Releitura do guião e descanso.

Eram meses a fio em modo repeat. E não era só no ecrã que havia maleitas. Também fora do ecrã Daniel Craig foi acumulando um curriculum respeitável de lesões.

Em “007: Quantum of Solace”, de 2008, fez uma rutura de labrum, que afeta a cartilagem que reveste a articulação do ombro. Aconteceu durante filmagens de acrobacias aéreas e foi uma lesão da qual se haveria de ressentir uma segunda vez anos depois.

Com “007: Skyfall”, de 2012, lesionou-se em ambos os gémeos. As últimas semanas de filmagens obrigaram a reabilitação, incluindo trabalho de piscina. Mas a mais grave seria com “007: Spectre”, de 2015.

Tratou-se de uma lesão no ligamento do cruzado anterior. Achou que Dave Bautista, a antiga estrela de wrestling, estava a ser meigo nas filmagens de uma cena de luta entre ambos. Quando a luta se intensificou sentiu um baque no joelho.

Teve de andar com o joelho ligado o resto das filmagens, o que até obrigou a algum trabalho de pós-produção para o esconder na edição final.

Se alguém achou que, entre martinis e mulheres bonitas, a vida seria fácil, está muito enganado. Não é de todo assim que se passam as coisas, especialmente quando falamos de um James Bond para o século XXI.

A personagem foi um marco para a carreira de todos os atores que interpretaram o papel, mas as décadas passam e a personagem permanece. Será novamente assim agora que Daniel Craig vai continuar bem ativo, mas dedicado a outros filmes. Quem quer que o suceda no papel, já sabe: é melhor preparar-se. É que ser James Bond é mesmo coisa para gente dura.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT