Ginásios e outdoor

Louis Vuitton quer comprar os direitos da nova febre mundial. Atletas de Hyrox estão furiosos

Se a transação multimilionária avançar, os preços das inscrições podem subir gradualmente.

A Hyrox, a competição de fitness que começou em 2017 com apenas 650 participantes, pode estar prestes a entrar numa nova fase. A L Catterton, um dos maiores fundos de investimento do mundo e apoiado pela família de Bernard Arnault, presidente executivo da LVMH (o grupo dono de marcas como Louis Vuitton, Dior ou Tiffany), está em negociações exclusivas para comprar uma participação significativa na empresa.

A informação foi avançada pela “Sky News” e confirmada pela “Bloomberg”. Embora o valor do negócio não tenha sido revelado, especialistas do setor estimam que a Hyrox, que em poucos anos se tornou numa febre um pouco por todo o mundo, possa valer entre 700 milhões e mil milhões de euros.

O número impressiona, sobretudo tendo conta que a empresa construiu este império com um conceito relativamente simples: uma prova em recinto fechado onde os participantes alternam oito quilómetros de corrida com oito exercícios de força, como empurrar trenós, transportar pesos ou remar.

Em menos de uma década, a modalidade tornou-se um fenómeno internacional. Só na época de 2024/2025 reuniu entre 425 mil e 550 mil atletas em mais de 80 eventos espalhados por 30 países.

Grande parte do sucesso financeiro desta modalidade explica-se pelos custos reduzidos de promoção, especialmente porque empresas do setor fitness costumam gastar milhões em publicidade digital para convencer novos clientes a experimentarem os serviços.

Quem participa nas provas costuma publicar fotografias, vídeos e tempos nas redes sociais, promovendo a competição de forma espontânea. Além disso, milhares de ginásios afiliados organizam treinos específicos para a modalidade e acabam por funcionar como uma rede de divulgação gratuita. 

O interesse da L Catterton também não surge por acaso. O grupo tem um histórico de apostar em empresas de fitness antes de estas atingirem o grande público. Em 2015, investiu na Peloton, conhecida pelas bicicletas estáticas com aulas online, e, em 2024, comprou a cadeia de ginásios Solidcore numa operação que avaliou a empresa em cerca de 600 milhões de euros.

A estratégia costuma repetir-se: identificar marcas que nasceram junto de comunidades muito fiéis, ajudá-las a crescer e transformá-las em negócios globais. O grande desafio é conseguir aumentar as receitas sem afastar os fãs mais dedicados.

É precisamente isso que aconteceu com a IRONMAN, uma das maiores marcas de triatlo do mundo. Depois de passar para mãos de investidores, aumentou progressivamente o preço das inscrições, fez receitas a partir de transmissões televisivas, patrocínios e bilheteira, deixando de depender apenas das inscrições dos atletas. Vários analistas acreditam que a Hyrox poderá seguir um caminho semelhante.

Esta possível aquisição faz também parte de uma estratégia mais ampla do universo LVMH, que nos últimos anos tem apostado cada vez mais no desporto como forma de chegar aos consumidores.

Antes dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a Louis Vuitton assinou contratos com atletas como Victor Wembanyama e Carlos Alcaraz, estabeleceu uma parceria com o Real Madrid e anunciou um dos maiores investimentos da sua história: mais de mil milhões de euros, distribuídos ao longo de dez anos, para se tornar patrocinadora principal da Fórmula 1.

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