Ginásios e outdoor

O ginásio mental (sim, leu bem) que o ajuda a acabar com as insónias e ataques de pânico

No espaço MuHealth também poderá realizar sessões para lidar com problemas como a hiperatividade, compulsões ou depressão.
Com esta tecnologias criam-se concertos inigualáveis.

Um dia no ginásio pode ser uma experiência estranha para quem nunca frequentou um. E não falamos apenas dos exercícios, aulas ou modalidades desconhecidas. Até aí talvez nunca reparado na quantidade de pessoas que passam várias horas por dia a praticarem exercício físico. E muitas também correm ou treinam em parques. O fitness é um estilo de vida seguido por milhões de pessoas mas, infelizmente, muitas exercitam apenas o corpo e esquecem-se da importância da mente.

Fitness Hut, Up, Lemon Fit, Solinca, Holmes Place e Go Fit. Estes são apenas alguns dos ginásio onde pode treinar diariamente. No entanto, se o seu objetivo for melhorar as capacidades mentais e cerebrais, existem poucos espaços onde o possa fazer. Um deles é o MuHealth, situado em Lisboa, mais especificamente no Campo de Santa Clara.

O projeto foi criado em 2012 por Francisco Marques Teixeira. “Utilizamos a neurociência, mais especificamente a biometria, para percebermos como funciona o cérebro de determinada pessoa. Depois conseguimos ajudá-la a treiná-lo ou a melhorá-lo”, conta à NiT. Caso não esteja familiarizado com este conceito, “a biometria utiliza sensores para captar como é que o cérebro e o resto da fisiologia estão a trabalhar.”

No MuHealth, ou MuLab, esta ciência é aplicada principalmente ao bem-estar e wellness, mas também tem uma vertente artística. “Colocamos os sensores nos artistas e conseguimos analisar as suas emoções enquanto estão em palco a fazerem  as suas sua performances”, revela. Atualmente, estão a colaborar com um cantor de ópera francês, no Teatro do Bairro. Ali, têm um cubo onde, durante a atuação, são projetadas as representações das emoções dos músicos.

Também organizam várias exposições com os dados que recolhem. A próxima mostra na qual estão a trabalhar com o restaurante Rove ainda não está concluída. O projeto abordará o surf (conceito muito presente no espaço), medo e neurofeedback. “Queremos mostrar às pessoas como é que reagem ao medo quando estão no mar e como é que podem trabalhar este sentimento para que consigam ultrapassar situações difíceis quando estão a surfar”, explica. A empresa, contudo, não se fica por aqui. “Já fizemos uma coleção em que a roupa muda conforme as emoções das pessoas. Ganhámos prémios, incluindo alguns na Web Summit.”

Em 2015 trabalharam juntamente com a Churchill’s, numa campanha verdadeiramente única. Fizeram uma prova cega com três vinhos diferentes e vários participantes que os degustavam. Antes de responderem, a sua proposta favorita já estava projetada numa garrafa gigante. “Pela reação fisiológica conseguimos perceber qual o vinho que gostaram mais antes de eles mesmo saberem.” É quase como mentalismo, mas com recurso à tecnologia.

Como Francisco refere, muitos dos que lá vão procuram melhorar o seu bem-estar e dia a dia. Ajudam com a regulação do sono, porque muitos dos clientes “têm insónias e não querem tomar medicamentos para dormir”, então preferem treinar o cérebro para que consigam atingir esse objetivo. Também recebem várias pessoas com ansiedade e ataques de pânico, depressão, compulsões e até miúdos com défice de atenção e hiperatividade. “No período da escola e dos exames vêm cá para treinarem o cérebro e ficarem mais concentrados”, refere.

Tal como os ginásios tradicionais, também esta prática carece de uma regularidade que, normalmente, se traduz para dois treinos semanais durante dois meses. “Uma sessão não vai fazer nada”, esclarece, “mas se houver uma cadência certo ao longo de algum tempo, em dois meses a sintomatologia já desapareceu quase totalmente.” Claro que o tempo dependerá do problema que pretende resolver mas, geralmente, não dura mais do que três meses.

Se no início estranham, rapidamente se habituam àqueles treinos, tal como acontece nos ginásios. Mas também existe a possibilidade de os fazerem em casa, algo que acabou por ser impulsionado pela pandemia da Covid-19. Os clientes podem levar o aparelho e, em tempo real, os funcionários da MuHealth conseguem ver as ondas cerebrais.

Um scan ao cérebro custa 180€. Depois, as sessões clínicas, para problemas como depressão, têm um custo de 80€. Já aquelas de bem-estar estão à venda por 70€. Caso adquira packs, os valores vão descendo. Os treinos podem ser reservados online.

Carregue na galeria e conheça algumas das atividades já organizadas pela empresa.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Campo de Santa Clara, 65
    1100-470 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda a sexta-feira das 14h às 18h

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