Ginásios e outdoor

O “primo” do Boom regressa a Idanha-a-Nova com música eletrónica, ioga e ecstatic dance

O objetivo do evento é tornar a vila portuguesa na capital do bem-estar na Europa. Há 180 horas de atividades.

Entre 1 e 5 de julho, Idanha-a-Nova vai tornar-se na capital europeia do bem-estar. O Being Gathering está de volta à Herdade da Granja, onde as pistas de dança convivem com sessões de ioga e meditação. Este ano, o tema é simples: “Remembering Our Ancestry” (ou “Recordando os nossos antepassados”, em português).

Embora partilhe a mesma origem do Boom, este evento segue um caminho próprio. Realizam-se em anos alternados e defendem valores como a sustentabilidade e a ligação à natureza, mas a escala é muito diferente. Enquanto o festival de música eletrónica reúne cerca de 40 mil participantes, o seu “primo”, como é chamado pela organização, recebe cerca de 5 mil pessoas, privilegiando uma experiência mais intimista e focada no desenvolvimento pessoal.

Ao longo de cinco dias, convida o público a explorar a memória ancestral, as tradição e a ligação entre comunidade através de uma programação vasta — estão previstas mais de 180 horas de atividades, distribuídas entre concertos, workshops, práticas de movimento, terapias, conversas, instalações artísticas e experiências imersivas, conduzidas por dezenas de artistas, facilitadores e terapeutas vindos de várias partes do mundo. No total, o festival reúne participantes de 85 nacionalidades.

O conceito do Being Gathering vai muito além da música. Apesar de contar com nomes de referência da cena eletrónica internacional, o programa dá igual destaque ao ioga, à consciência corporal, ao ecstatic dance, ao desenvolvimento interior e às práticas de bem-estar. 

Entre os principais destaques musicais estão os Curawaka, conhecidos pelos concertos inspirados nas tradições indígenas e na espiritualidade contemporânea, El Búho, uma das maiores referências mundiais na fusão entre música eletrónica e sonoridades orgânicas, e Liquid Soul, um dos nomes mais reconhecidos da cena internacional de psytrance.

Na área do movimento e da consciência corporal, o programa recebe Harmony Slater, referência internacional no ensino de ioga e desenvolvimento pessoal, Karimu Samuels, com práticas dedicadas ao movimento holístico, e Bloomurian, que conduz sessões de ecstatic dance centradas na liberdade de expressão através do corpo.

A programação inclui ainda propostas dedicadas ao crescimento pessoal, como os encontros conduzidos por Satya, focados no trabalho interior e na transformação emocional, os workshops de Chris Corsini sobre consciência e relações humanas, e as experiências vocais de Anna Bariyani, que utiliza a voz como ferramenta de desbloqueio emocional e de ligação à memória.

Outras propostas cruzam arte, património e sustentabilidade. Cris Marcondes apresenta performances que unem corpo e fogo através da dança ritual, Mariana Root recupera a tradição oral das cantadeiras, enquanto Manuel Calado e Alfredo Cunhal Sendim juntam arqueologia e agricultura regenerativa para refletir sobre a preservação cultural e a escuta da terra. Um dos momentos mais aguardados será também “Woven Voices”, da artista Lex Empress, uma instalação participativa onde palavras e testemunhos dos visitantes vão sendo transformados numa obra coletiva de memória partilhada.

O festival reforça ainda a componente familiar, com três ateliers permanentes dedicados aos miúdos e adolescentes — circo, cerâmica e pintura —, incentivando a participação de diferentes gerações no evento.

A Herdade da Granja, com cerca de 150 hectares, é preparada ao longo de todo o ano através de ações de limpeza da floresta, plantação de árvores e manutenção do espaço, procurando deixar o território em melhores condições após cada edição. As esculturas construídas com materiais naturais, como bambu, permanecem na herdade durante todo o ano e fazem parte da identidade do local.

A sustentabilidade continua a ser um dos pilares centrais do evento. Toda a oferta gastronómica é 100 por cento vegetariana, os restaurantes não utilizam plástico descartável, existem ecopontos distribuídos por todo o recinto e a organização garante que a preocupação com a limpeza faz parte da cultura do festival. E a pensar nas elevadas temperaturas previstas para estes dias, que podem ultrapassar os 40 graus, foram igualmente criados 27 mil metros quadrados de áreas de sombra e instalados 57 pontos de água para que os participantes possam encher as suas garrafas reutilizáveis.

Os bilhetes ainda estão à venda online e custam desde 215€.

Carregue na galeria para ver algumas imagens da edição de 2024.

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