Ginásios e outdoor

O segredo de Catarina Gouveia para manter a mente e o corpo sãos

A atriz acredita em ouvir o organismo e respeitá-lo. Encontrou na alimentação saudável uma forma de manter a sua saúde mental.
A atriz lançou um livro com 70 receitas em novembro.

Começou em 2009 na série juvenil “Morangos com Açúcar” e nunca mais abandonou o mundo da ficção. Catarina Gouveia é uma das atrizes mais conhecidas em Portugal e não é só na televisão que conquista os fãs. A sua página de Instagram conta com mais de 500 mil seguidores e é a plataforma onde a atriz se dá a conhecer: doce, meiga e com um respeito enorme pelo seu corpo, tanto ao nível da alimentação como do exercício físico.

No início de novembro lançou o primeiro livro de receitas “Feito com Amor”, e contou à NiT que o gosto pela cozinha surgiu muito cedo, herdado da mãe: “Fazia de mim a sua assistente de cozinha.” Catarina conta que ficava fascinada com a transformação dos alimentos, com o resultado “sempre maravilhoso, delicioso e cheiroso.” A culinária nunca deixou de ser uma paixão e tornou-se num hábito diário — prefere ser ela a cozinhar o que come.

Durante as gravações da novela “Destinos Cruzados” da TVI, teve uma crise de acne bastante agressiva que mexeu com a sua autoestima: “nem a maquilhagem o conseguia o disfarçar e até para os técnicos de luz era difícil evitar focar as borbulhas bastante inflamadas.” A atriz conta que reduziu o contacto com amigos e família por causa da doença cutânea.

A vergonha que sentia motivou-a a introduzir uma alteração radical no seu estilo de vida. Os tratamentos estéticos foram imediatamente postos de lado: a solução que encontrou foi mudar a alimentação. Mas rapidamente se apercebeu que o segredo para uma vida plena está em manter o corpo ativo e a mente sã. 

Quando começou a sua paixão pela atividade física?
Muito cedo: comecei na natação aos três anos, que foi o meu primeiro desporto, no qual me federei e cheguei a competir. Criei a disciplina de algumas vezes por semana me dedicar ao exercício físico. Deixei de praticar na faculdade, portanto sempre tive esta rotina. A assiduidade do desporto na minha vida acaba por me influenciar de uma forma muito consistente. O espírito de sacrifício, treino e responsabilidade nunca nos abandona. Quando entrei para a faculdade deixei a natação e o ténis, que praticava desde os 13 anos e no qual também cheguei a competir. A atividade física sempre esteve presente na minha vida e reconheço esta vantagem no meu crescimento que acaba por se refletir até aos dias de hoje. 

Porque é que teve de para na faculdade?
Morava em Santa Maria da Feira e fui estudar psicologia para a Universidade de Coimbra. Parei e percebi o quanto me fez falta. A faculdade foi uma fase muito vulnerável para mim e quase que entrei numa depressão. Alimentava-me muito mal, tinha pouca qualidade de sono, não fazia qualquer desporto, não tinha disciplina e houve momentos emocionalmente frágeis. Esta incompatibilidade de deslocações entre o desporto que fazia em Santa Maria da Feira e a faculdade em Coimbra fez com que abdicasse. 

Quando voltou a praticar desporto?
Quando comecei a trabalhar, já em Lisboa, voltei a tentar fazê-lo. Foi o melhor que fiz porque dá-me uma enorme qualidade de vida. Tenho mais energia, autodisciplina e ajuda-me a saber gerir o meu tempo. Sem dúvida de que a prática de exercício físico tem de estar sempre presente nas minhas prioridades para que consiga manter-me emocionalmente saudável. É a minha terapia. Sentir que tenho força de vontade para combater a preguiça ou a falta de energia, dá-me saúde. 

Quando veio para Lisboa o que é que começou por praticar?
Parei o curso no terceiro ano e vim para Lisboa para me dedicar à área da representação. Comecei por fazer mais caminhadas ao ar livre, entre cinco e dez quilómetros. Gosto muito de andar porque é um exercício meditativo, no qual estou em contacto com a natureza. Quando tinha 25 anos voltei a inscrever-me no ginásio para complementar esses percursos com treinos de musculação e treinos funcionais. Saía todos os dias a pé e os treinos no ginásio fazia três vezes por semana. 

Houve outra modalidade que a chamasse a atenção?
Passei por uma uma fase em que praticava ioga todos os dias, mas neste momento estou a apostar no treino de força. Faço os meus próprios alongamentos e a meditação de manhã. Ensinam-me muito, lembram-me de como devo respirar durante o resto do dia. Aquilo que muitas vezes nos esquecemos e subestimamos é a capacidade de respirar com qualidade. A meditação de manhã acaba por me ajudar a lembrar o que é realmente importante.

Quando começou a ter mais cuidado com a alimentação?
Durante as gravações da novela “Destinos Cruzados” desenvolvi um problema de acne grave e a mudança de alimentação foi a solução certa para mim. Deixei a carne definitivamente e, até hoje, não senti vontade de voltar a comer. De resto, confesso que não me recuso a comer nada. Se me apetecer muito um Pastel de Belém, como. Sei que tem açúcar, leite e manteiga. Não há nada que diga que não coma de certeza absoluta. Não imponho esse fundamentalismo na minha vida. Como mesmo aquilo que me apetece. Só não faço destes alimentos um hábito.

O que é que não entra lá em casa?
Aquilo que não compro para minha casa são os laticínios, açúcar refinado, produtos industrializados e carregados de doce. Fritos também não costumo fazer em casa. Se, numa situação muito pontual, me apetecer comer uma pizza, como. Nunca me privei. Mas percebo perfeitamente o impacto que estes alimentos têm no meu organismo se os tornar habituais na minha alimentação. 

Quais são os seus alimentos favoritos?
Gosto muito de tâmaras, abacate, frutas da época, legumes da época, leguminosas e ovos. E, claro, que não consigo viver sem o meu bolo ou mousse de chocolate. Sou muito gulosa. É sempre a sobremesa que levo quando vou jantar a casa de família e amigos. 

Segue algum regime alimentar?
Faço jejum intermitente de uma forma muito natural. Mas não o faço de uma forma regrada e obrigatória. Ouço o meu corpo e como apenas quando tenho fome. Há dias em que janto tão bem que quando acordo não tenho fome e o que faço é respeitar esse sinal do meu organismo. Estou muito mais desperta e consciente para ouvir o que ele necessita.

Porque é que durante a pandemia partilhou os seus treinos em direto no Instagram?
Decidi fazê-lo porque estávamos todos muito condicionados, confinados entre quatro paredes. Muitas vezes acabávamos por perder o ânimo e a motivação. Estava habituada a ir ao ginásio e às máquinas de musculação e eu própria desanimei e pensei como é que poderia treinar dali em diante.

Foi complicado continuar motivada durante a pandemia?
Nos primeiros dias foi mais custoso habituar-me a treinar sem máquinas e passei a fazer os meu próprios treinos funcionais, apenas com o peso do corpo. Comecei a publicar de forma a motivar quem pudesse estar a passar por aquilo que já tinha passado, quando não tinha motivação para treinar. À medida que ia partilhando os treinos que fazia, recebia imenso feedback positivo e as pessoas perguntavam-me porque é que não os fazia em direto. Visto que estávamos todos em casa podia fazê-lo a uma hora em que podíamos treinar juntos. E assim foi.

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