Ginásios e outdoor

O segredo do corpo incrível de Lourenço Ortigão (que já foi capa de 3 Men’s Health)

Na primeira capa "exagerou" e "quase ficou obcecado". O ator conta como consegue ter um dos melhores físicos de Portugal.
A mais recente personagem de Lourenço Ortigão foi na série "O Clube" da SIC.

Setembro de 2015. Abril de 2017. Março de 2021. São estas as três vezes que Lourenço Ortigão  foi capa da Men’s Health, a maior revista masculina nacional — e um ícone no mundo do fitness. Todos os meses tem os corpos mais sarados na capa e Lourenço foi dose tripla. O ator é considerado um dos homens mais sexys da televisão portuguesa — já participou em muitas novelas e programas de televisão, como “Dança com as Estrelas”. Estreou-se na série juvenil da TVI “Morangos com açúcar” e nunca mais parou de fazer ficção. Em agosto deste ano mudou para a SIC e interpretou Kiko na série “O Clube”.

“Sempre pratiquei muito desporto desde os cinco anos”, começa Lourenço por contar à NiT. “O desporto é uma coisa que está muito presente na minha vida e que me faz bem.” 

A vida como ator não lhe permite ter uma rotina definida porque pode ter gravações desde o nascer ao pôr-do-sol. No entanto, treina pelo menos duas vezes por semana, sempre em ginásio e acompanhado por um personal trainer. “No  dia a dia gosto sempre de treinar acompanhado”, conta. Quando tem mais tempo livre chega a ir quatro ou cinco vezes ao ginásio. “E treino sempre com as mesmas pessoas: o Mário Balseiro e o Nuno Correia. Fazem treinos para objetivos diferentes e vou variando.”

O ator teve um desastre de mota em junho de 2021 e durante a recuperação, teve que adaptar os exercícios. “Desde que tive o acidente tem sido mais complicado porque fiquei algum tempo sem conseguir correr. Agora voltei a fazer desporto, elíptica, bicicleta, portanto estou a retomar. E também faço fisioterapia”, contou em entrevista à NiT.

Porquê treinar com dois personal trainers? Fazem treinos muito diferentes?
Com o Nuno Correia treino quando preciso de atingir uma certa forma física rapidamente. Já o Mário Balseiro conhece-me há 12 anos, conhece o meu corpo, os meus limites. No dia a dia costumo treinar mais com o Mário, mas às vezes treino com os dois em simultaneo.

Alguma personagem já o obrigou a mudar drasticamente a forma física?
Sim, algumas vezes. Normalmente para pior. Para trabalhos em que não preciso de ter o corpo tão definido, porque é uma personagem mais suja e mais descuidada, deixo de treinar tanto ou engordo alguns quilos. A determinada altura senti que tinha muito cuidado com o corpo mas isso até me limitava enquanto ator. Não no volume de trabalho, mas na interpretação que fazia das personagens.

Ter o corpo trabalhado limitava-o como ator?
Às vezes é bom ter uma personagem mais descuidada para mostrar um outro registo às pessoas — para que não se foquem só no corpo sexy, mas sim naquilo que estamos a querer representar. Às vezes, desleixo-me um pouco para conseguir normalizar a personagem. Para não ser conhecido apenas pelo meu corpo ou pelos abdominais definidos.

Em relação ao Kiko da série “O Clube”, que tipo de cuidados é que teve?
Foi o primeiro trabalho para o qual não consegui ter tempo para mudar o meu corpo ou trabalhá-lo. Tive o acidente em junho e andei quase dois meses de canadianas, o que me impediu de treinar. Comecei a gravar a série em agosto. O que fiz foi tentar manter-me o mais saudável possível. Mas na série não tenho o corpo que as pessoas estavam habituadas a ver. Costumo estar mais definido e mais seco, mas até achei interessante para o tipo de personagem que interpretei. O Kiko é dono de um clube noturno.

O facto de não ter conseguido estar com o corpo que queria afetou-o?
A personagem andava quase sempre em tronco nu ou com blazers sem camisa. Como não tive tempo para me preparar,  isso deixou-me um pouco inseguro. Mas não tive outra hipótese: era como estava o meu corpo na altura. Na minha cabeça arranjei a justificação de que este Kiko não era tão atlético por ser um homem da noite. No entanto, esee não era o corpo com que me sentia bem. Não me deixou muito seguro. Superei porque sabia que era uma personagem que ia ter o corpo exposto e encarei com positivismo. Não era o corpo que queria, mas faz parte. 

Lourenço Ortigão foi capa da Men’s Health pela primeira vez em setembro de 2015.

Como se preparou para primeira capa da Men’s Health?
A primeira que fiz foi em setembro de 2015 com o Mário Balseiro. Acho que exagerei um bocadinho. Achei que tinha de ter o corpo absolutamente perfeito, quase como um body builder. Tinha feito o “Dança com as Estrelas” e as pessoas viram-me com o corpo já bastante definido. Achei que para fazer a capa da Men’s Health tinha de estar mais atlético ainda. Quase que fiquei obcecado.

Qual foi a rotina de treino?
Foram três semanas a treinar intensivamente entre as gravações de uma novela. Treinei no início com o Mário e depois fui duas semanas para o Douro gravar a novela. Fazia treinos curtos de 30 minutos, muitas vezes às seis horas da manhã. Fiz uma mistura de coisas e ia treinando com base na minha intuição. Muitas vezes treinava sem material e fazia flexões no quarto do hotel. Fiquei obcecado.

Tinha cuidado com a alimentação?
Tinha muito cuidado com a alimentação. Cortei nos hidratos de carbono: primeiro só à noite, depois à tarde e à noite e por fim de manhã, à tarde e à noite. Acho que foi exagerado porque tinha menos de um quilo de massa gorda. 

E para a segunda capa da Men’s Health?
Na segunda estava vestido e, portanto, não fiz nenhum tipo de preparação.

A preparação para capa da Men’s Health deste ano, foi muito diferente?
Foi um desafio, porque estávamos no meio de uma pandemia. Disse ao Pedro Lucas (diretor da revista) que queria fazer a capa o mais rápido possível. Consegui treinar em casa, na garagem, e na box do Nuno Correia. Fiz uma dieta rígida durante 17 dias. De manhã corria cinco quilómetros, treinava às 10 horas da manhã e fazia alguns sets de abdominais em casa. Foi mais complicado por causa do confinamento. Estas capas são desafios, mas só o facto de saber que as vou fazer deixa-me extremamente motivado e acaba por não custar tanto. Estou a treinar com um propósito e, desta forma, é mais fácil.

No dia a dia, qual é a sua rotina de treino?
Sabendo ouvir o nosso corpo vamo-nos conseguindo manter em forma. O corpo diz-nos tudo. Se passo uns dias de férias e não treino, na semana seguinte compenso. Hoje em dia tenho limites mais conscientes, não teimo em ter o corpo perfeito e não é tão importante para mim a parte estética. Quando temos uma expectativa muito alta, acaba por ser uma prisão. Agora quero apenas sentir-me bem.

Teve alguma fase em que foi mais pesado?
Não era gordo, mas tinha 91 quilos porque era grande. Só comia, fazia muito desporto e isso deixou-me muito musculado. O típico corpo de quem joga rugby, como eu jogava. Era muito pesado mas não tinha gordura. Nunca deixei de fazer desporto. Uma altura, num estágio da seleção de golfe parti o pulso, tive de ficar uns meses em casa e emagreci muito. Percebi que me sentia muito melhor com menos quilos. Foi a partir deste momento que comecei a ter cuidado com o corpo e com o peso. 

Come de tudo?
Como de tudo. Durante muitos anos não comi carne. Agora evito o pão branco, como pão sem glúten ou de massa mãe porque pesa menos no estômago. Faço questão que os produtos que consumo sejam biológicos: o mais puro e limpo possível. Podemos comer uma coisa que até é saudável, mas o sítio de onde os alimentos vêm pode não ser tão bom.

E agora que já está recuperado da lesão, quais são os objetivos de treino?
Com o acidente engordei três quilos e agora vou tentar perdê-los novamente. Não pela estética, mas como vou entrar numa novela, sinto-me sempre melhor se estiver mais leve. Sinto a diferença. Não sei se toda a gente sente isto, mas  quando estou mais leve sinto-me com mais energia e mais preparado para os desafios. Vou tentar acelerar um pouco o metabolismo e o ritmo de treino. Não vai ser uma mudança drástica. 

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