Ginásios e outdoor

Entre moinhos e a natureza: a caminhada que desvenda os segredos de Ponte de Lima

São cerca de 14,7 quilómetros de percurso — e a forma perfeita de conhecer a paisagem limiana.
Uma vila a explorar.

Se nunca antes se aventurou pelos lados do Alto Minho, especificamente, em Viana do Castelo, sugerimos que comece por Ponte de Lima. O que torna a região tão especial é o toque medieval que tantos séculos depois ainda se sente — há quem a descreva como “um quadro medieval vivo”. 

O centro histórico da vila é, sem dúvida, merecedor de uma visita. Está repleto de capelas, igrejas, pontes, solares barrocos e todo o valor patrimonial e histórico que caracteriza a localidade. Mas há mais para conhecer para lá das estradas alcatroadas e o Trilho das Portelas junta o melhor dos dois mundos. 

Em 14,7 quilómetros de trilho pode esperar rios, serras, cascatas, lagoas, mas também capelas, moinhos e portelas. O ponto de partida tem lugar num santuário de montanha rococó do século XVIII — o Santuário do Nosso Senhor do Socorro, em Labruja. A fachada imponente, ladeada por figuras bíblicas e anjos assinala um bom presságio para o resto da caminhada, assim como a festa que por lá se celebra ao primeiro domingo de julho.

Rapidamente se alcança a Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, uma construção rústica de 1677, rodeada de inúmeras mimosas. O aspeto modesto e secular reforça a mística daquilo que será um passeio de cerca 5h30. Seguem-se as águas vindas do cimo da montanha, que assinalam a proximidade do rio Labruja, também conhecido por rio Mestre. Atravessa-se uma pequena ponte, onde se avistam os Moinhos da Várzea. Passado pouco tempo, chega-se ao ribeiro de São João — finalmente, as diversas quedas de água, que tornam tudo ainda mais idílico. Aproveite este momento, porque logo a seguir começa a subida para as Portelas. 

O próximo ponto a visitar é a Igreja Matriz de Labruja, datada de 1893. O caminho retoma, com direção à Capela de Santa Cristina, protetora das depressões, cuja romaria se celebra a 24 de julho. A partir daqui, vira-se à direita, rumo à N201. As portelas serão o destino seguinte. Tratam-se de “colos” de passagem que permitem cruzar as montanhas de forma mais segura. Em tempos, a Pequena era utilizada pelas legiões romanas, já a Grande marca o ponto mais alto do percurso — onde avistar a beleza do Vale do Labruja representa outro dos momentos altos do percurso. Se atingiu o cume, só falta agora descer — é aqui que se entra numa parte do Caminho de Santiago. 

Percorrendo uma pequena parte da mítica etapa da Labruja, há-de passar pela famosa Cruz dos Franceses ou Cruz dos Mortos, implantada no meio da floresta. Este ponto assinala o local onde os habitantes portugueses emboscaram o exército francês de Napoleão na invasão de 1809. À esquerda, segue-se rumo à Capela de São João da Grova. Um lugar bucólico que convida à reflexão.

O trilho continua (ainda a descer, não se preocupe), para rapidamente se alcançar a ponte de Porto Pinheiro. Aqui, o cenário é verdejante, mas pelo caminho é possível encontrar nas margens algumas ruínas de moinhos. Há ainda tempo para um desvio na Capela de Santa Ana, com um parque de merendas. É possível encontrar restos de sarcófagos de um antigo mosteiro Beneditino, que em tempos existiu nas imediações. Finalmente, chega-se ao Santuário do Nosso Senhor do Socorro, onde começou uma caminhada pelos segredos de Ponte de Lima.

Carregue na galeria para ficar espreitar as imagens do Trilho das Portelas.

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