Ginásios e outdoor

Com 82 quilos, Ondina Marques “queria morrer”. Agora, olha-se ao espelho com orgulho

Chegou a vestir o tamanho 48, mas atualmente já usa o 38. É fã de corridas e fica muitas vezes nos primeiros lugares das provas.
Perdeu 24 quilos.

Não é raro ouvirmos relatos de mulheres que, após a gravidez, ficaram com corpos que não reconheciam. Durante a gestação, o funcionamento das hormonas altera-se, a vontade de comer pratos mais calóricos é constante e fazer exercício físico torna-se quase impossível, devido ao desconforto provocado pelo peso a mais.

Ondina Marques Simões tem agora 60 anos, “feitos em setembro”. Cresceu na Alemanha e, com 21 anos, veio viver para Portugal, mais precisamente para o Fogueteiro. Atualmente vive na Quinta do Conde. Durante a sua juventude sempre praticou exercício e era, como se descreve, “uma miúda muito vaidosa”.

Quando estava grávida de Bruno, o seu primeiro e único filho que tem agora 37 anos, ganhou 22 quilos. “A minha alimentação era muito má e tinha falta de exercício. O corpo estava habituado a uma coisa mas eu dava-lhe outra”, recorda. Com apenas 24 anos o seu corpo mudou drasticamente e, nos tamanhos das calças, passou do 34 para o 48. Já a balança mostrava 82 quilos. “Tinha vontade de morrer”, revela.

Quando se via ao espelho não se reconhecia, e estes rapidamente se tornaram num inimigo que Ondina evitava a todos os custos. Em 2012, quando estava na República Dominicana, foi diagnostica com um problema no sangue: tinha proteína a mais. O médico recomendou que perdesse peso ou a sua saúde estaria em risco.

“Quando não queremos fazer uma coisa, não há ninguém que nos leve a fazê-la. Mas quando nos dá o clique vamos à batalha e conseguimos”, diz. Começou a perder peso graças às corridas e caminhadas que fazia quando o atual marido ia à pesca, um dos seus passatempos favoritos. “Gostei daquilo mas não conseguia fazer muito mais do que isso”.

Passado pouco tempo começou a ir ao ginásio para fazer musculação, uma parte essencial na perda de peso. Infelizmente, muitas das máquinas que pretendia usar estavam constantemente ocupadas e os treinos acabavam por ser pouco produtivos. Quando comprou uma nova casa decidiu que o sotão seria o spot onde faria os seus workouts. Lá, tem todos os equipamentos de que precisa.

A dedicação estava lá, mas começar esta jornada não foi fácil. A sua maior dificuldade (que ainda se mantém) foi perder a barriga “enorme”. “Era muito magra, depois engordei e quando perdi o peso fiquei com muita flacidez”, revela. Compara este situação à roupa engelhada. A solução era uma: “esticar” a pele através do treino dos músculos. A temida prancha e os abdominais tornaram-se em grandes amigos.

A diferença é notória.

Atualmente, levanta-se às cinco da manhã e vai para a sala fazer exercício, com a ajuda de vídeos online. “A minha gata está sempre lá e acha maravilhoso”, brinca. Não o faz durante mais de 20 minutos, porque quando o treino é mais intenso não é necessário que se prolongue por muito tempo. Além disso, não quer ir muito cansada para o trabalho, mas sim revigorada.

O exercício é importante, mas também a alimentação saudável é um requisito para que consiga perder peso. Antes, começava as manhãs com “pão com manteiga, bolos ou pastéis de bacalhau”. “Era tudo mau, e era natural que não saísse da cepa torta”, recorda. Hoje começa o dia com omeletes, abacate, mamão, kiwis, frutos vermelhos, nozes, amêndoas e as “bananas que nunca podem faltar”.

O mais importante, contudo, é mesmo água, algo que antes esquecia completamente. “Agora tenho sempre uma garrafa de litro e meio à minha frente. Chego a beber quatro litros de água por dia”, revela. A tudo isto junta o jejum intermitente que, após muita pesquisa, lhe pareceu a opção ideal. Fá-lo duas vezes por semana e fica cerca de 16 horas sem comer.

Graças a todas as mudanças no seu estilo de vida, veste agora o 38 e de 82 quilos passou para 56. Mentalmente também se sente como uma pessoa nova. “Sou uma mulher mais rápida no pensar e no agir graças à confiança que ganhei. A autoestima traz-nos coisas que nem sabíamos que tínhamos”, realça. Para ela, o amor próprio é muito importante, e se antes os evitava, agora olha-se ao espelho com orgulho. “Claro que não é a perfeição, mas estou no caminho. Posso nunca lá chegar, mas vou lutando”.

Durante este percurso acabou por descobrir um novo amor: as corridas. Está inscrita na União Recreativa da Juventude de Fernão Ferro, no Seixal e participa em várias atividades. É frequente ficar no pódio e já é uma inspiração para dezenas de colegas. “Não posso quebrar esse elo, carrego uma responsabilidade.”

Aproveita para deixar alguns conselhos. “Não façam dietas malucas porque foi isso que me fez andar toda a vida em vão. Não comia nada e depois à noite provava tudo o que havia no frigorífico. Pesquisem e façam exercício físico. Sou a prova viva de que isto ajuda. Também temos de ter paciência porque os resultados não são instantâneos.” O seu corpo já está como antes o idealizava, mas não pretende parar. “Agora quero ficar mais definida”, conclui.

Carregue na galeria e conheça a nova (e a antiga) Ondina.

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