Ginásios e outdoor

A história de como Maria perdeu 12 quilos e mudou de vida

É mais uma história de superação: da maternidade, do trabalho e do espelho que destruía a autoestima. A NiT conta-lhe como tudo aconteceu.
Maria Tavares tem 34 anos.

Por vezes o marido de Maria Tavares pega numa das fotos antigas da mulher e diz de forma jocosa: “parecias uma baleia”. Até pode parecer, mas não é ofensivo. É o tom de brincadeira de quem olha para o passado com a descontracção que o presente agora dá. É o mesmo tom de brincadeira que Maria usa ao recordar à NiT. “Na altura não dizias isso”, ri-se.

Na altura, leia-se, foi há sete anos. Quando Maria, agora com 34 anos, natural de Lisboa, foi mãe. A maternidade é um mundo de transformação para qualquer mulher. Sente-se na vida e sente-se no corpo. Maria preocupava-se. O marido, os amigos e a família próxima diziam-lhe sempre que não, que estava bem.

Porém, não era isso que Maria sentia quando se olhava ao espelho. Ao contrário das piadas em casal de hoje, na altura Maria pensava de facto menos de si própria. Era uma sensação muito real. Até então, o peso nunca fora uma preocupação. Era ativa quando era miúda e não era especialmente dada a grandes abusos com a comida. “Sou baixinha, mas sempre tive um corpo normal”, conta-nos. Depois da gravidez, chegou aquela insegurança extra. “O meu corpo transformou-se brutalmente”.

Maria sabia que ia precisar de fazer algo. Mas há o trabalho, a maternidade; é a vida em geral que se intromete. “Sou mulher, sou mãe, tenho um trabalho, tenho de tratar das coisas da casa, não tenho tempo. E é muito fácil refugiar-nos num ‘não tenho tempo’”, destaca. “Sentia que eu não era uma prioridade, que não podia ser uma prioridade”.

O tempo passou. “Levei muito tempo a arranjar o foco e a motivação necessária”, recorda. Foram quatro anos, para sermos precisos. Só para começar a quebrar o ciclo. Durante este tempo, o trabalho no banco levou-a a conhecer o PT Tiago Reis Silva.

Por razões profissionais iam falando e o PT percebeu que Maria procurava a tal mudança. Desafiava-a: “Venha até ao rio [Tejo] e vê uma sessão de treino. São 10 minutos”. O PT insistia mas Maria ainda continuava no tal dilema: “Não tenho tempo”.

Foi em 2018 que Maria assumiu finalmente que haveria tempo. Com a ajuda do marido, da mãe e da sogra organizou a agenda para o filho e às terças e quintas-feiras havia finalmente tempo para se dedicar apenas a ela. Trabalhou um mês com o PT mas uma mudança de emprego meteu-se. Desta vez, o tal “não tenho tempo” era mesmo implacável. “Não dava mesmo”. Mas não foi definitivo. O tal mês já provara que era possível.

Saltemos uns meses, para outubro de 2019. Cinco anos depois de ser mãe, com o apoio da família, em especial do marido, e as mudanças na vida profissional pelo meio, chegara a altura certa. Era uma necessidade. Era pelo lado estético, e por tudo o que isso traz em termos de impacto na autoestima. Mas também de saúde.

Quando recomeçou, e em definitivo, os treinos, tinha 55 quilos. Está agora com 43. Mais importante: sente-se como nunca se tinha sentido, capaz de enfrentar até outros percalços pelo meio.

Já este ano, teve de parar devido a uma operação aos joanetes. Pelas experiências pessoais, até pelo parto por cesariana, Maria já sentira dificuldades em lidar com o pós-operatório, tanto com a anestesia como com o tempo de recuperação, que era sempre maior do que o desejado.

Desta vez, três dias depois estava já a fazer abdominais. Uma semana após a cirurgia, explicava ao médico que não precisava de tomar analgésicos de quatro em quatro horas. “Tomei de oito em oito horas”, conta. O médico explicou-lhe que não havia problema nenhum. Os analgésicos eram para as quando as dores fossem demasiado fortes. “Não sei o que a Maria está a fazer mas o que quer que seja, continue”, recorda Maria da conversa com o médico. Maria sabe. Conta à NiT que nunca se sentiu tão em forma, tão fisicamente capaz. E ela continua.

“Sempre fui uma pessoa muito independente mas anulei-me um bocadinho nesse sentido”, admite. “Foi preciso mudar o mindset”. Isto teve de acontecer a vários níveis, tanto na forma como pensava em si, no seu tempo para ela própria, mas também na relação com o treino. Aí ajuda também o trabalho de um PT que a percebe e se adapta. “Sou uma pessoa que tem de ter objetivos” e isso ajuda. Mas não só. “Nunca foi muito de corrida, que não gosto especialmente de correr”. Por essa razão, a corrida não era o principal foco nos treinos com o PT.

Maria gosta de trabalhar por objetivos.

Os treinos foram sempre em apostas de treino funcional, especialmente focados no peso do próprio corpo. Ao longo do tempo, o PT foi introduzindo alguns acessórios e aparelhos, como ketlebells e barras, mas a evolução foi natural.

Foi um processo de dedicação e disciplina da própria, e de acompanhamento. Foi a insistência do PT e a sua mudança de forma de estar. Foi o apoio à volta, em especial do marido, e aquela perceção de que tinha de fazer mais por ela. Aos dois treinos semanais, o PT juntou sempre alguns “trabalhos de casa”.

Maria conta-nos que a dada altura surpreendia até o próprio PT, o marido e todos à sua volta. Chegou a saltar do sofá às 22 horas, já com o filho a dormir, e foi fazer exercícios. Curiosamente, mesmo não sendo fã, até começou a juntar por livre iniciativa algumas corridas ao domingo de manhã, já este ano. Não é preciso muito para se perceber que o treino virou paixão.

As grandes mudanças que fizeram a diferença foram no tipo de treinos e na disponibilidade mental. Mas ao envolver-se mais neste aspeto na sua vida, houve também algum espírito autodidata com a alimentação. Passou a estar mais atenta ao tipo de hidratos e gorduras saudáveis que poderiam ajudar mas também a ter em mente a ideia de restrição calórica, em que não esquecemos a lição: se queremos perder peso, é importante não consumir por dia mais calorias do que aquelas que conseguimos gastar.

A pandemia não deixou de ser um desafio, mas entre teletrabalho e telescola, o tempo que antes era para deslocações foi também aproveitado. Houve familiares e amigos com quem não esteve nessa fase. Quando se reencontraram a mudança que Maria sentira nela própria era óbvia para outros. “Ficaram naquela: ‘o que é que se passou?’”. “Comecei a treinar”, respondia-lhes. E nunca mais parou.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT