Ginásios e outdoor

Paula conseguiu trocar as calças 50 pelas 40: “A gordura nas ancas não era genética”

Era sempre "a gordinha" do grupo e chegou a pesar mais de 100 quilos. Decidiu mudar porque não conseguia acompanhar a filha.
Já perdeu mais de 30 quilos.

“Comia uma tablete de chocolate em 15 minutos. Havia sempre espaço para mais.” Paula Matos, de 32 anos, sempre teve uma relação de “altos e baixos” com a balança. Passou várias vezes a barreira dos 100 quilos, mas conseguiu finalmente largar as dietas iô-iô. Já perdeu um terço do que pesava inicialmente — e de forma “sustentável”.

Quem sofre de excesso de peso pensa muitas vezes em mudar. Experimenta os regimes, tratamentos e até mezinhas caseiras da moda. O problema é que poucos funcionam a longo prazo, realidade que Paula conhece bem.

A jovem natural da Lourinhã decidiu mudar de país logo no final da licenciatura em gestão hoteleira, quando tinha 21 anos. “A perspetiva salarial e da qualidade de vida não eram as melhores, por isso, decidi emigrar”, conta. Na altura, pensava ficar apenas uma temporada fora, mas as condições que encontrou num hotel na Alemanha fizeram-na mudar de ideias: vive em Frankfurt 10 anos.

A vida de emigrante não é fácil, mas Paula adaptou-se facilmente. O único problema era o peso. “Passava a vida a fazer dieta: perdia, mas depois ganhava. Quando fui pedida em casamento fiquei super focada em emagrecer e consegui. E, no ano seguinte, engravidei.” Durante essa fase acabou por deixar se preocupar com peso. “Cheguei aos 110 quilos. Comia tudo o que me apetecia e nunca dizia que não aos doces. Nem me apercebia. Após o parto, dava sempre a desculpa que tinha sido mãe e era normal ter gordura.” Quando a bebé completou dois anos, percebeu que tinha de mudar.

A minha filha queria brincar, andava por todo o lado, e não conseguia acompanhá-la. Não tinha força, nem capacidade para o fazer”, conta à NiT. Lembrou-se de como era em pequena e caiu-lhe a ficha. “Sempre fui gordinha. Em miúda pesava 85 quilos e isso limitou-me a vida. Não queria ser esse exemplo para ela.”

Voltou a fazer dieta. “Cortei os hidratos de forma radical e os resultados apareceram logo, claro. Três meses depois voltei a cair no ciclo vicioso: recomecei a comer doces, porque já tinha conseguido perder peso. Os números da balança acabaram por voltar a subir novamente.”

Frustrada, assim que aterrou em Portugal, para as tradicionais férias em família, desistiu. “Assim que chegava, matava as saudades que sentia dos bolos, dos pastéis de natas e da comida da mãe.” Quando se preparava para regressar à Alemanha já tinha voltado ao peso que tinha após a gravidez. Voltou à carga e, mais uma vez, recorreu ao plano que já conhecia. “Entre agosto e novembro andei num sobe-e-desce de peso. Perdia dois quilos, ganhava três. Sempre assim.” Mas tudo mudou quando viu uma fotografia de uma familiar, que estava visivelmente mais magra. Perguntou-lhe qual era o segredo e decidiu seguir o conselho.

Quebrar o círculo vicioso

“A minha madrinha tinha feito o programa Get Really Fit Plan, da personal trainer e coach Sofia Cabral. Como já não sabia o que fazer, decidi experimentar.” Paula começou o plano em novembro de 2022, com dois grandes objetivos: fazer uma reeducação alimentar e deixar de fugir do exercício que tanto abominava.

“Nunca gostei de desporto. Em miúda inventava dores de barriga para não fazer aulas de educação física, sobretudo se envolvesse corrida. Depois das primeiras mentorias percebi que tinha de acabar com as desculpas e começar a mexer-me. A Sofia criou um plano com sessões de meia-hora, que passei fazer sempre que conseguia encaixá-las na minha rotina”, revela.

Os doces passaram a estar reservados para momentos especiais e, no dia a dia, opta por alternativas mais nutritivas e proteicas. Os hidratos fazem parte da dieta em todas as refeições, mas percebeu que as quantidades têm de ser sempre adequadas ao seu organismo. Deu também uma oportunidade aos legumes e percebeu que “não eram assim tão maus”. “No fundo, percebi que não há uma dieta mágica para perder peso. Para emagrecer temos de conseguir fazer uma alimentação normal e equilibrada, sem restrições malucas.”

Passou a pertencer ao clube da marmita. “Como trabalho num hotel não tinha hábito de trazer lancheira, até porque temos todo o tipo de comida à disposição. Mas quando comecei o plano decidi passar a preparar sempre as refeições, porque assim consigo controlar o que posso comer. Não é fácil, porque as tentações estão em todo o lado.”

Atualmente pesa 73 quilos, mas ainda não chegou ao objetivo. “Quando comecei queria chegar aos 70. Contudo, ao longo desta caminhada também percebi que o peso não é tudo. Agora sinto-me bem como estou, mas quero ganhar massa muscular e ficar tonificada”, revela.

Durante o processo o que mais mudou foi a mentalidade da jovem portuguesa. “Sempre me disseram que não ia conseguir emagrecer, que ia ser sempre a gordinha, porque já era de família. Agora provei que consigo. Com muito esforço, é possível. A gordura que tinha acumulada na anca não era genética. Aliás, as minhas calças provam-no. Passei de um 50, para um 40”, acrescenta.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT