Apostamos que já ouviu falar no método Pilates. Se nunca praticou a modalidade, provavelmente conhece alguém que a pratique ou, pelo menos, já ouviu falar nela. Se calhar até leu qualquer coisa sobre os movimentos rotativos algo estranhos do cantar Harry Styles, um dos adeptos mais famosos do método criado por Joseph Pilates.
O alemão sofreu de asma e raquitismo na infância e para superar estes problemas de saúde tornou-se autodidata, estudando formas de movimento e treino que lhe trouxessem benefícios. Abriu o seu primeiro estúdio, o Studio de Pilates, em Nova Iorque, em 1923, onde Joseph tinha o cuidado de personalizar o treino: a cada pessoa, as suas necessidades. Este princípio permitiu que a modalidade se tornasse dinâmica e abriu caminho a outras variações, um dos motivos do sucesso que continua a fazer até hoje.
A atividade tem cada vez mais adeptos que mostram que é uma prática benéfica para todos — mas a tendência não é recente. Ultimamente, porém, ganhou especial atenção. O motivo? Uma proposta diferente de a praticar. Esqueça as sessões de Pilates com aparelhos, no chão ou na rua. A tendência mais recente é praticar a modalidade contra uma parede — e já virou mania nas redes sociais (especialmente no TikTok).
Sim, sabemos que ao TikTok já chegaram quase todas as modas possíveis e imaginárias. E a verdade é que grande parte delas se tornou viral em pouco tempo. Desta vez, a mais recente a surgir nos feeds desta plataforma está a conquistar os entusiastas apaixonados por desporto e por um estilo de vida saudável.
Colchão no chão, pernas ao alto, encostadas à parede e movimentos vários. À primeira vista parece simples — afinal, não é mais do que a prática de exercícios comuns desta modalidade, utilizando a parede como apoio. No entanto, esta versão de Pilates tem conquistado todos — muito devido à simplicidade do formato.
“É um método de baixo impacto, em que se realiza exercícios já conhecidos do Pilates, no qual a parede serve de apoio para facilitar a execução dos mesmos. O objetivo será, então, o fortalecimento muscular, a correção postural, o alívio e prevenção de dores, entre outros”, explica à NiT a fisioterapeuta Carolina Silva, da Clínica Fisiogaspar.
O problema é que este novo modelo é oferecido quase como sendo milagroso. Corrige a postura, melhora a flexibilidade e o equilíbrio, reduz e previne dores, alívio de tensões musculares, desenvolve a marcha e corrida — e toda uma panóplia de promessas. Porém, a especialista explica que pode não ser bem assim.
“Ao contrário do Pilates tradicional e do clínico, não existe evidência científica que comprove os efeitos da tonificação muscular ao utilizar este método”, diz. “O que não quer dizer que não se verifique efetivamente esta tonificação muscular”, acrescenta logo a seguir.
“É uma atividade física, e como qualquer outro tipo de exercício, se for realizado de forma correta e com os cuidados necessários, vai promover um aumento da força muscular (se for esse o objetivo pretendido) e será uma mais-valia para a saúde. Ainda assim, é necessário ter em atenção alguns aspetos se estiver a pensar iniciar este tipo de atividade“, deixa o aviso.
Por poder ser praticado em casa, sem qualquer acompanhamento, o Pilates na parede deve ter, então, um cuidado e atenção redobrados. “Se tiver algum tipo de dor, lesão ou limitação física, deve consultar primeiro um profissional de saúde, nomeadamente, um fisioterapeuta. É importante também que tenha sempre em mente os elementos-chave do Pilates tradicional: respiração, centralização, controlo, concentração, precisão e fluidez. Por fim, deve realizar os exercícios descalço ou com meias antiderrapantes, para evitar o risco de queda.”
Tendo estas recomendações como base, o céu é o limite. O melhor é que os exercícios podem ser praticados por pessoas de várias idades. Para os iniciantes, este modelo tem a vantagem de apresentar um menor risco de se desequilibrarem e caírem, por exemplo.
A seguir, carregue na galeria para ver alguns exemplos de exercícios que pode fazer em casa. Contudo, Carolina Silva recomenda que o faça com cuidado: “Reforço que é um método muito recente, ainda pouco utilizado pelos fisioterapeutas e/ou instrutores de Pilates em Portugal, que apresenta os seus riscos, caso não seja bem executado. Até ao momento, não existem evidências comprovadas pela literatura científica dos seus benefícios”.

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