Ginásios e outdoor

Podologista avisa: as sapatilhas mais populares de sempre podem fazer-lhe mal aos pés

António Figueiredo explica à NiT os perigos em usar dois dos modelos que quase todos temos em casa.

As Converse Chuck Taylor All Star e as Nike Air Force 1 estão entre as sapatilhas mais reconhecidas de sempre. Foram criadas para o basquetebol, mas há décadas que fazem parte do guarda-roupa de quem as usa no dia a dia. O problema é que a popularidade e o conforto que muitas pessoas associam aos dois modelos não significam que sejam escolhas adequadas para a saúde dos pés. António Figueiredo, podologista, explica à NiT que há vários fatores que devem ser considerados antes de escolher o calçado.

“As vantagens de usar qualquer um destes calçados é muito reduzida”, afirma o especialista. A explicação passa pela forma como os pares são construídos e pela maneira como cada pé responde ao calçado. A largura da base, o espaço disponível para os dedos, o amortecimento e a capacidade de adaptação ao movimento podem influenciar a distribuição das cargas durante a marcha.

As Chuck Taylor têm uma construção simples, com parte superior em lona, sola de borracha vulcanizada e uma estrutura com pouca intervenção entre o pé e o chão. As versões atuais incluem uma palmilha OrthoLite, mas continuam a ter uma construção muito diferente da encontrada em modelos pensados para caminhada ou corrida. A proximidade ao solo pode dar uma sensação de estabilidade, mas isso não significa que exista suporte suficiente para o retropé.

Para António Figueiredo, há ainda outro problema. “Por norma têm uma base estreita e são muito planas”, explica. A consequência pode ser mais relevante para pessoas cujo pé necessita de maior apoio ou espaço. A forma das sapatilhas pode não acompanhar a anatomia de todos os pés e a ausência de estrutura pode tornar-se um problema quando existem alterações na marcha ou determinadas patologias.

A zona dianteira também merece atenção. Nas All Star, a parte dos dedos tem uma estrutura reforçada que pode limitar o espaço disponível para o antepé. “Apresentam a zona dos dedos dura e reforçada com materiais impermeáveis criando traumatismos de repetição e aumento de transpiração”, diz o podologista.

Esse contacto repetido pode ter consequências ao longo do tempo. “Podem ir criando algumas deformidades ao longo dos anos”, explica António Figueiredo. Entre os problemas que associa a este tipo de utilização estão “unhas encravadas e grossas, hematomas subungueais, onicomicoses, dedos em garra, fasceítes plantares, dores no tendão de Aquiles”.

As Nike Air Force 1 apresentam uma construção diferente. Têm uma sola mais robusta e entressola de espuma, além da parte superior em couro ou materiais sintéticos. A plataforma é mais estruturada do que a das Converse, o que altera a forma como o pé interage com o chão.

Essa diferença não faz, por si só, da Air Force 1 uma sapatilha indicada para todos os pés. A maior estrutura pode modificar a liberdade de movimento do pé e a forma como as articulações e os músculos suportam a carga durante a marcha. O facto de parecer mais almofadada ou robusta também não significa que esteja adaptada à anatomia de quem a usa.

Existe ainda uma questão que pode passar despercebida: a caixa dos dedos. Afinal, precisam de espaço para se posicionarem e contribuírem para a estabilidade durante a caminhada. Quando ficam comprimidos de forma repetida, podem surgir zonas de pressão e desconforto, além do agravamento de algumas deformidades já existentes.

“Não basta verificar se as sapatilhas ‘servem’”, explica António Figueiredo. Na escolha do calçado, deve ser tido em conta o comprimento, a largura e o espaço disponível na zona dos dedos. O pé também pode aumentar de volume ao longo do dia, pelo que um modelo que parece adequado de manhã pode tornar-se apertado algumas horas depois.

O podologista destaca ainda outros critérios que considera importantes na escolha de um novo modelo. “A capacidade de amortecimento da sola, o drop, a resistência dos materiais, o espaço interno dos sapatos e a permeabilidade de dentro para fora são dos fatores mais importantes a ter em consideração quando se está a escolher o calçado perfeito.”

O chamado drop corresponde à diferença de altura entre o calcanhar e a zona dianteira das sapatilhas. É apenas um dos elementos que interfere na forma como o pé e o membro inferior lidam com a carga. A rigidez da sola, o formato da plataforma e a forma como o calcanhar fica contido também podem alterar a experiência durante a marcha.

Para quem procura calçado para caminhar durante várias horas, António Figueiredo aponta características que devem ser procuradas. “Procuraria uma sapatilha especificamente desenhada para caminhada, com maior espaço funcional para os dedos; boa adaptação ao formato do pé; entressola adequada; boa estabilidade; amortecimento equilibrado; peso relativamente baixo; sola com geometria apropriada para a marcha.”

A escolha também não deve ser feita apenas pela aparência ou pela popularidade de determinado modelo. “A fisionomia de cada pessoa também é crucial para esta seleção cuidada”, acrescenta. Um modelo que funciona para uma pessoa pode criar pontos de pressão ou não oferecer o suporte necessário a outra.

Carregue na galeria para conhecer algumas sapatilhas de caminhada que podem ser mais recomendadas.

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