“Percebi que o que realmente prende as pessoas não é a partida, é o que acontece a seguir.” Foi esta conclusão, depois de mais de duas décadas ligadas ao setor dos cruzeiros e de assistir ao crescimento do Padel em Portugal, que levou Marco Lima a criar um conceito inédito no País. “E se esse ‘a seguir’ durasse cinco dias?”, diz à NiT o fundador do CruiseLovers, uma empresa que cria experiências diferentes nestes navios.
A resposta chega em outubro, com o primeiro cruzeiro português totalmente dedicado à modalidade, onde os participantes vão competir durante o dia e partilhar refeições, festas e conversas a bordo quando os jogos terminarem.
O Cruise Padel parte de Barcelona a 23 de outubro e regressa quatro dias depois, a 27, num percurso pelo Mediterrâneo ocidental que inclui escalas em Marselha, no sul de França, e Génova, em Itália. Ao todo, serão cinco dias em alto-mar, mas o torneio não vai decorrer no navio. Pelo contrário.
“Podíamos ter improvisado um campo no convés, mas quem joga a sério sabe a diferença entre um campo verdadeiro e um cenário para fotografias”, explica Marco Lima. Em vez disso, a organização optou por levar os participantes a clubes locais nas duas cidades. “Preferimos levar as pessoas a jogar em clubes reais, em duas cidades, do que dar-lhes um simulacro com vista para o mar”, acrescenta.
A ideia nasceu da união de duas áreas que o empresário conhece bem. Marco Lima trabalha no setor das viagens há mais de 20 anos, sempre ligado aos cruzeiros. Entrou na agência de viagens Famatour como colaborador, acabou por adquirir a empresa e é hoje diretor-geral.
Durante a pandemia criou ainda o CruiseLovers, inicialmente para manter viva a comunidade de fãs de cruzeiros numa altura em que os navios estavam parados. O projeto cresceu e transformou-se numa plataforma de conteúdos e numa comunidade com milhares de seguidores, da qual acabou por nascer este novo conceito.
Segundo o responsável, o sucesso do Padel em Portugal também ajudou a desenhar o formato. Afinal, a modalidade deixou de ser apenas um desporto para se tornar numa forma de convívio. Os jogos são muitas vezes apenas o ponto de partida para jantares, encontros entre amigos ou até contactos profissionais. A sua intenção foi prolongar esse ambiente durante vários dias, num espaço onde todos acabam por se cruzar.
“Um navio faz uma coisa que nenhum hotel faz: obriga as pessoas a cruzarem-se. Não há para onde fugir, e é isso que cria comunidade”, defende. “Juntamos o mar e o Padel e o resultado é um torneio em que jogamos de manhã em Marselha ou em Génova e à noite estaremos a jantar com quem nos ganhou.”
A competição destina-se sobretudo aos jogadores intermédios, que representam a maioria dos praticantes da modalidade em Portugal. A organização deixa claro que não se trata de um evento para profissionais, mas também não foi pensado para quem começou a jogar há pouco tempo.
Outro dos objetivos passa por criar uma verdadeira comunidade entre os participantes. Por isso, o número de inscrições foi limitado a 120 pessoas, apesar de o navio conseguir receber muitos mais passageiros.
“Acima de 120 pessoas isto deixava de ser uma comunidade”, explica. “A partir de certo número já não conheces ninguém, já não sabes quem ganhou, já não há aquele momento em que te sentas ao jantar com quem enfrentaste de manhã.”
Grande parte dos inscritos até agora, revela, são empresários, quadros de empresas e grupos de amigos que costumam jogar juntos durante a semana. Muitos fazem a reserva em conjunto com colegas do clube ou através dos grupos de WhatsApp onde organizam as partidas. Há ainda quem aproveite a viagem para levar a família, mesmo que nem todos participem no torneio, uma vez que o programa do navio inclui atividades para acompanhantes.
O Cruise Padel realiza-se a bordo do MSC Magnifica, embora não se trate de um navio exclusivo para o evento. A organização reservou um bloco de camarotes para o grupo, permitindo que os participantes usufruam de toda a infraestrutura disponível, como restaurantes, piscinas, spa, teatro e casino, e inúmeros espetáculos.
“O navio é a outra metade da experiência. É um club house flutuante”, resume Marco Lima. Os camarotes incluem casa de banho privativa, ar condicionado, televisão interativa, cofre e minibar, estando disponíveis opções interiores, exteriores com janela ou com varanda. O responsável admite que muitos participantes acabam por optar pela última categoria para aproveitar a vista durante a chegada aos portos.
O preço da experiência começa nos 1.190€ por pessoa e inclui voos de Lisboa ou Porto, transfers, o cruzeiro em pensão completa, taxas portuárias, gorjetas obrigatórias e seguro de viagem. A inscrição no torneio é facultativa e custa mais 49€.
“Um fim de semana num torneio no estrangeiro, com voos, três noites de hotel, refeições e inscrição, dá facilmente este dinheiro e são apenas três dias. Aqui são cinco, com todas as refeições e um programa à noite que não acaba”, compara.
As reservas já estão abertas através do site oficial da Cruiselovers.
Carregue na galeria para conhecer o navio que vai receber esta viagem.







