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Quentes e coloridas. Novas sapatilhas da Sanjo são feitas com lã da Serra da Estrela

O tecido que aquecia os nossos avós está mais na moda do que nunca. Além de confortáveis, são perfeitas para os skaters.
São perfeitas para as estações frias.

Moda, tradição e skaters. Estes são os três ingredientes da nova receita de sucesso da Sanjo. A marca portuguesa termina o ano em que celebra o 90.º aniversário, com o lançamento de uma coleção especial. Juntou-se uma vez mais à Burel Mountain Originals, para criar algo muito diferente do que tinham feito nas colaborações anteriores.

Os modelos apresentam “uma harmonia inexplicável” que une o conforto, à funcionalidade. Inspirada nos cenários mágicos da Serra da Estrela no inverno, a linha combina o design vintage com a lã, “utilizada pelos pastores da região desde sempre”.

As novas sapatilhas feitas em burel são “resistentes à chuva, neve e frio” — características que os skaters vão adorar, porque a aderência à tábua continua assegurada.

“Quisemos trazer a Sanjo de volta a casa, tanto a nível de produção, como no que respeita à utilização e valorização dos materiais”, conta à NiT Vítor Costa, diretor criativo da etiqueta. “O entusiasmo dos portugueses foi incrível. Nos últimos três anos sentimos um aumento inegável da popularidade entre o público mais jovem e feminino.”

“O universo de cores e texturas do burel, um tecido artesanal português,  fascinam-me desde a primeira coleção em 2020. Porém, ao contrário das experiências anteriores, desta vez criámos uma harmonia perfeita entre a silhueta e o material”, garante.

Quanto à razão de conjugar os modelos mais icónicos da etiqueta com este tecido, Vítor admite que não foi uma surpresa. “Identifico dois traços comuns às duas: a promoção e elevação da cultura portuguesa. Considero que estes dois fatores e a consistência dos produtos criados valorizaram-nos.” Contudo, há outro motivo: a dedicação e preservação do património industrial. Um tema a que marca nonagenária que se tem reinventado ao longo dos anos atribui especial importância.

A Sanjo foi lançada corria o ano de 1933, pelas mãos da Companhia Industrial da Chapelaria, uma empresa que se dedicava (até então) a produzir chapéus. Num país com o mercado completamente fechado ao mundo exterior, a insígnia — que ganhou o nome em jeito de homenagem à cidade que a viu nascer, São João da Madeira — foi um verdadeiro sucesso.

Cresceu e prosperou, ao ponto de muita gente em Portugal ter um modelo das famosas sapatilhas no armário. Mais tarde, em 1974, tudo mudou. Com a queda da ditadura, inúmeras etiquetas internacionais entraram no mercado português e a Sanjo não foi capaz de fazer face à concorrência. Depois de algumas tentativas falhadas para voltar ao caminho do sucesso, em 2019 conseguiu efetivamente voltar.

sanjo
O par “mais especial” da coleção.

No início deste ano foram ainda mais longe e deram os primeiros passos na internacionalização. “Fechámos 2023 muito entusiasmados nesse sentido. Já estamos presentes em Espanha, França, Italia Bélgica, Holanda, Suécia e, mais residualmente, na Alemanha”, refere o diretor criativo.

A nova coleção, embora muito recente, já está a ser um sucesso. Mas Vítor Costa destaca um par “especial”. “As Burel OG em verde, têm um cor nova no catálogo das lãs e a abordagem que fizemos recupera o estilo das botas de montanhismo dos anos 80. Ao mesmo tempo, valoriza toda a premissa das Sanjo que querem inovar, mas sem esquecer o património.”

O modelo é feito com o material usados nas capas e casacos para os dias de chuva, que contrasta com a borracha resistente da sola e da biqueira das sapatilhas. Pode encontrar as OG no site da marca desde o tamanho 35 ao 45 e custa 79,60€.

No entanto, não é o bestseller. “O pódio está dividido entre o Navy e Yellow nas versões OG e as Ebano e Boletos nas versões permanentes”, clarifica.

Caso queira perceber o motivo, carregue na galeria para descobrir os detalhes dos modelos da nova coleção da Sanjo com a Burel. Spoiler alert: há modelos para fazer matchy-matchy com os miúdos.

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