Ginásios e outdoor

Ricardo Almeida é um sneakerhead assumido — já tem mais de 80 pares de sapatilhas

Os apaixonados por este tipo de sapatos são designados por esta expressão peculiar, uma comunidade em crescimento em Portugal.
São mais de 160 sapatilhas diferentes.

Sneakerhead pode ser um termo desconhecido para muitos. Porém, não é propriamente recente. Nasceu nos anos 60 para designar os apaixonados por sapatilhas diferentes, de edições limitadas, e pela história por trás de cada par. A expressão ganhou popularidade nos últimos anos, sobretudo nos Estados Unidos da América. Por cá, sneakerheads pode ser uma descrição pouco utilizada, mas isso não significa que não existam portugueses loucos por sapatilhas.

Alguns calçam-nas para demonstrar um estilo ou atitude particulares. Outros gastam centenas (ou milhares) de euros para adquirir uma criação única fruto de alguma colaboração especial. As marcas estão atentas à evolução desta tendência e têm lançado modelos diferenciados e exclusivos, para que o número de verdadeiros fãs e colecionadores continue a multiplicar-se.

A comunidade de sneakersheads em Portugal está em crescimento, um fenómeno fruto de uma nova contracultura em que os modelos de sapatilhas representam mais do que a adesão a uma estética — são também uma afirmação de estilo de vida street urban.

Ricardo Almeida tem 32 anos é diretor do “Contracoutura”— uma plataforma dedicada à arte lançada em 2018 — e é um sneakerhead assumido, apesar de não se considerar colecionador. “Sou simplesmente um verdadeiro apaixonado por sapatilhas. Gosto de as ter, de as usar e de as acumular”, diz à NiT. 

Tem mais de 80 pares de edições limitadas ou com uma história para contar. Um número que podem considerar absurdo, mas que para Ricardo (e comparado ao que vê lá fora) é “muito normal”. 

Como tudo começou

A paixão pelas sapatilhas nasceu quando andava na escola, época em que praticava basquetebol. Os modelos criados para esta modalidade específica sempre o fascinaram. Sobretudo os pares com detalhes diferentes. “Nessa altura ainda não era algo muito sério”, lembra. “O momento em que comecei a colecionar coincidiu com a minha ida para Barcelona. Quando fui viver para a cidade catalã, por questões de trabalho, comecei a estar a par dos lançamentos de pares icónicos e aí passei a conviver com a grande comunidade de sneakerheads que lá existia”.

Sempre que um modelo novo era lançado, juntavam-se vários elementos no local do lançamento. “Juntei-me a eles muitas vezes. Normalmente acampávamos à porta da loja e os proprietários, que já nos reconheciam, vinham falar connosco, beber um café. Viviam-se momentos incríveis. Uma verdadeira comunidade”. E foi nessa altura que começou realmente a dar importância ao significado de cada par.

“Já não era só a estética, interessava-me também a história por trás da cada criação e colaboração”, conta. “A partir daí comecei a acompanhar o tema mais de perto, a estudar, a comprar consideravelmente mais e a respeitar cada par. Neste momento, olho para as sapatilhas como obras de arte.”

O primeiro par que comprou, já como snekerhead assumido foram umas Nike Air Force 1, fruto de uma colaboração especial com o jogador de futebol brasileiro, Ronaldinho, em 2013. As suas favoritas, como conta à NiT são umas New Balance 327 desenhadas por um designer seu amigo, Filipe Matayoshi, que tinham um preço de mercado de 220€. Estas competem com as ASICS Gel Lyte III — Koi, com as quais mantém uma relação emocional muito forte. “Custaram cerca de 150€”, revela.

Estes valores podem ser assustadores para alguns, mas não são os mais elevados da coleção. Ricardo confessa à NiT que as sapatilhas mais caras que comprou custaram-lhe 400€ no mercado secundário. Encontrámos o modelo no site da Farfetch por 1.582€ . Estamos a falar de umas Adidas Yeezy 350 Turtle Dove, que segundo o sneakerhead “foram as primeiras deste modelo”. Porém, as que mais deseja são as Nike Air Mag “uma edição que me remete para o filme ‘Regresso ao Futuro’ porque têm uma componente tecnológica e calçam-se sozinhas”. O par está avaliado, neste momento, em mais de 100 mil euros (mais precisamente 100.960,00€).

Além deste modelo de valor estratosférico confessa que lhe faltam muitos outros pares na coleção, surpreendentemente, alguns dos mais comuns, como umas Nike Air Force 1 Low brancas, umas Adidas Superstar ou umas Vans Old Skool em preto. Para os querem começar uma coleção, em Portugal, o colecionador aconselha as lojas Xtreme, a Sneaker Delight, a JD sports, a Bae, ou Wrong Weather, como as mais que têm os modelos mais interessantes.

Os fãs de sapatilhas não são todos iguais

Segundo glossário da comunidade existem vários tipos de sneakerheads, cada um com a sua particularidade. O “sneakernerd”, como o nome indica, é um nerd que adora sapatilhas. Procura saber todas as informações detalhadas relativas ao modelo, história, ano, inspiração, detalhes técnicos e para quem foi criado.

Os “high end” gostam do luxo. Normalmente só compram modelos de marcas luxuosas. Já os “despreocupados” são o oposto. Adoram os pares mais raros, mas não lhes dão assim tanta importância. Se o modelo estiver com furos ou manchas, essas marcas de uso não são relevantes. Por outro lado, os “hypebeast” gostam é de tudo o que é tendência, sem olhar para o preço.

Num patamar mais elevado encontramos os “colecionadores” que procuram sempre os modelos mais exclusivos e que gostam de cuidar das sapatilhas e de as manter em bom estado. O último grupo é o dos “fashionistas” que não descuram nenhum detalhe do look: as sapatilhas têm sobretudo de combinar com o outfit, o resto não é tão importante. 

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