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Ginásios e outdoor

Roberto Fonseca fez a EN2 de patins ao lado da mulher e da filha de 6 meses

“Senti muito orgulho, não só por mim, mas também por termos conseguido fazer isto em família”, conta à NiT.

Quando começou a subir a Sertã, depois de passar Góis, Roberto Fonseca já levava vários dias consecutivos a fazer cerca de 80 quilómetros (diários) de patins, sem descanso. O desgaste acumulado começou a pesar. “Estava muito cansado e sentia o corpo pesado. As pernas já estavam duras e ainda tinha muito para subir”, conta à NiT. Esse acabou por ser o momento mais exigente de toda a viagem. “Cheguei a chorar porque foi mesmo muito complicado. É uma emoção estranha, porque queres continuar, mas ao mesmo tempo estás completamente esgotado.”

Aos 34 anos, o criador de conteúdo — que também tem uma escola de patinagem inaugurada em 2023 na Póvoa do Varzim, onde vive — decidiu percorrer toda a Estrada Nacional 2, tornando-se, segundo o próprio, o primeiro a fazê-lo. O percurso arrancou a 20 de abril, em Chaves, e terminou no dia 29 em Faro. Ao longo de nove dias, fez 738 quilómetros.

A ideia começou a ganhar forma depois de um desafio anterior. Em 2023, fez a ligação entre Porto e Lisboa em três dias, com uma média de 120 quilómetros diários — mas num só dia chegou a fazer 160 quilómetros. A experiência deixou-lhe a sensação de que podia ir mais longe. Decidiu, então, avançar, para algo mais abrangente: atravessar o País de uma ponta à outra.

Pelo meio, transformou esse objetivo numa motivação pública. Lançou um desafio aos seguidores: se atingisse os 10 mil, avançaria com a EN2 completa. O número foi rapidamente ultrapassado e, enquanto preparava a viagem, já contava com 70 mil.

A preparação foi pensada ao detalhe, tanto a nível físico como mental. Durante dois meses, treinou com um personal trainer, com foco no reforço muscular das pernas, abdominais e lombar, já a pensar na exigência das subidas.

Em paralelo, foi acumulando quilómetros de patins para adaptar o corpo e ganhar resistência. “Sabia que ia ter de subir muito e essa é sempre a parte mais difícil”, explica. Mais do que a condição física, quis também preparar a mente para a consistência necessária ao longo de vários dias seguidos.

Ao contrário do desafio entre Porto e Lisboa, onde privilegiou velocidade e distância diária, na EN2 teve de ajustar o ritmo ao terreno. “Houve um dia em que só fiz 65 quilómetros porque era sempre a subir”, conta. Já nas zonas mais planas, sobretudo no Alentejo, conseguiu recuperar: “No último dia fiz 120 quilómetros, já era mais tranquilo, com mais retas”.

Nunca fez pausas ao longo dos nove dias, o que aumentou a exigência física. Ainda assim, garante que desistir nunca esteve em cima da mesa. “A única coisa que ponderei foi parar um dia para descansar”, admite. A hipótese acabou por ser descartada: “Na minha cabeça, um desafio destes tem de ser levado a 100 por cento. Se paro para descansar, já não é um desafio, mas sim uma viagem”, brinca.

 
 
 
 
 
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Se o esforço físico foi constante, a logística foi, para Roberto Fonseca, o maior desafio global — sobretudo por ter feito a viagem acompanhado pela mulher e pela filha de seis meses. “Houve muito pensamento por detrás, mas no final foi tudo muito fácil. A minha bebé não deu muito trabalho e não houve grandes stresses”.

A família acompanhou-o sempre numa autocaravana, onde dormiram na maioria dos dias. Em três ocasiões, optaram por alojamentos locais, sobretudo por necessidade de acesso a água e eletricidade. “Precisávamos de ligar à corrente para esterilizar os biberões e encher a água da autocaravana”, explica.

A rotina diária implicava cerca de oito horas de patinagem, com três paragens principais para refeições e descanso. A alimentação foi adaptada ao esforço físico, com ingestão regular de hidratos de carbono e proteína ao longo do dia. “Tentava comer o máximo de hidratos de manhã, mas não sou de comer muito de uma vez”, conta.

Durante as pausas, Roberto privilegiava snacks rápidos: “Comia sempre algo com açúcar e hidratos para dar um boost. Depois, proteína para recuperar o músculo”. As refeições eram sempre distribuídas ao longo do dia: “Nunca fiz uma refeição muito grande, ia comendo aos poucos”.

Apesar das dificuldades, houve também momentos de algum conforto. Um dos mais marcantes aconteceu já no Alentejo. “Estava muito cansado e ficámos num alojamento com piscina, estava um tempo espetacular e a água estava quente”, recorda. Aproveitaram para abrandar o ritmo nesse dia: “Arrancámos mais tarde porque estivemos na piscina. Soube mesmo bem”.

No final dos nove dias, o sentimento foi de realização, não apenas pessoal, mas também familiar. “Senti muito orgulho, não só por mim, mas também pela minha mulher, por termos conseguido fazer isto em família”, afirma. 

A recuperação foi mais rápida do que na experiência anterior entre Porto e Lisboa. Desta vez, sentiu menos impacto nos pés, resultado de uma preparação mais cuidada e do uso de equipamento diferente. “Usei uns patins que se moldam mais ao pé e dão um conforto diferente”, explica.

Com a EN2 concluída, Roberto Fonseca já está a preparar o próximo desafio. A ideia passa por subir e descer a Serra da Estrela de patins no mesmo dia — uma sugestão que surgiu dos próprios seguidores. “Deve acontecer nas próximas duas semanas”, revela. Em paralelo, está também a organizar uma corrida de patins em pistas de karting, prevista para junho, que deverá acontecer em Fafe ou Ovar.

Carregue na galeria para ver algumas imagens do desafio de Roberto Fonseca.

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