Kim Kardashian, Jennifer Aniston e Michelle Obama são apenas três nomes na cada vez mais longa lista de personalidades que incluíram o método Lagree nas suas rotinas fitness nos últimos anos. Se lá fora, sobretudo em Hollywood, nos Estados Unidos, esta modalidade tem feito sucesso, no nosso País ainda não é tão comum.
No entanto, isso está prestes a mudar com a abertura do Fine Club, o primeiro estúdio em Lisboa dedicado inteiramente a esta proposta. Abre portas a 8 de maio, fica localizado em Campolide e a ideia é que seja o mais fiel possível à prática original, criada em 2001 pelo pelo então fisioculturista e personal trainer Sebastien Lagree.
“Em Lisboa, havia alguns espaços com conceitos semelhantes, então achámos que seria interessante trazer a versão original, com um serviço e máquinas patenteadas. Não vendemos como Pilates porque é um treino de força”, começa por explicar à NiT Joana Castela, que lançou este projeto juntamente com a irmã, Mariana Galhardas.
A dupla descobriu o Lagree enquanto vivia fora do País, em Amesterdão e Paris, respetivamente. Entusiasmadas com a novidade, chegaram a ter aulas em Miami, nos EUA, e no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde fizeram o nível um do método com profissionais em alguns dos melhores estúdios.
Enquanto Mariana, atualmente dentista, fez ginástica de competição durante muitos anos, e prefere práticas “mais pesadas”, Joana, formada em gestão, por sua vez opta por práticas como o Pilates. Nesta nova modalidade, encontraram o equilíbrio perfeito entre um treino de força com menos impacto nas articulações.
Afinal, em que consiste?
O método original oferece um treino de alta intensidade e baixo impacto, composto por exercícios de fortalecimento integrado. A execução dos movimentos, de forma lenta e controlada, atinge a fadiga muscular ou, como é conhecido entre os praticantes, o “tremor do Lagree”, por deixar o corpo a “tremer” de cansaço físico.
A prática faz-se numa máquina desenvolvida exclusivamente para estes exercícios, batizada de Megaformer, que incorpora plataformas e barras para os pés em ambas as extremidades, permitindo que os alunos trabalhem diferentes grupos musculares, como peito, tríceps e ombros.
“A melhor maneira de o descrever é como se o Crossfit e o Pilates tivessem um bebé”, explica Joana, acrescentando que usar a MegaPro foi uma escolha natural para ambas. No interior, contam com oito máquinas disponíveis para os membros.
Sebastien Lagree, francês radicado nos EUA, agora com 52 anos, percebeu com o tempo que, o combinar os benefícios da prática com os da musculação, poderia alcançar os objetivos que os seus alunos tanto procuravam: tonificação, consciência corporal, flexibilidade, queima de calorias e resultados mais rápidos.
Para preparar todos os professores, a equipa do Fine Club teve vários dias de formação com um professor que veio dos EUA, Dayron Booth, e que conta com 10 anos de experiência em Lagree, e “foi um sucesso” enorme”, explica. Seguiram-se aulas abertas só para amigos e família onde perceberam ainda melhor como funciona cada passo.

A resistência nos treinos é criada pelas molas da máquina e peso corporal do praticante. Normalmente, as sessões duram entre 40 e 50 minutos e caracterizam-se pelos movimentos executados muito lentamente, geralmente com quatro tempos para a fase concêntrica e quatro para a fase excêntrica, mantendo tensão constante no músculo, evitando pausas entre repetições.
O Lagree combina trabalho de membros inferiores com ativação intensa do core e dos membros superiores. Exemplos típicos incluem variações de lunges, agachamentos com a plataforma móvel, pranchas com os pés e mãos no megaformer, movimentos de extensão e flexão de pernas, elevações de anca e exercícios específicos para tríceps e ombros.
A instabilidade controlada da máquina obriga a uma ativação profunda dos músculos estabilizadores, em especial os abdominais, os oblíquos e os músculos paravertebrais. O treino também evita impacto articular significativo e não inclui saltos nem corrida.
Um espaço de convívio
Mais do que um espaço de desporto, Joana e Mariana querem criar uma comunidade em Campolide. Foi isto que as levou a integrar um café com esplanada, graças a uma parceria com a marca Aura, onde as atletas podem beber um smoothie e conviver com outras pessoas.
Após esta zona, surge a área de check-in. Ao descer as escadas, vão ser encontradas outras comodidades como um terraço com várias cadeiras para descanso, uma zona de recuperação para duas pessoas e uma área com chuveiros, banhos frios e uma sauna de infravermelhos.
Há também um biombo de espelhos que divide o estúdio de Lagree da zona de recuperação, com dois vestiários semelhantes aqueles que encontramos nas lojas de roupa. O foco está sempre numa experiência o mais confortável possível para todos os visitantes.
“Renovámos tudo, fizemos imensas obras”, continua Joana. Apostaram no contraste entre o betão, mais cinzento, com a pedra que revestia o espaço. Os tons de azul bebé no tapete de entrada ou nos cacifos também eles de pedra são o apontamento de cor que chamará à atenção dos primeiros visitantes.
Com uma comunidade de Lagree cada vez maior no mundo inteiro, as irmãs querem aproximar os praticantes. Em junho, vão ter uma professora conhecida do Dubai e o objetivo passa por, todos os meses, ter professores convidados para dar formação aos treinadores ou aulas especiais para os membros.
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