Ginásios e outdoor

“Se o governo não tomar medidas, acreditamos que teremos muitos encerramentos de clubes”

A NiT falou com o presidente da Portugal Activo, que teme o pior, caso o setor não receba ajuda.
A situação é preocupante.

Foram dos primeiros a fechar e dos últimos a abrir. Os ginásios, clubes e estúdios de fitness fazem parte de um dos setores mais afetados pela pandemia em todo o mundo — e Portugal não é exceção. Com o novo estado de emergência e, consequentemente, com mais restrições, teme-se que possam vir a encerrar muitos clubes nos próximos meses.

“A situação dos Clubes de Fitness e Saúde tem sido muito difícil porque após o encerramento e quando pensávamos que a retoma se iria verificar gradualmente, temos sido confrontados com medidas avulsas que têm afetado muito o nosso setor, contribuindo para o aumento do medo e da desconfiança dos nossos clientes”, diz à NiT o presidente da AGAP — Portugal Activo, José Carlos Reis.

O responsável máximo pela Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal considera que esta situação é injusta, já que os “clubes são locais seguros para treinar”. Acrescenta que são vários os estudos internacionais que o comprovam, demonstrando que a taxa de casos em clubes de fitness é inferior a 0,28 por cento.

“Sabendo-se ainda que o exercício físico reforça o sistema imunitário das pessoas, esta deveria ser mais uma razão primordial para que fossemos sempre uma exceção”, continua.

José Carlos Reis confirma à NiT que já encerraram dezenas de ginásios por todo o País, não havendo uma região em especial com maior número. Foram, sobretudo, pequenos clubes — a maioria negócios familiares, em que todos dependem do rendimento do respetivo clube.

O número de inscrições também baixou bastante. Neste momento, avança, a quebra é de cerca de 40 por cento, sendo que existem espaços nos grandes centros urbanos com quedas muito mais acentuadas, devido ao facto de serem essencialmente negócios corporate, ou seja, clientes de empresas, que neste momento estão em teletrabalho.

É de inteira justiça que não tenhamos o mesmo IVA do álcool e tabaco”

Sobre as mais recentes restrições impostas pelo governo que estipulam o recolher obrigatório ao fim de semana, entre as 13 horas e as cinco da manhã, o presidente da AGAP não acredita que haja um fluxo extraordinário de clientes de manhã.

“Nesse período, os clientes vão ter que se deslocar também para todas as outras atividades do seu quotidiano. De qualquer forma, os clubes irão também dar resposta, antecipando o seu horário de abertura para as oito horas”, revela à NiT.

Contudo, a preocupação com o destino do setor é muita. “Se o governo não tomar medidas de ajuda específicas para o nosso setor, acreditamos que teremos muitos encerramentos de clubes até ao final deste ano e principalmente no início do próximo”, confessa José Carlos Reis.

Como é que se evita este cenário? A associação defende quatro medidas essenciais que, inclusivamente, já apresentou aos governantes do nosso País. “De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros de 5 de novembro de 2020, que possam existir financiamentos para o nosso setor, com 50 por cento do valor financiado a fundo perdido. A situação económica da generalidade dos clubes neste momento é muito depauperada e sem este apoio não conseguirão subsistir”, começa por explicar.

A AGAP defende também o acesso do setor ao regime excecional para acesso ao Apoio à Retoma Progressiva através do novo regime de lay-off simplificado, desde que os operadores mantenham os postos de trabalho.

Outra das medidas passam pela descida da taxa do IVA para 13 por cento. “É de inteira justiça que não tenhamos o mesmo IVA do álcool e tabaco, mas, além disso, esta é uma ajuda financeira muito importante para os clubes atualmente e no futuro para o investimento em novas unidades.”

Por fim, está a criação de benefício fiscal em sede de IRS para os contribuintes que pratiquem exercício físico nos clubes de fitness e saúde. “A possibilidade de colocarem uma parte da despesa da prática de exercício físico no seu IRS, é um sinal determinante do governo que promoverá a prática de exercício físico de forma determinante, contribuindo a curto prazo para termos mais portugueses saudáveis e ativos”, conclui o presidente da AGAP.

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