Ginásios e outdoor

Só para os mais duros: nesta prova vai ter de correr 1001 quilómetros em Portugal

O percurso vai de Guimarães até ao Algarve em apenas 14 dias, numa média diária de 71,5 quilómetros.
São 1001 km em 14 dias.

Chamava-se Fidípides e a sua lenda é ainda hoje admirada. Foi ele quem terá corrido 42 quilómetros até Atenas para avisar da vitória sobre as tropas invasoras persas. O soldado partira de Maratona com essa missão e só parou de correr quando a cumpriu. Morreu, exausto, à chegada.

Os tais 42 quilómetros seriam sempre um feito incrível, mas as corridas de longa distância continuam a conquistar adeptos — abrindo assim caminho a que novos limites possam ser testados.

Vem aí uma prova que promete ser um destes casos. É a 26 de setembro que está previsto começar em Guimarães a PT1001. O nome completo da prova, aliás, é bem adequado: Portugal 1001 – Real e Lendário.

14 dias depois da partida, os corredores vão chegar à fortaleza de Sagres, no Algarve. São 14 etapas e um total de 1001 quilómetros para percorrer naquelas duas semanas. A última etapa irá pôr fim à prova a 9 de outubro.

Parece coisa de lendas mas há aqui um lado histórico a marcar a prova. Paulo Garcia, fundador da Horizontes, que organiza o evento, explica que estes atletas cabem numa categoria especial: “maraturistas”. A PT1001 foi pensada precisamente neles.

Ao longo daqueles 14 dias, a prova atravessa o País de Norte a Sul. Começa em Guimarães atravessa castelos, vales, igrejas, parques naturais e aldeias históricas, para chegar a um dos lugares de onde os nossos antepassados partiram para outras paragens, enfrentando os mares. A prova é em regime de semi autonomia, com os corredores a orientarem-se por GPS. Pelo meio, vão percorrer um total de 11 distritos e 41 concelhos.

A NiT já lhe contou a história de Paulo Garcia, que há duas décadas deixou o seu emprego estável, casa e carro em Lisboa, e rumou à sua Proença-a-Nova.

“Em 2000, deixei tudo o que tinha em Lisboa e vim para aqui. Cansei-me da cidade. O meu espírito afinal não era assim tão urbano”, dizia-nos Paulo Garcia. É a partir de Proença-a-Nova que a Horizontes tem realizado provas trail e ultra maratona que são um teste físico e ao mesmo tempo um tributo à história e natureza dos lugares percorridos.

A empresa organiza, por exemplo, a corrida na maior praia do mundo, no Brasil. É também responsável pela mais antiga prova de trail run em Portugal, com mais de 100 quilómetros, na Serra da Estrela. Mas o PT1001 era um projeto que já vinha a ser pensado há algum tempo.

Prova junta história e natureza.

Na verdade, esta primeira edição já poderia ter acontecido por duas vezes, uma no ano passado e a outra já este ano. A suspeita do costume (a pandemia, claro está) obrigou a adiar os planos. Desta vez, está tudo montado para o que aí vem.

Mais do que um nicho, os fãs de ultra-maratonas e de trails que nos fazem pensar nos limites da capacidade humana são uma espécie de comunidade, bem unida. Não é por isso acaso que entre os pré-inscritos tenham surgido interessados de sítios tão distantes, do lado de lá ado Atlântico, como Brasil e EUA, até ao outro lado do mundo, na Nova Zelândia.

O número de participantes vai ser restrito (à partida um máximo de 30 pessoas) e segundo os dados mais recentes que a organização deu à NiT, nesta fase já são os portugueses que lideram a lista de interessados.

O valor por participante é de 2.500€, com Paulo Garcia a explicar que os atletas não precisam de se preocupar com nada. “Podem sair de calções do avião e não ter de se preocupar com mais nada”. As inscrições e informações podem ser tratadas online. Para os inscritos, o alojamento, o acompanhamento numa prova desta dimensão e exigência e tudo o mais, já está planeado. O desafio, no entanto, será por conta da capacidade física dos próprias. E promete ser exigente.

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