“Gosto muito deste País, do clima, das pessoas e das oportunidades que há aqui.” É assim que Subin Sunilkumar descreve Portugal, onde vive há quatro anos. O jovem, natural de Querala, no sul da Índia, encontrou por cá uma segunda casa — e nunca deixou o exercício físico de lado. Assim se percebe porque é que está a treinar obsessivamente para participar pela primeira vez na Maratona de Lisboa, marcada para 10 de outubro.
Para se preparar, há dias em que Subin acorda às quatro da manhã para correr — muitas das vezes no areal. “O que mais gosto é de ir ver a praia antes do nascer do sol. São estes hobbies que me trazem muita felicidade”, conta à NiT.
A relação com o mar vem da infância. Na Índia, a casa onde cresceu ficava a cerca de um quilómetro da praia. “Desde cedo que a praia e o mar são algo muito importante para mim. Tenho muitas memórias com os meus amigos, onde nos juntávamos e ficávamos só a falar e a brincar.”
A aventura e a paixão por descobrir novos lugares desempenham outro papel importante na sua vida. Em Portugal, não quer deixar nenhum recanto por descobrir. Por isso mesmo, em junho de 2025, pedalou entre Lisboa e Chaves. Ao longo de 24 dias, percorreu cerca de 700 quilómetros, atravessou várias regiões e passou 18 noites em campismo.
Pelo caminho, conheceu portugueses que lhe ofereceram comida, abriram as portas de casa e acompanharam parte do percurso.
“Estava à procura de uma aventura. Queria testar os meus limites, aproveitar o País e aprender mais sobre Portugal”, recorda o indiano de 27 anos. Na altura estava de férias, após um período em que tinha passado muito tempo a trabalhar. “Nunca tinha ido ao norte, então decidi ir até Chaves.”
A viagem começou na capital e passou pela Ericeira, Torres Vedras, Peniche, Óbidos, Caldas da Rainha, Foz do Arelho, Porto de Mós, Ansião, Figueira da Foz, Aveiro, Porto, Penafiel, Amarante e Vila Real, antes de chegar ao destino. Alguns troços foram feitos perto do mar, enquanto outros mergulharam no interior do País.
“Recebi muito amor por parte dos portugueses. Encontrei pessoas incríveis.”
Nem todos os momentos marcantes aconteceram no meio da natureza. Em Espinho, por exemplo, foi reconhecido por um homem que acompanhava os seus vídeos. “Ele disse: ‘Meu Deus, não acredito que és tu’. Foi inacreditável.”
Entre conversas, Subin descobriu que tinha à sua frente o filho de um antigo campeão de boxe que concluiu oito provas Ironman e que trabalhava como segurança no Futebol Clube do Porto. “Às vezes ainda falamos por mensagem”.
Durante esta odisseia inesperada, parou na Figueira da Foz. “Muitas pessoas convidaram-me para ir beber finos.”
Já em Amarante voltou a ser reconhecido por causa dos vídeos que publica nas redes sociais, onde mostra o seu dia a dia. Tem 11 mil seguidores no Instagram e 25 mil no TikTok — e mais de um milhão de gostos entre ambas as plataformas.
A ligação a Portugal começou muito antes de partir nesta viagem. Subin está na Europa há oito anos. Chegou ao continente para tirar uma licenciatura em Empreendedorismo e Gestão, na Letónia. Durante esse período passou por outros países, incluindo Polónia e Espanha, através de uma programa de intercâmbio. A pandemia da Covid-19 acabou por interromper os estudos e, depois de falar com um amigo que já vivia em Portugal, considerou esta mudança de vida.
“Ele falou-me das oportunidades que havia em Portugal para o futuro e isso deixou-me entusiasmado”, recorda.
Subin candidatou-se a um trabalho na área da agricultura e acabou mesmo por se mudar para o País. Veio sozinho, embora já tivesse aqui uma pessoa conhecida. Hoje vive em Benfica, em Lisboa, e divide os dias entre vários trabalhos. Está ligado ao setor imobiliário na Remax, trabalha 30 horas por semana na Santini e ainda faz part-time num restaurante, como empregado de mesa e barman.
@subinsubirvida Respeita a cultura do país onde vives — não imponhas a tua 🇵🇹✝️❤️#portugal #tugas #cultura #igreja #lisboa
A integração na sociedade é outro dos temas que Subin procura mostrar nos conteúdos que publica. “Quando estou num país, gosto de me integrar na cultura. Quero aproveitar o que Portugal oferece.” Para isso, participa em atividades que não faziam parte da sua vida.
“Tenho uma religião, mas não sou muito religioso. Gosto de ir a uma igreja ou a uma mesquita porque quero ver como é. Quando o faço, sinto uma paz enorme.”
Apesar de tentar “ver sempre o lado positivo”, reconhece que nem tudo é simples. “Já sofri racismo por ser indiano, mas sei que isso existe em qualquer lado. Todos os países têm racistas, mas eu foco-me sempre na parte boa da vida. Já conheci portugueses que são muito bons, humildes e simpáticos.”
É essa perspetiva que tenta levar para as redes sociais. Começou a partilhar publicamente vídeo pessoais há cerca de dois anos, mas o sonho de criar conteúdos já existia há muito mais tempo.
“Pensei em mostrar a minha vida para motivar outras pessoas a seguirem em frente e não desistirem. Eu nunca paro, porque quero sempre melhorar a minha vida.”
A decisão de mostrar a sua realidade também nasceu daquilo que observava entre alguns estrangeiros que conhecia. “Vi muitas pessoas que não se integravam ou tentavam colocar a cultura deles em cima da portuguesa não gosto disso. Portugal tem a cultura de Portugal e a Índia tem a cultura da Índia. Enquanto viver em Portugal, tenho de respeitar e não tentar impor”, destaca.
Nos últimos meses, a resposta do público surpreendeu-o. “Foi uma grande surpresa ver como as pessoas adoram a minha energia e como gostam de mim. Fui seguido pela Sara Norte, por uma grande cantora portuguesa que é a Carolina Deslandes e o Fernando Rocha a, um humorista muito engraçado, deixou um comentário num vídeo. Já conheci várias pessoas famosas e fico muito grato.”
As suas aventuras por Portugal não se ficaram pela viagem de Lisboa a Chaves. Daqui a dois meses, quer percorrer a Estrada Nacional 2 de uma ponta à outra. O plano passa por começar no norte e seguir até Faro, atravessando o interior do País.
“Estou a tentar parar de comer doces e salgados, mas é difícil porque aqui é tudo muito bom.” A solução, por enquanto, passa por continuar a treinar. “Tenho muita energia, então é fácil”.
Ver esta publicação no Instagram







