Ginásios e outdoor

Swift correu 25 quilómetros por dia (sempre) a cantar para preparar a The Eras Tour

A artista fez uma preparação muito exigente. Poucos conseguem fazer as duas coisas em simultâneo, "sobretudo nas notas longas".
Taylor Swift vai tocar no Estádio da Luz.

Taylor Swift foi considerada a Pessoa do Ano pela revista “Time”. A publicação exaltou como a cantora “dá valor aos sonhos, sentimentos e experiências das pessoas, especialmente das mulheres, que se sentiam negligenciadas e regularmente subestimadas”. Ao rol de elogios e feitos também poderia acrescentar-se “lenda do fitness”.

A cantora, que surge na capa acompanhada pelo gato, Benjamin Button, fez várias revelações durante a longa entrevista concedida a propósito da distinção. Incluindo muitos detalhes sobre a preparação para a exigente e longa “The Eras Tour”. A digressão arrancou este verão e inclui 151 espetáculos em cinco continentes, cada um dos quais com uma lista de 44 canções que abrangem toda a discografia da artista.

A cada concerto, Swift canta, dança e percorre o palco com 75 metros durante mais de três horas de espetáculo. Tudo isto alternando entre vários modelos de saltos altos Christian Louboutin personalizados segundo cada “era” da sua carreira. É, para todos os efeitos, um feito atlético notável, e a cantora preparou-se para tal.

“Todos os dias corria na passadeira enquanto cantava todos os temas do alinhamento dos concertos em voz alta”, revelou à “Time”. “Acelerava o ritmo para as canções rápidas, e abrandava ou passava para uma caminhada nos temas mais lentos”, esclarece.

A preparação durou seis meses e envolveu um plano muito intenso passado pelos personal trainers que a acompanham no Dogpound – um dos ginásios nova-iorquinos preferidos das celebridades. Fez cardio, musculação e treino de força. A isto ainda juntou “três meses de treino de dança”.

“Queria interiorizar os movimentos e os ritmos”, explicou Swift. “Queria estar tão preparada, para que pudesse ser parva com os fãs e sem me afastar da minha linha de pensamento.” A decisão teve um efeito preventivo. “Aprender coreografias não é o meu forte”, reconhece a artista de 33 anos.

A preparação não se reduziu ao exercício. Durante a digressão, Taylor deixou de lado as bebidas alcoólicas. “Fazer aquele espetáculo com uma ressaca, não, não quero conhecer esse mundo”. Quando a passagem por cada cidade chega ao fim, a artista admite que “mal consegue falar” e precisa de um dia inteiro para recuperar.

“Só saio da cama para ir buscar comida, e volto para a comer lá, entre as almofadas e lençóis”, confesso Swift. “É um cenário de sonho.”

É possível correr e cantar em simultâneo durante horas?

Se já tentou fazer uma corrida com amigos e manter uma conversa, certamente já percebeu a complexidade da missão a que a cantora se propôs. Apesar de ser difícil, é possível cantar e correr em simultâneo. “É um trabalho de endurance, memória muscular e preparação mental”, começa por explicar Carlos Coincas, professor de voz mais conhecido por CC, à NiT.

“Cantar exige uma respiração própria, bem-feita, que envolve a movimentação do diafragma, grelha costal e oblíquos, sendo que, ao mesmo tempo, haja um relaxamento integral de toda a zona da garganta. Por isso, não se treina a voz a correr, mas treina-se toda a estrutura muscular e a cada uma a fazer o seu papel.”

A explicação parece simples, mas conseguir fazê-lo não é nada fácil, sobretudo “nas notas longas”, refere o professor. “São muito difíceis de segurar sem oscilar a voz. O resto é fazível”, esclarece. No total, segundo uma estimativa da revista “Runner World”, a cantora terá percorrido 16 mil, ou seja, mais de 25 quilómetros por dia – enquanto cantava temas como “Love Story” ou “All to Well. Caso tenha feito isto todos os dias, durante seis meses, correu, no total, cerca de 5 mil quilómetros.

A relação de Swift com o peso

Esta não foi a primeira vez que Taylor Swift deu pormenores sobre a sua relação com o exercício físico. No documentário “Miss Americana”, que estreou em 2020 na Netflix, a cantora falou durante vários minutos sobre o facto de ter passado anos a lutar contra o próprio corpo.

Tudo começou quando tinha 18 anos. “A primeira vez que apareci na capa de uma revista, a manchete era algo do género ‘Grávida aos 18 anos?’ Só porque tinha utilizado uma roupa que não me favorecia na zona da barriga. Registei esse momento como um castigo e os problemas começaram aí.”

Taylor deixou de comer de forma normal, saltava refeições e evitava a todo o custo certos tipos de comida. Em contrapartida, praticava exercício até à exaustão. “Quando me diziam que estava muito magra ou me perguntavam se comia, respondia que sim. Mas não era verdade: mal comia e treinava mesmo muito”.

O estilo de vida que levava fez com que estivesse muitas vezes perto de desmaiar, durante e após os concertos. No entanto, desvalorizava aquilo que sentia. “Achava normal estar cansada e sem fôlego no final de uma atuação.” Quando se apercebeu do problema, entrou “numa verdadeira espiral de vergonha e ódio”.

Em “Miss Americana”, Taylor Swift revelou ainda que começou a esforçar-se por adotar pensamentos positivos, sobretudo quando se sente tentada a julgar o próprio corpo. “Não. Já não faço isso. É melhor pensar que estou gorda e não doente”, repete. Porém, não revelou se recorreu a algum tipo de ajuda psicológica para ultrapassar a fase mais difícil que viveu.

Atualmente, a cantora exibe uma silhueta invejável e visivelmente tonificada. E, a avaliar pelas últimas atuações da “The Eras Tour” que está a fazer pelo mundo e irá passar por Portugal a 24 e 25 de maio de 2024, Taylor Swift está feliz e cheia de energia. Tudo graças a uma rotina de treino exigente e uma alimentação saudável e completa.

Leia também a crónica de Nuno Bento sobre a vinda da artista norte-americana a Portugal.

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