Ginásios e outdoor

Tânia criou um projeto que ajuda mulheres com mais de 40 anos a envelhecerem mais fortes

O projeto foi lançado a 23 de setembro e é pensado para alunas com mais de 40 anos, um público muitas vezes esquecido.

Tânia Dantas sofreu uma lesão que a obrigou a depender de outras pessoas para fazer tarefas básicas. Naturalmente, isso mudou a forma como olhava para o exercício físico. Durante os dois meses e meio de recuperação de uma fratura no prato tibial, em 2023, percebeu que força e mobilidade não são apenas questões ligadas à aparência. A experiência levou-a a repensar a relação que tinha com o treino e acabou por dar origem a um projeto dirigido a mulheres com mais de 40 anos.

“Se eu tivesse 60 ou 70 anos, não ia ter a força e mobilidade para recuperar”, explica à NiT a empreendedora de 28 anos. A ideia de trabalhar na área do exercício, porém, não apareceu nessa altura. Durante a licenciatura em Marketing e Comunicação Empresarial, no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, cidade de onde é natural, tinha desenvolvido um projeto relacionado com o exercício físico. 

Ao longo dos três anos do curso, imaginou uma aplicação que juntasse treino, nutrição e coaching. Na altura, a proposta foi considerada inovadora, numa fase anterior à pandemia, quando este tipo de serviços digitais ainda não tinha a presença que tem hoje.

“A vontade sempre esteve dentro de mim”, diz. A formação de Personal Trainer surgiu mais tarde — começou o curso em novembro de 2024 e terminou em julho de 2026. Entre a ideia que tinha desenvolvido na universidade e a experiência da lesão, encontrou a motivação para transformar o interesse antigo num novo trabalho.

O projeto, sem nome oficial, foi lançado a 23 de setembro e é pensado para mulheres com mais de 40 anos. A escolha deste segmento de público está relacionada com uma fase da vida em que o trabalho, a família e outras responsabilidades podem fazer com que o exercício fique para segundo plano.

“Quero que percebam que o treino pode ser uma ferramenta para preservar capacidades e pode fazer diferença à medida que os anos passam”, comenta.

É também nesta fase que considera importante reforçar o trabalho de força, numa altura em que a perda de massa muscular e a redução da mobilidade podem começar a ganhar expressão. “É importante as mulheres entenderem que o exercício é muito mais do que a imagem”. A proposta passa por trabalhar capacidades físicas que possam contribuir para a autonomia no futuro e por criar uma relação mais consistente com o exercício.

 
 
 
 
 
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A profissional, que também trabalha num banco, considera que existe uma oferta significativa de serviços de treino destinados a outros grupos etários, mas identifica menos propostas pensadas de raiz para mulheres nesta fase da vida. 

O acompanhamento começa através do Instagram. Depois do primeiro contacto, Tânia explica à potencial cliente como funciona o serviço e esclarece as dúvidas antes de avançar. 

O processo inclui um guia com instruções para realizar as medições necessárias e uma avaliação online destinada a recolher informação sobre a aluna, os objetivos que pretende atingir e a sua experiência anterior com o exercício.

A partir desses dados, é feita a prescrição do treino e definida a programação. O acompanhamento inclui uma sessão de treino semanal com a duração de 60 minutos, mas não termina quando acaba essa hora.

“Criar uma rotina e hábitos não é só começar a treinar”, sublinha. Por isso, o programa inclui também acompanhamento fora das sessões, com um questionário semanal. A cliente fala sobre a forma como correu a semana, os desafios realizados, os níveis de energia, e não só. Tânia analisa depois essas respostas e vai ajustando os planos conforme necessário.

A duração do programa também foi pensada para evitar que a mudança fique limitada às primeiras semanas. O acompanhamento é contratado por três meses e custa 360€, o equivalente a 120€por mês. “Acredito que criar consistência demora e pensei que, se fosse só um mês, a pessoa chegava ao fim e desistia”, explica. “Quero que o exercício passe a integrar a rotina das mulheres.”

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