Ginásios e outdoor

Tem 92 anos e tornou-se no homem mais velho do mundo a atravessar o Grand Canyon a pé

Alfredo Aliaga Burdio percorreu quase 40 quilómetros em 21h15. Resolveu adotou um estilo de vida saudável após a morte da mulher.
Uma história impressionante.

Nunca é tarde para mudar. Apesar de ser um cliché, aplica-se na perfeição a Alfredo Aliaga Burdio. Decidiu mudar de estilo de vida aos 76 anos, após a morte da mulher. Tornou-se mais saudável e, agora, aos 92, bateu o recorde do Guinness do homem mais velho a atravessar a pé o Grand Canyon de ponta a ponta. 

A 15 de outubro de 2023 fez uma caminhada de cerca de 40 quilómetros em 34 horas e dois minutos (21h15 em andamento). A conquista foi oficialmente reconhecida pelo Guinness World Records em janeiro deste ano. Esta foi certamente uma viagem que ficou para a história, mas não foi a primeira vez que Alfredo caminhou pelo Grand Canyon. 

Após a morte da mulher, em 2006, Alfredo, que atualmente vive na Alemanha, decidiu revisitar os lugares por onde viajaram juntos. Em outubro de 2022, atravessou o Grand Canyon com o filho em apenas quatro dias. A ideia de tentar quebrar o recorde detido desde 2019 pelo norte-americano John Jepkema, de 91 anos, surgiu nessa altura.

Começou a preparar-se para o desafio em janeiro de 2023, com cerca de nove meses de antecedência. Todos os dias percorria 13 quilómetros. “Percebi que o treino diário fez a diferença”, explicou ao Guinness World Records.

O homem admite que após cinco horas a caminhar, pensava que já não conseguiria superar a exaustão. “O que me surpreendeu é que depois de um intervalo de 15 minutos e um pouco de comida senti-me forte novamente e pronto para enfrentar as horas seguintes”, afirmou. Demorou 11 horas e 15 minutos para caminhar do North Rim Trailhead até ao Phantom Ranch e mais 10 horas no dia seguinte desde o Phantom Ranch até ao South Rim Trailhead. Alfredo fazia pausas quase a cada hora. Além de ser apenas uma “questão de espírito”, confessa que o facto de caminhar devagar, mas com firmeza, ajudou-o a concluir o desafio. 

Alfredo Burdio marca o passo da caminhada.

Pelo meio até fez amigos, entre os quais o Corpo de Bombeiros de Tucson, que, na altura, também caminhava por ali. Para celebrar o feito, os bombeiros ofereceram-lhe um emblema e tornaram-no num membro honorário da instituição.

Para Alfredo, a idade não deve ser um entrave para alcançar os nossos sonhos. Nos últimos 30 anos percorreu o Grand Canyon de ponta a ponta pelo menos sete vezes. Costumava explorar o mundo com a mulher: pedalaram 4.500 quilómetros da Finlândia até à Alemanha, visitaram sete vezes o acampamento base do Monte Everest, no Nepal, e passaram um ano a percorrer os parques nacionais dos EUA.

Quando a mulher morreu decidiu mudar de estilo de vida. “Agora não tenho doenças, nem tomo medicamentos. Sou saudável”, referiu em entrevista ao “Business Insider”. Comer bem e beber água é o primeiro passo. Ao jantar, Alfredo faz uma papa de leite com aveia e junta ainda alguns figos secos e amêndoas. Além disso, aconselha todos a caminharem, pelo menos, 30 minutos por dia. Dormir oito horas por dia é também fundamental, sublinha. “Sim, estou velho, mas ainda posso fazer muitas coisas”, assegura.

E não vai parar por aqui. Alfredo já tem planos para voltar a caminhar pelo Grand Canyon este ano, mas desta vez sem a pressão de quebrar um recorde.  

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