Esqueça o padel. As raquetes que toda a gente vai querer ter nos próximos meses são mais pequenas, mais baratas, mas igualmente viciantes. Graças a “Marty Supreme”, que estreia esta quinta-feira, 22 de janeiro, nos cinemas nacionais, o ténis de mesa vai, quase garantidamente, tornar-se uma das modalidades mais comentadas em Portugal.
A obra — que deu o Globo de Ouro de Melhor Ator num Musical ou Comédia a Timothée Chalamet a 11 de janeiro — decorre nos anos 50 e conta a história de Marty Mauser, um jovem com um sonho que ninguém respeitava: tornar-se um profissional do pingue-pongue.
Ao contrário do padel, não é uma modalidade recente, tendo sido criada no século XIX. Nas escolas portuguesas era comum vermos mesas no recinto, mas era mais visto como uma atividade de entretenimento do que um desporto a sério.
Agora, para quem quer voltar a praticar, há um clube em Lisboa totalmente dedicado à modalidade. Fundado em 2024 e com atividade competitiva iniciada em setembro de 2025, o Olissipo, em Camarate, nasceu da vontade de Tiago Nunes de criar um espaço inclusivo e acessível, num território que ainda carece de estruturas do género. O atleta e treinador de 31 anos faz do pingue-pongue o seu trabalho a tempo inteiro.
Licenciado em Desporto, em Lisboa, soma mais de duas décadas de ligação à modalidade. Começou a jogar há 22 anos, numa mesa da escola, durante os intervalos. Depois, escolheu-a como modalidade no desporto escolar — e o impacto foi imediato. “Logo no primeiro ano fomos campeões distritais e isso fez com que o diretor desportivo do Benfica fosse à nossa escola perguntar se queríamos ir treinar para o clube”, conta à NiT.
A oportunidade marcou o início de um percurso de nove anos no SLB, onde fez toda a formação enquanto atleta. No entanto, a exigência dos treinos acabou por chocar com os estudos e viu-se forçado a dar uma pausa, embora nunca se tenha afastado totalmente.
Depois de uma passagem como treinador no Câmara Lisboa Clube, avançou com a criação do Olissipo, um projeto que reflete a sua visão sobre o desporto. A fundação, formalizada a nível burocrático em 2024, exigiu um longo processo de preparação. As instalações estiveram em obras durante cerca de oito meses e foi apenas no ano seguinte que entrou em competições oficiais. Antes disso, contudo, a equipa já tinha conquistado troféus em torneios abertos. O crescimento foi natural e, atualmente, conta com mais de 100 atletas e recebe jogadores de vários níveis, desde iniciantes a profissionais.
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A missão da entidade passa por ser um clube verdadeiramente aberto à comunidade. “Somos poucos clubes em Lisboa e, na nossa visão, queremos que toda a gente possa ser integrada. Temos treinos para iniciantes, para pessoas com nível mais avançado e espaço para todos, independentemente do nível”, afirma.
Esta filosofia estende-se a iniciativas como o pong social, um evento semanal aberto a qualquer pessoa. A próxima edição será já este fim de semana, dias 24 e 25 de janeiro, e vai permitir-lhe jogar durante duas horas mediante “um custo simbólico” de 4€. “As pessoas podem vir às nossas instalações, jogar com quem está cá, com amigos ou família, e simplesmente passar um bom tempo”, acrescenta.
Mais do que formar atletas, o clube procura criar hábitos e uma segunda casa. Para o fundador, fazia falta na capital um espaço deste género que pudesse ajudar o ténis de mesa a crescer. “Conseguimos construir e dar às pessoas um espaço de luxo onde se sentem bem e podem treinar sem qualquer impedimento”, realça.
O crescimento do Olissipo começa também a refletir-se fora do contexto estritamente desportivo. Recentemente, Tiago Nunes foi contactado pela Cinemundo, empresa responsável pela exibição de “Marty Supreme” em Portugal, assumindo o papel de dinamizador da modalidade e divulgação do filme. Dois atletas estiveram envolvidos em filmagens para conteúdos promocionais.
Graças à obra de Chalamet, o fundador acredita que o pingue-pongue tem potencial para se tornar um desporto mais popular, sobretudo se conseguir aproximar-se do público de uma forma “mais acessível e informal”.
“Tal como o padel, é um desporto que pode ser jogado tanto a nível social como competitivo. As pessoas têm sempre bons serões nos treinos”, garante. O maior entrave, aponta, continua a ser a falta de espaços abertos em Lisboa. “Não há locais onde as pessoas possam simplesmente ir treinar com quem quiserem. Nós queremos combater essa lacuna.”
Atualmente, a mensalidade no Olissipo varia entre os 30€ e os 45€, consoante o número de treinos semanais e o nível de prática em que se encontra.
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