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Tinha 140 quilos e hoje é um IRONMAN: “Quando comecei, mal sabia nadar”

Nunca tinha praticado desporto ou seguido uma dieta rigorosa, mas Daniel Leão fez de tudo para se tornar um homem de ferro.
A jornada fitness começou aos 38 anos.

Daniel Leão já chegou a pesar 140 quilos. Até aos 38 anos raramente praticou desporto, hoje tem 45 e já participou em dois triatlos IRONMAN. Os próximos objetivos já estão traçados: completar duas destas provas (uma em Coimbra, a 23 de junho, e outra na Alemanha, a 7 de julho) e mais um STARMAN no Alentejo (marcado para dia 14 de julho). 

A mudança no estilo de vida começou quando estava emigrado no Dubai. No Emirado, conheceu uma portuguesa que tinha feito sete IRONMAN em 42 dias. Daniel ficou tão impressionado que teve uma epifania: fazer algo semelhante poderia mudar o rumo da sua vida e, por isso, decidiu que antes dos 39 anos iria completar um destes percursos.

“Não tinha noção do que estava a dizer, pensei que um ano seria suficiente, mas estava enganado. Estava muito pesado, era óbvio que não ia resultar. Não estava consciente quando defini aquela meta. Nem sequer sabia nadar além do mínimo necessário para não me afogar, nunca tinha experimentado andar de bicicleta de estrada e nem me lembrava da última vez que tinha corrido”, começa por contar à NiT.

“Não fazia ideia do que dizia, achei que um ano chegava, mas eu estava muito pesado, claro que não ia resultar, não estava consciente quando delineei aquele prazo. Eu nem sequer sabia nadar mais do que o mínimo necessário para não me afogar, nunca me tinha colocado em cima de uma bicicleta de estrada e a última vez que tinha corrido nem me lembro qual tinha sido”, começa por contar à NiT.

A única atividade física que se recorda de ter feito em toda a sua vida foi jogar à bola nos intervalos da escola. Tinha um estilo de vida completamente sedentário e as coisas pioraram quando se mudou para os Emirados Árabes Unidos, em 2014. Chegou lá com 120 quilos e quando regressou a Portugal, três anos depois, já pesava mais vinte quilos.

“Sinceramente, penso que a minha alimentação em Dubai não era o meu maior problema. Claro que comia mal, mas não era uma questão de quantidade em excesso. O problema era que não havia sopa nem legumes nas minhas refeições, bebia muitos refrigerantes e não tomava o pequeno-almoço. A primeira coisa que comia num dia inteiro era um bife com batatas fritas e arroz.” Mesmo assim, decidiu começar a treinar e empenhou-se.

Daniel perdeu vinte quilos apenas a praticar desporto.

Quando regressou a Portugal, em 2017, interrompeu a sua jornada devido ao período de adaptação que atravessava. Tudo mudou quando foi assistir ao IRONMAN de Cascais, que o levou a retomar o objetivo inicial.

“Em primeiro lugar, dediquei-me à natação, que era o meu ponto mais fraco. Em apenas três meses passei de não conseguir completar um percurso de 25 metros para conseguir nadar dois quilómetros. Depois, na passagem de ano, comprei uma bicicleta e comecei a fazer 50 quilómetros no mesmo período. Com a corrida aconteceu o mesmo, cheguei aos cinco quilómetros.”

Neste momento, tinha cerca de 130 quilos, mas foi durante esta etapa que fez a sua primeira prova. Optou por um duatlo por considerar que seria mais fácil, no entanto, reconhece hoje em dia que cometeu um erro, uma vez que foi na natação que teve mais dificuldades.

“Cometer esses erros até foi positivo, ao longo do tempo fui aprendendo com as minhas próprias falhas. Não tinha treinador, era completamente autónomo, fazia tudo sozinho. Atualmente ainda enfrento muitos obstáculos, mas fico com histórias para contar.”

Em 2022, completou o primeiro IRONMAN, em Coimbra. Fez 3,8 quilómetros a nadar, 180 de bicicleta e 42 a correr (e ainda pesava 116 quilos). Já tinha tentado fazer o triatlo no ano anterior, mas devido a problemas técnicos não conseguiu terminar, ficando apenas pelos primeiros quilómetros da corrida.

 “Nunca ninguém me tinha explicado que temos de correr com sapatos maiores do que aqueles que utilizamos normalmente. As minhas sapatilhas eram o 44, tinham de ser o número acima e os meus pés não aguentaram.”

Após esta prova, seguiram-se várias outras, desde outros triatlos a maratonas, e até fez parte de uma equipa. No ano passado, enfrentou mais um obstáculo no seu percurso, ao ter de ser submetido a uma operação de hérnia. Durante a recuperação, só podia nadar, mas isso não o desanimou. Procurou outro desafio e completou a sua primeira maratona aquática, de 10 quilómetros.

daniel IRONMAN
Quando começou, mal sabia nadar.

No primeiro dia do ano, decidiu tornar a preocupação com a nutrição prioritária. Ao longo do tempo, perdeu 20 quilos apenas com a prática de atividade física, sem nunca ter alterado os seus hábitos alimentares. Posteriormente, começou a ser acompanhado por um nutricionista que, sendo também triatleta, considerou ser a pessoa certa para o ajudar neste percurso.

“Desde então, já perdi mais 14 quilos e fez toda a diferença. Correr com 120 é diferente de correr com 105, obviamente. Sinto o corpo mais leve e o efeito nota-se nos resultados. Este ano, já repeti uma prova que fiz em 2023, e consegui retirar mais de uma hora ao meu tempo oficial, fazendo o mesmo percurso.”

A rotina alimentar é completamente diferente da que fazia anteriormente: agora come mais vezes, em quantidades mais regradas e toma o pequeno-almoço.

“Estas mudanças foram essenciais para mim. O meu peso tinha estagnado, já não conseguia perder mais. O bom desta minha jornada é que fui sempre muito consistente. Ganhei peso gradualmente, nunca de forma repentina. Um quilo hoje, outro depois, e número na balança foi aumentando. Quando perdi peso aconteceu o mesmo, foi gradual e não tive um aumento repentino a meio do processo, como às vezes acontece.”

Nesta época desportiva, está a competir individualmente, com o apoio de um treinador que lhe desenha os treinos e o prepara para as provas. “Com a estaleca que ganhei a participar em diversas competições, aprendi a gerir o meu ritmo e velocidades.”

Atualmente, treina todos os dias da semana, sendo que apenas num deles tem um maior período de descanso, dedicando uma hora à prática de bicicleta estacionária. Nos restantes dias, realiza pelo menos dois blocos de treino diferentes — quando consegue, faz três — e pratica pelo menos duas modalidades durante 45 minutos.

“Dedico uma parte do meu tempo a isto todas as manhãs, durante o almoço e ao final da tarde. Ao fim de semana consigo dedicar mais horas, por vezes quatro, cinco, ou seis, depende sempre. É uma atividade que requer um grande investimento e é preciso fazer escolhas, incluindo deixar para trás outras atividades que também gostamos de fazer.”

No entanto, Daniel reconhece que o desporto tem outras vantagens. “Já participei em provas por todo o mundo, o que também é uma oportunidade para fazer turismo”, sublinha. Este ano já completou dois Halfs IRONMAN e pretende fazer quatro até dezembro.

Em 2025, planeia dedicar-se mais às maratonas, embora não queira abandonar completamente o triatlo. “É mais fácil pegar num par de ténis e apanhar um avião do que transportar uma bicicleta.” Até aos 50 anos, espera completar as seis Maratonas Major: em Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova Iorque; mas até ao fim do ano que vem espera concluir as cinco principais em Espanha.

daniel IRONMAN
Daniel não quer parar de correr.

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