Ginásios e outdoor

Treinar ou não treinar? Estudo mostra como pandemia teve impacto no exercício físico

A promessa de ajudar a combater a ansiedade está a ser minada por essa mesma ansiedade.
É mais um dos impactos da pandemia.

Foi já há mais de um ano que a pandemia se começou a fazer sentir um pouco por todo o mundo. Do distanciamento social às máscaras, toda uma série de novos hábitos entrou nas nossas vidas, ao mesmo tempo que mudavam coisas tão simples como cumprimentar com um abraço ou dois beijos familiares ou amigos.

A pandemia, no entanto, trouxe mais um paradoxo que já começa a ser analisado por especialistas. Em causa, está a forma como teve impacto na forma como procuramos manter uma vida ativa e combater o sempre perigoso sedentarismo.

Investigadores da McMaster University, uma universidade canadiana que, entre outras áreas, se foca nas ciências da saúde, levou a cabo um inquérito envolvendo mais de 1.600 indivíduos de idade adulta sobre a forma como a pandemia afetou os seus hábitos de vida ativa.

Não é nada que não conseguíssemos imaginar, tendo em conta a forma como a pandemia chegou a obrigar a fechar ginásios e a condicionar um sem número de deslocações que anteriormente eram só normais. A vantagem aqui é perceber como isto já se faz sentir em termos concretos.

Entre os inquiridos, foi destacada a forma como a pandemia deu lugar a mais sentimos de ansiedade, de depressão moderada e de stress psicológico. Ao mesmo tempo, como destaca o “ScienceDaily” a propósito dos resultados conhecidos neste mês de abril, as atividades aeróbicas diminuíram pelo menos 20 minutos por semana. Os hábitos de treino também perderam uma média de meia hora semanal, ao mesmo tempo que os hábitos sedentários aumentaram na exata proporção (30 minutos).

Sedentarismo substituiu atividade física.

Este impacto foi sentido rapidamente já que os dados comparavam o período de pandemia àquilo que eram os hábitos dos inquiridos apenas seis meses antes das primeiras medidas de restrição causadas pela pandemia.

Jennifer Heisz, responsável do departamento de cinesiologia da universidade que levou a cabo a análise, realça que “manter um programa regular de exercícios é difícil na melhor das hipóteses e as condições em torno da pandemia de Covid-19 podem torná-lo ainda mais difícil”.

O paradoxo é que a mesma atividade física que seria útil em reduzir os níveis de stress e ansiedade, é condicionada de origem por esse mesmo aumento de stress e ansiedade.

“Ainda que o exercício física possa reduzir a ansiedade, muitos inquiridos admitiram sentir-se ansiosos pela própria ideia de fazer exercício físico” tendo em conta o contexto de pandemia. “Da mesma forma, embora os exercícios possam ajudar a combater sintomas de depressão moderada” era precisamente entre os entrevistados que se confessavam mais deprimidos que se notavam os maiores índices de desmotivação para manter hábitos ativos. Isto, por si só, como destaca a especialista à mesma publicação, é já em si “um sintoma de depressão”.

O inquérito abordou também o impacto socioeconómico, e a forma como este também veio condicionar a tendência para manter hábitos de vida mais ativos. E confirmaram que as disparidades económicas também tinham impacto, em especial entre os inquiridos de faixas etárias mais jovens.

“Como noutros aspetos da pandemia, algumas demografias são mais atingidas do que outras”. Neste aspeto, a questão financeira ganha outra dimensão. “É plausível que jovens adultos, que habitualmente trabalham mais horas e ganham menos, tenham menos tempo e espaço” para contrariar a tendência. O que por sua vez também traz riscos de maior impacto ao nível da saúde física e mental.

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