Durante a infância e juventude, o peso nunca foi um problema para Conceição Pinto. Recorda que foi sempre muito magra e que, até aos 21 anos, altura em que teve o primeiro filho, mantinha-se estável nos 60 quilos. A mudança surgiu mais tarde, após o nascimento da filha mais nova, aos 27 anos.
A partir daí, o aumento de peso foi gradual e contínuo, mas sem grandes alarmes. Não havia excessos alimentares evidentes nem uma relação conflituosa com a comida, o que fez com que a situação fosse sendo relativizada ao longo dos anos.
A perceção de risco só surgiu há cerca de três anos e meio, quando deu entrada num hospital na Suíça, onde vivia na altura, com queixas no estômago. O que parecia ser apenas um pequeno problema revelou-se mais complexo após a realização de vários exames. Além de uma infeção gástrica grave, os médicos identificaram fígado gordo e acumulação significativa de gordura nos órgãos internos, incluindo o intestino. Na altura, tinha 98 quilos.
“Fiquei com muito medo. Pensei que não ia sair daquele hospital”, conta Conceição à NiT. Não ficou internada apenas porque a medicação e o soro começaram a a produzir melhoras rápidas, mas saiu com uma indicação clara: “Tinha de perder peso para evitar complicações mais graves”, recorda.
A partir daí, a atividade física passou a fazer parte da rotina. Enquanto vivia na Suíça — onde trabalhou numa fábrica e, depois, em limpezas — optou por caminhadas regulares, uma estratégia simples, mas eficaz.
Os resultados começaram a surgir rapidamente: nos primeiros 15 dias, perdeu cerca de sete quilos. A 1 de outubro de 2024 regressou a Portugal e foi em Lousada, de onde é natural, que arrancou uma nova fase do processo.
Começou a integrar o ginásio na rotina semanal: ia cinco vezes por semana. O seu plano inclui, até hoje, treino cardiovascular diário e exercícios de musculação. “Faço muito os equipamentos como passadeira, bicicleta, elíptica e também máquinas específicas para os braços e pernas”, realça. Antes, só pensar em ir ao ginásio era quase como um castigo. Atualmente, sente que o próprio corpo pede por exercício.
A alimentação passou a ser outro pilar da transformação e, com a ajuda de nutricionistas da equipa de Lia Faria, fez uma eliminação quase total de gorduras, fritos e carnes vermelhas. E alimentos que até então tinham pouca presença na sua rotina passaram a ser regra diária, como sopa de legumes, saladas, fruta, peixe e carnes brancas. A confeção também mudou, privilegiando pratos cozidos e grelhados.

Apesar das restrições, Conceição, de 58 anos, refere que nunca passou fome, porque aprendeu a respeitar quantidades. “Comia a quantidade certa”, explica. “O acompanhamento profissional também foi determinante para manter o foco e a disciplina.”
À medida que alimentação se ajustava, a medicação para o estômago foi sendo reduzida, acompanhando também a melhoria dos resultados clínicos. Quando iniciou o acompanhamento nutricional, em novembro do ano passado, pesava 91 quilos. Atualmente, pesa 62.
Esta transformação de mais de 35 quilos também teve um impacto positivo a nível psicológico. Durante muito tempo, evitava olhar para o espelho porque não se sentia confortável com a própria imagem. “Não me reconhecia”, lamenta. Com o passar dos meses, contudo, essa perceção mudou. “Agora já gosto do que vejo. A perda de peso também ajudou muito com a autoestima.”
A disciplina também se estendeu à família, em particular à filha, Ana Sofia, que decidiu também iniciar um processo de perda de peso. Com 118 quilos e um historial de problemas articulares, incluindo cirurgias aos joelhos, foi aconselhada por vários médicos a emagrecer, sobretudo após uma lesão no pé. A decisão partiu da própria, mas encontrou no exemplo da mãe um incentivo decisivo. Já perdeu cerca de 12 quilos. E o pai também já se juntou.
Para Conceição, acompanhar estas mudanças é um “enorme motivo de orgulho”. “Sinto-me muito contente. A principal motivação não é a aparência, mas sim a saúde e a qualidade de vida. E a verdade é que sustos de saúde dão o empurrão que nós precisamos.”
Agora, deixa um conselho claro a quem enfrenta um percurso semelhante: “É essencial ter força de vontade de coragem para começar. Vale mesmo a pena”, refere. A sua história também já teve impacto em amigas próximas que decidiram procurar acompanhamento nutricional.

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